Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

P.E.C. Nº 122: Um Monte de emoções...



Rali de Monte Carlo está na estrada.

Ao segundo dia de competição, a prova, reintegrada quatro anos depois no calendário do campeonato do mundo [de onde jamais deveria ter saído], mantém intocável o porte aristocrático e a sua exclusividade muito própria à qual apenas acedem os predestinados.

As classificativas continuam a revelar o seu modo de ser camaleónico, transmutando-se a cada minuto.

Apresentam-se com piso ora secoora húmidoora molhado, capazes de propor um maravilhoso antagonismo entre o branco puro, quase virginal, da neve e o demoníaco verglas que, pela calada, em frações de segundo, consegue de facto ‘infernizar’ a vida a muito boa gente.

As paisagens que enquadram algumas das mais belas estradas do mundo para Ralis continuam majestosas.

Esmagadoramente imponentes.

Este é o Rali onde nunca está tudo ganho ou tudo perdido.

É o Rali onde se passa do otimismo ao desespero [e vice-versanum espaço de escassos minutos.

Onde o conceito de vantagem e desvantagem se relativiza a cada troço.

Em que a ideia de preparação ou treino se esbate perante as variações meteorológicas.

No qual a definição de estratégias passa mais por um Anthímio de Azevedo que dois ou três Malcolm Wilson.

As voltas e reviravoltas [em diversas casos, no sentido mais literal] do Rali de Monte Carlo são o seu ritual de praxe, ao qual sucumbem democraticamente caloiros e veteranos.

Está na estrada o campeonato do mundo de Ralis de 2012.

Nós, «Zona-Espectáculo», balizados pelo entusiasmo incontido em torno desta competição, assumimos não nos reger pelo conceito de ano civil.

O dia 1 de Janeiro é apenas mais 24 horas a ultrapassar com impaciência, com vista a apressar a chegada das competições nacionais e internacionais.

Na qualidade de adeptos compulsivos desta modalidade, o nosso ano inicia-se com a abertura das hostilidades lá para os lados dos Alpes.

As nossas badaladas de réveillon são as acelerações dos carros nos primeiros troços do Monte Carlo.

Dois mil e doze, portanto, iniciou-se ontem, dia dezoito de Janeiro.


A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.worldrallysport.com/forums/showthread.php?t=2174

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

P.E.C. Nº 121: Hallia que se faz tarde!

Osmogodišnji vozač relija testira Mitsubishi Evo

Dizem que nos tempos que correm se chega à fase adulta cada vez mais cedo. 

Exemplos de precocidade entram-nos diariamente casa dentro, em situações divertidas pela sua espontaneidade, infelizes pela antecipação forçada daquilo que é natural, ou até mesmo enternecedoras pela capacidade que os mais novos têm em nos surpreender. 

A informação está hoje à distância de um clique. 

A massificação da tecnologia trouxe novos paradigmas de conhecimento a que os mais novos acedem com facilidade. 

Para o melhor e para o pior, este enquadramento potencia que se cresça mais depressa [também pela pressão do frenesim dos tempos], adquirindo-se uma maior panóplia de saberes nas primeiras etapas da vida. 

O automobilismo acompanha a realidade e não raras vezes supera-a pela antecipação

É comum acedermos a imagens que nos permitem seguir a evolução de jovens da mais tenra idade ao volante de pequenos karts. 

Ali aprendem os mandamentos mais básicos da condução em circuito que, mais tarde, são a base das respetivas carreiras no automobilismo de velocidade. 

Os Ralis são, nesta matéria, uma exceção que começa desde logo pela dificuldade de reproduzir numa escala de menor dimensão um carro da modalidade

Não se podendo ‘encolher’ um automóvel de competição pode-se, no entanto, fazer o inverso: colocar uma criança a 'brincar' num carro de ‘adultos’

As imagens que publicamos reproduzem precisamente essa ideia de precocidade: duas crianças, Tuukka Hallia e Kalle Rovanpera, que, aos oito anos de idade e obedecendo talvez à influência hereditária dos seus progenitores [ambos pilotos], conduzem carros de Ralis com uma naturalidade desconcertante. 


Mais que antecipar a futura geração de finlandeses voadores ou eventualmente revelar dois dos contendores ao título mundial lá mais para 2031, o que os vídeos aqui publicados ensinam é que desde cedo se pode e deve trabalhar a condução em Ralis

Noções como intuir o local de travagem, contrabrecar para o equilíbrio do carro numa situação momentânea ou provocada de sub ou sobreviragem, dosear o acelerador, ou perceber o momento preciso de passagem de caixa são mandamentos essenciais da condução desportiva, passíveis de treino e de aprendizagem. 

É desta forma, com tempo e prática, que se fabricam quase sempre os grandes campeões de Ralis. 

Os vídeos publicados neste trabalho são, em certo sentido, uma dessacralização dos flying finns

Lá nas paragens nórdicas eles não ‘voam’ devido ao acaso ou a especificidades genéticas em especial: eles ‘voam’ porque simplesmente aprendem desde muito cedo a ‘bater coordenadamente as asas’, de volante nas mãos claro está!






AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.index.hr/like/clanak/osmogodisnji-vozac-relija-testira-mitsubishi-evo/593451.aspx
- http://luiscezar.blogspot.com/2011/08/kalle-rovanpera-melhor-que-o-pai.html

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

P.E.C. Nº 120: Um passo atrás, para poder dar dois à frente

NEWS FLASH: Mikko Hirvonen wins Acropolis to record Fords 70th WRC victory

Em declarações recentes publicadas no sítio da revista AutoSport [ler AQUI], Mikko Hirvonen pronunciou-se pela primeira vez com alguma profundidade acerca do seu estatuto dentro da equipa que agora representa.

Uma matéria, quase inevitável, que tinha de ser questionada é a forma como os equilíbrios e tensões entre pilotos dentro da estrutura da Citroen irão ser geridos e, aí, o novo recruta da equipa gaulesa foi bem claro ao referir um certo conforto com o estatuto de lugar-tenente de Sébastien Loeb.

O ingresso do vice-campeão do mundo na equipa do double chevron, mais que decorrente da força das circunstâncias ou da ausência de alternativas válidas, tem muito de estratégico.

Hirvonen, não obstante continuar fisionomicamente a parecer o miúdo tranquilo de sempre, apesar de ainda não ser portador da respeitabilidade intocável que só a condição de campeão do mundo garante, leva mais de dez temporadas ao mais alto nível, quase sempre ao serviço de equipas oficiais.

No plano desportivo, o seu percurso ascendente começa a chegar a todo o gás ao topo da colina e, inexoravelmente, em breve iniciar-se-á a trajetória contrária, rumo à sua substituição por um qualquer jovem valor a despontar.

Começa, em suma, a faltar-lhe tempo.

Passar da condição de claro primeiro piloto na Ford para uma confessa subalternização perante Loeb na Citroen, poderá em primeira análise parecer um marcar passo na carreira do nórdico, ou o reconhecimento que, afinal, não reúne talento e predicados suficientes para lhe ser confiada a hipótese de jogar com as mesmas cartas que o seu novo companheiro de equipa.

No entanto Mikko, com contrato até final de 2013, sabe que Loeb não só não é eterno, como inclusive já foi dando mostras que a sua permanência no WRC ao mais alto nível poderá ter entrado na reta final.

O seu ingresso na equipa francesa é, antes de mais, marcar posição com vista ao processo de sucessão do octacampeão do mundo.

Com Latvala e Ogier ancorados a médio prazo, respetivamente, na Ford e Volkswagen e com todas as interrogações que recaem sobre o futuro da Mini, Hirvonen terá lucidamente aceite ser ‘suplente’ agora, para se tornar ‘titular indiscutível’ dentro de um ou dois anos passando a liderar as ambições da estrutura que agora representa.

Como o processo de aprendizagem dos novos valores requer tempo, como a experiência é um valor insofismável para se ser competitivo no campeonato do mundo de Ralis, Hirvonen é uma peça que encaixa bem nas necessidades futuras que a Citroen possa ter logo que Loeb decida pendurar o capacete.

Dois mil e doze funcionará como um ‘ano zero’ para Mikko, no qual, livre da pressão comparativa com o seu colega de equipa, se entrosará com uma nova realidade e métodos de trabalho.

No futuro a curto prazo a sua tarefa é complexa: demonstrar que a Citroen pode triunfar mesmo sem Loeb, que a equipa é, no fundo, algo mais que a propriedade onde o francês cultiva títulos a cada colheita anual.

Neste momento, não se perfila no horizonte qualquer outro piloto que o possa fazer com as mesmas garantias que Hirvonen oferece.

Deste modo, não obstante o finlandês nunca ter sido dado às exuberâncias que alguns dos seus mais destacados compatriotas mostraram no passado da modalidade, estamos em crer que será um player a ter em conta para o futuro, quanto mais não seja porque está ao serviço da mais eficaz equipa do mundial de Ralis, porque o tempo pode vir a influir a seu favor, e porventura porque terá tido a paciência e sentido de oportunidade que Sébastien Ogier não soube ou não quis ter.







A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.rallybuzz.com/hirvonen-wins-acropolis/

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

P.E.C. Nº 119: Fotos-adivinha...










Pela 3ª «P.E.C.» consecutiva [em verdadeiro sistema de round, diríamos…] regressamos aos troços do Rali de Portugal, no formato competitivo que vigorou até 2001.

O desafio é o de sempre: apelar aos nossos visitantes para identificar a classificativa que as fotos acima publicadas documentam, de preferência indicado o preciso local em que as mesmas foram colhidas.


Nota:
- A segunda e terceira fotografia retratam a mesma curva e foram tiradas em ângulos distintos;
- A quarta, quinta, sexta e sétima fotografia retratam a mesma curva e foram tiradas em ângulos distintos;
- Na oitava fotografia, na bifurcação, o troço seguia pela direita.

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

P.E.C. Nº 118: Cinco fotos, uma classificativa. Qual?...






Em algumas das gélidas manhãs dos últimos dias de 2011, investimos tempo a embrenharmo-nos pelas entranhas de diversas antigas classificativas do Rali de Portugal.

Conhecer ao pormenor o percurso de um troço é decisivo para desvendar a sua essência, algo tão fundamental como dominar a morfologia feminina para obter algum sucesso nas artes da alcova.

Porque esta coisa dos Ralis é para nós também uma questão de verdadeiro prazer, enfrentámos temperaturas negativas e ventos dilacerantes, a espaços tiritámos de frio, guiámos centenas de quilómetros em estradas traiçoeiras, roubámos horas ao sono, tudo para explorarmos prazenteiramente alguns dos segredos e contornos mais inexpugnáveis daquele que foