terça-feira, 17 de janeiro de 2017

P.E.C. Nº 393: Rali de Portugal / 2017; mapas interativos


(Nota: tópico em atualização permanente)

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É conhecido já há alguns dias o formato do Rali de Portugal de 2017, a disputar entre os dias dezoito e vinte e um do próximo mês de maio. 

Analisando o esquema de prova proposto pelo ACP, diríamos, em síntese, que há uma aposta em evoluir na continuidade, respeitando em simultâneo a carga histórica do evento. 

Começamos precisamente por este último quesito: as referências do Rali de Portugal

Se quisermos, troços que se tornaram com o passar dos anos marcos incontornáveis no ADN do evento. 

Fafe é, neste contexto, uma inevitabilidade. 

O poder tremendo das multidões que acorrem ao Confurco ou aos saltos da Pereira e da Pedra Sentada, tornam impensável que a caravana do Rali, encontrando-se sedeada a norte do país, não passe naqueles caraterísticos montes ornamentados a penedos de granito. 

O contrário seria quase como o Papa vir a Portugal e não se deslocar à Cova de Iria. 

Em 2017 a organização inclui mais Fafe no corpo de classificativas da prova. 

Aliás, para terminar de forma apoteótica e ao encontro das simpatias da grande falange de adeptos, o último dia do Rali é um capítulo exclusivamente fafense, dedicado às conhecidas especiais daquela região. 

É desta forma que, a par da lendária Lameirinha (designada por Fafe), no corpo dos troços do Rali foram agora incluídos Luilhas e Montim, não só já conhecidos de tempos passados do certame como, inclusive, nomes com projeção nos planos nacional e até internacional da modalidade.

No segundo dia de prova, sexta-feira, aquele em que verdadeiramente o Rali arranca após o shakedown em Baltar (junto ao Kartódromo local) e o aquecimento no Eurocircuito da Costilha em Lousada no dia anterior, as novidades para os concorrentes não podem ser maiores. 

Viana do Castelo abre as hostilidades com uma nova e ampliada versão que comtempla vários quilómetros de troço não percorridos há bastantes anos (um pequeno segmento estamos em crer até ser estreia absoluta em matéria de Ralis), ao passo que Caminha e Ponte de Lima percorrem-se agora nos trajetos conhecidos desde 2015, mas em sentido contrário, para tudo terminar no coração da cidade de Braga, cuja superespecial, em dupla passagem, substitui a realizada o ano passado nas artérias junto à Avenida dos Aliados, no Porto. 

No sábado, dia que se antevê poder ser decisivo nas contas finais do Rali, há agora uma versão mais reduzida (e com pequenas alterações no percurso) da especial de Vieira do Minho, que terá sequência, ali por paragens da Serra da Cabreira, na nova classificativa (embora com alguns estradões também conhecidos em 2015) de Cabeceiras de Basto, para depois o pelotão infletir ao Marão percorrendo a clássica e seletiva Amarante, com os seus trinta e sete quilómetros e quinhentos metros a mais extensa de toda a prova. 

De fora ficam as antigas classificativas de Baião (traçada na Serra da Aboboreira) e do Marão (que deixa saudades quanto ao traçado seletivo e espetacularidade paisagística, e ao qual promovemos um humilde tributo com a fotografia que abre o presente trabalho), ambas conhecidas das edições de 2015 e 2016 do evento. 

Em resumo: o Rali de Portugal em 2017 tem um esquema competitivo muito interessante, reunindo uma vez mais todos os condimentos para podermos ter uma prova espetacular e fortemente disputada. 

Esses predicados são, aliás, a matriz do evento desde que foi organizado pela primeira vez faz agora meio-século. 

O melhor Rali do mundo (sentimentalmente é assim que o sentimos) chega à meia-idade sem complexos e orgulhoso do seu percurso até aqui. 

É uma prova que há muito ultrapassou as barreiras de ‘mero’ evento desportivo, para se afirmar como um paradigma de resiliência e adaptação a novos tempos e contextos. 

Sobreviveu a um regime ditatorial, a crises petrolíferas, às dores de crescimento da implementação da democracia quando, durante algum tempo, os carros ainda eram conotados como uma emanação ‘burguesa’, resistiu a crises económicas (e sociais…) profundas, soube aliar-se à democratização do automóvel e à respetiva afirmação de liberdade enquanto meio de transporte individual, nasceu no Escudo e adaptou-se ao Euro, ignorou olimpicamente troicas e baldrocas várias, e, entre muitas outras coisas que poderíamos lembrar, soube ser global quanto eramos orgulhosamente sós e paladino da identidade nacional nestes tempos de cedência sem reservas a ditames externos. 

Sob o prisma desportivo, adaptou-se, neste percurso de vida, tão facilmente ao bulício de grandes urbes como Lisboa ou Porto como à ruralidade extrema de Montinho de Góis, Enxudro ou Soajo. 

Reinventou-se quando lhe apresentaram a carta de despedimento do WRC, reaparecendo seis anos depois motivado e de mangas arregaçadas no seletivo mercado de trabalho dos Ralis que integram o mundial. 

É muito. 

É… tudo! 

Cinquenta anos volvidos, o mundo mudou muito. 

Portugal também. 

O Rali de Portugal tem sabido adaptar-se à voracidade dos tempos. 

Como Paul Simon e Art Garfunkel musicaram um dia, a prova continua crazy after all these years

Tem sabido envelhecer com arte e sabedoria. 

Com cinquenta anos, não deixa de ser espantosa a forma como, a cada ano, continua a saber fazer-se desejar…

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Nota:
À medida que for sendo disponibilizada mais informação sobre a prova, designadamente o percurso da superespecial de Braga e os locais definidos pela organização como Zonas-Espetáculo, serão atualizados os Mapas que de seguida se publicam, no intuito de fornecer a maior abrangência informativa possível aos nossos ilustres visitantes.

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 a) Mapas interativos 

 LOUSADA 

 VIANA DO CASTELO 

 CAMINHA 

 PONTE DE LIMA 

 VIEIRA DO MINHO 

 CABECEIRAS DE BASTO 


 AMARANTE 

 FAFE 

 LUÍLHAS 

 MONTIM 

 b) Datas, troços e horários 

Dia 1
= quinta-feira, 18 de maio de 2017 =
CLASSIFICATIVA N.º 1
Designação
LOUSADA
Extensão total
3,36 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
19h:03m
Dia 2
= sexta-feira, 19 de maio de 2017 =
CLASSIFICATIVA N.º 2
Designação
VIANA DO CASTELO - 1
Extensão total
26,70 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
10h:09m
CLASSIFICATIVA N.º 3
Designação
CAMINHA - 1
Extensão total
18,10 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
11h:10m
CLASSIFICATIVA N.º 4
Designação
PONTE DE LIMA – 1
Extensão total
27,46 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
11h:42m
CLASSIFICATIVA N.º 5
Designação
VIANA DO CASTELO – 2
Extensão total
26,70 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
16h:09m
CLASSIFICATIVA N.º 6
Designação
CAMINHA – 2
Extensão total
18,10 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
17h:10m
CLASSIFICATIVA N.º 7
Designação
PONTE DE LIMA – 2
Extensão total
27,46 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
17h:42m
CLASSIFICATIVA N.º 8
Designação
BRAGA (Superespecial) – 1
Extensão total
1,90 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
19h:03m
CLASSIFICATIVA N.º 9
Designação
BRAGA (Superespecial) – 2
Extensão total
1,90 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
19h:28m
Dia 3
= sábado, 20 de maio de 2017 =
CLASSIFICATIVA N.º 10
Designação
VIEIRA DO MINHO – 1
Extensão total
17,43 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
9h:08m
CLASSIFICATIVA N.º 11
Designação
CABECEIRAS DE BASTO – 1
Extensão total
22,30 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
9h:46m
CLASSIFICATIVA N.º 12
Designação
AMARANTE – 1
Extensão total
37,55 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
11h:04m
CLASSIFICATIVA N.º 13
Designação
VIEIRA DO MINHO – 2
Extensão total
17,43 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
15h:08m
CLASSIFICATIVA N.º 14
Designação
CABECEIRAS DE BASTO – 2
Extensão total
22,30 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
15h:46m
CLASSIFICATIVA N.º 15
Designação
AMARANTE – 2
Extensão total
37,55 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
17h:04m
Dia 4
= domingo, 21 de maio de 2017 =
CLASSIFICATIVA N.º 16
Designação
FAFE – 1
Extensão total
11,18 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
9h:08m
CLASSIFICATIVA N.º 17
Designação
LUÍLHAS
Extensão total
11,91 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
9h30m
CLASSIFICATIVA N.º 18
Designação
MONTIM
Extensão total
8,66 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
10h:20m
CLASSIFICATIVA N.º 19
Designação
FAFE – 2 (Power Stage)
Extensão total
11,18 quilómetros
Hora de partida do primeiro concorrente
12h:18m

 c) Informação geral 

Classificativas: Dezanove.

Parque de assistência: Exponor, em Leça da Palmeira, Matosinhos.

Elegibilidade: WRC (pilotos; copilotos; construtores), WRC2 (pilotos; copilotos; equipas), WRC3 (pilotos; copilotos, equipas), CNR (pilotos; copilotos), RC2N?, RC3?, RC4? (em termos pontuais a participação na prova será opcional para os pilotos inscritos nas competições internas portuguesas).

Piso: grande predominância de terra/gravilha com alguns segmentos em asfalto. A superespecial de Braga será disputada apenas em asfalto.

Extensão total do evento: 1.528,81 quilómetros.

Extensão total seletiva/cronometrada: 349,17 quilómetros.

Percentagem de percurso cronometrado relativamente à extensão total do evento: 22,84%

Classificativa mas extensa: Amarante, com 37, 55 quilómetros.

Classificativa mais curta: superespecial de Braga, com 1,90 quilómetros.

Sessão de autógrafos: Em Guimarães, no Campo de São Mamede, dia 18 de maio de 2017, entre as 17h:25m e as 17h:45m.

Cerimónia do pódio final: Em Matosinhos, dia 21 de maio de 2017, pelas 15:45 horas.

Site oficial da prova: Consultar aqui.

Itinerário: Consultar aqui.

Mapas: Consultar aqui.

Formulários: Consultar aqui.

Mapas interativos / 2015: Consultar P.E.C. Nº 288 deste blogue.

Mapas interativos / 2016: Consultar P.E.C. Nº 341 deste blogue.

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A FOTO DE ABERTURA DESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.mostreliablecarbrands.com/wp-content/uploads/2016/05/1463921239_676_Kris-Meeke-achieved-a-great-victory-in-the-Rally-of-Portugal.jpg

domingo, 15 de janeiro de 2017

P.E.C. Nº 392: APPRessa é inimiga da perfeição!

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Foram há poucos dias divulgadas as linhas mestras que regerão os Ralis nacionais em 2017, alegadamente o corolário de um processo negocial havido ao longo dos últimos meses que teve como interlocutores a FPAK, os clubes organizadores de Ralis e a Associação (ACOR) que os representa, a APPA (Associação Portuguesa de Pilotos Automóvel) e a recém-criada (?) APPR (Associação Portuguesa de Pilotos de Rali)

É sobre esta última que nos vamos debruçar nas linhas seguintes. 

Por alturas do Rali Casino Espinho disputado em outubro passado, a imprensa divulgou a intenção declarada por parte de um conjunto de pilotos em constituir uma Associação dedicada a trabalhar sobre assuntos alusivos aos Ralis. 

Ao tempo, aparecendo quase do nada, soou-nos um pouco estranha e a destempo a ideia desta nova Associação. 

Desde logo porque não nos parecia, tal como não nos parece agora (embora possamos estar equivocados), que houvesse um entusiasmo geral ou uma vaga de fundo expressiva que justificasse a criação de uma entidade destinada a representar em exclusivo os pilotos de Rali. 

A base para o aparecimento de qualquer Associação é a ideia de representatividade. 

O seu sustentáculo e peso institucional só operam quando, de forma espontânea, a grande maioria dos elementos que lhe servem de base a ela acedem para ver defendidos conjuntamente os respetivos interesses. 

Do que nos apercebemos, a ideia da criação da APPR partiu de um conjunto de pilotos, por sinal quase todos provindos do lote que tem maior notoriedade no contexto do CNR, e que através de algum voluntarismo terão tentado mobilizar os seus pares para o projeto. 

O propósito dos mentores que deram a cara pela ideia não podia ser mais ambíguo, diga-se: trabalhar, passamos a citar, para «contribuir para o desporto automóvel»

No conceito de ‘piloto de Rali’ cabem muitas variáveis. 

Vão desde o profissional das corridas até ao piloto que faz da modalidade um hobby

Vão do piloto que luta pelo título máximo no CNR até ao piloto que se diverte a dar espetáculo nos Ralis Sprint

Vão do piloto cujo orçamento para competir não é um entrave de maior até ao piloto que conta tostões para poder inscrever-se no evento seguinte. 

Vão, enfim, do piloto que compete nos clássicos até ao piloto que tripula a mais recente evolução dos automóveis com as especificações R5

Uma Associação que verdadeiramente represente os pilotos de Rali só faz sentido se federar os interesses de toda esta gente, equação difícil quando sabemos que, por exemplo, os interesses dos pilotos que alinharão em 2017 na Taça Nacional de Ralis de Asfalto e/ou na Taça Nacional de Ralis de Terra são na sua génese distintos das conveniências dos pilotos que militam no CNR

Chegados aqui, há uma série de interrogações que se levantam. 

Da APPR não se conhece publicamente uma vírgula que seja sobre a sua visão geral da modalidade. 

Não se sabe, por exemplo, o que defende para erradicar dos Ralis nacionais essa doença endémica que são os reconhecimentos ilegais

Não se sabe, também, o modelo de campeonatos (e quantos) que julga adequados à realidade nacional. 

Desconhece-se em absoluto o que propõe quanto ao número de provas anuais em cada competição, bem como quanto à extensão de cada Rali

Não sabemos, também, qualquer ideia concreta quanto ao modelo de promoção dos nossos campeonatos, nem exemplos concretos sobre a melhor forma de fazer chegar a modalidade ao grande público. 

Ou, para não sermos exaustivos nesta análise em concreto, ignora-se o que advoga quanto às viaturas a admitir nas diversas competições

Sabe-se apenas que a APPR pretende «contribuir para o desporto automóvel», algo que é em simultâneo tudo ao mesmo tempo que não é nada. 

E no entanto, a APPR existe. 

Existe pelo menos a ponto de poucas semanas após a sua ‘constituição’ (já lá iremos…) ter sido admitida e alcandorada ao estatuto de associada da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

Neste aspeto da análise têm necessariamente que entrar em liça os aspetos formais da questão. 

A APPR está legalmente constituída? 

Tem o seu objeto social definido? 

Tem estatutos? 

Estão delimitados os respetivos órgãos sociais? 

É conhecida a sua sede? 

Foram já eleitos os elementos dos respetivos órgãos? 

Tem cartão de pessoa coletiva? 

Tem personalidade jurídica que só lhe é conferida com a outorga da respetiva escritura pública notarial? 

entregou à administração fiscal a declaração de início de atividade? 

O caro leitor pode, com razão, achar aborrecido ou eventualmente até desnecessário o elencar destas questões de natureza mais técnica

Mas trouxemo-las à colação com um intuito muito simples. 

Demonstrar que a APPR, pelo menos para já e daquilo que se conhece publicamente, é quando muito apenas um conjunto de intenções, seguramente bem-vindas, protagonizadas por agentes da modalidade que nos merecem respeito

A APPR não é, pelo menos para já, uma Associação. 

Não o é do ponto de vista técnico. 

Não o é do ponto de vista formal. 

E também não o é do ponto de vista institucional. 

Por muito bem-intencionados que estejam (e acreditamos que estão), não podem ser pouco mais de meia-dúzia (para já, daquilo que se conhece) de pilotos, sem qualquer eleição que os legitime para o efeito, a arrogar-se como representantes de dezenas de congéneres seus portadores da licença FPAK

Parece-nos particularmente grave que uma ‘Associação’ (que não o é, pelos fundamentos que desenvolvemos supra) seja, sem mais, aceite na qualidade de associada da FPAK sem preencher nenhum dos requisitos que a lei prevê e define para o efeito. 

Afigura-se-nos inconcebível num automobilismo que se quer pautado por rigor e lisura nos procedimentos, que um conjunto de pilotos sem qualquer legitimidade formal para representar o universo de licenciados FPAK, possa em abstrato ter direito de voto no próximo ato eleitoral para os órgãos sociais da entidade federativa (princípio válido para toda e qualquer lista que se venha a apresentar a sufrágio)

Todas estas dúvidas ao redor da APPR não contribuem em nada para credibilizar a causa dos pilotos de Rali. 

O histórico deste blogue é pródigo em situações onde fomos fazendo a defesa de quem compete. 

Pelo facto dos pilotos serem, quando entendidos no seu conjunto, o elo mais fragilizado dentro do naipe de agentes diretamente ligados à modalidade. 

Pelo facto, também, da entidade que em tese os deveria representar (a APPA) se ter vindo a esvaziar de funções nos últimos anos. 

Pelo facto de em muitas ocasiões e num número apreciável de Ralis pagarem demasiado pelo fraco serviço que lhes prestado. 

Os pilotos de Rali do nosso país, salvo honrosas exceções, historicamente têm mostrado grande alheamento, em prejuízo próprio, quanto às questões centrais em torno da modalidade. 

A falta de um pensamento estruturado enquanto classe, vem esvaziando a patamares mínimos a capacidade de se fazerem ouvir e assumirem um papel interventor nos desígnios das provas de estrada em Portugal. 

O aparecimento da APPR pode ser interpretado como uma tentativa de substituir-se àquilo que a APPA devia fazer e alegadamente não faz. 

Mas pode também olhar-se como uma forma de dividir em duas estruturas, aquilo, os pilotos, que por natureza já se encontram há muito, ou mesmo desde sempre, divididos entre si. 

A APPR não começou, portanto, da melhor maneira. 

Receamos que alguma pressa neste processo tenha subvertido a ‘lei natural’ de constituição de uma Associação, solidificada logo de início através de ampla base de apoio ao invés de se começar a construir a casa pelo telhado. 

O futuro a curto prazo ditará o sucesso ou insucesso da APPR

Mas o futuro a curto prazo ditará também outro aspeto que em alguns quadrantes vem levantando várias perplexidades. 

Saber se a nova Associação que visa a defesa dos pilotos tem sustentação para andar, ou se o seu anúncio e quase imediata integração no núcleo de associados da FPAK não é apenas uma forma de servir de barriga de aluguer aos os interesses eleitorais de determinada lista que se recandidatará às eleições da entidade federativa anunciadas para maio próximo.

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Nota 1:
Em dias recentes a classe dos jornalistas esteve reunida em congresso, à volta dos desafios que se colocam à profissão. Um deles, na nossa ótica (não somos jornalistas), prende-se precisamente com o regresso, rapidamente e em força, ao jornalismo formativo e informativo, alavancado na investigação. Salvo raríssimas exceções, dentro do leque de pessoas que em Portugal trabalham na imprensa que se dedica ao automobilismo, no geral há pouca propensão para aprofundar temas e fazer perguntas, ainda que incómodas, a quem se impõe que sejam feitas. Deixar mais de lado os conteúdos e regressar às notícias parece-nos um bom começo. Deixar de republicar notícias de terceiros e começar a construir um corpo noticioso próprio, afigura-se-nos uma boa ideia. Deixar o jornalismo de sofá, feito do remanso do saco de água quente nos pés e da mantinha a aconchegar os joelhos, e ir em força para a rua (não necessariamente no sentido literal) à conversa com os protagonistas desta modalidade, cremos ser um imperativo. Se assim fosse, talvez se soubesse hoje publicamente bem mais sobre a APPR e o ponto exato em que se encontra à data em que este texto é publicado.

Nota 2
Caso existam elementos que, no todo ou em parte, possam contrariar aquilo que acima foi escrito sobre a APPR, estamos totalmente recetivos a, com nota de destaque, os publicarmos neste blogue, assumindo o nosso erro de análise (baseada, note-se, na informação disponível ao momento em que as linhas supra foram redigidas).

Nota 3:
É fundamental, para que quaisquer dúvidas não fiquem a pairar no ar, que os rostos para já protagonistas da APPR, aliás, todos eles, de respeitabilidade considerável no contexto dos Ralis nacionais, se demarquem claramente, de forma pública, de quaisquer truques de natureza eleitoral que possam estar por trás da constituição da sobredita Associação. Nos Ralis só há duas coisas que se admite pairarem no ar: o pó levantado pelos carros e o incontornável fumo levantado pelos grelhados...

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A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.autosport.pt/ralis/cnr-campeonato-nacional-de-ralis/associacao-portuguesa-de-pilotos-de-ralis-prestes-a-nascer/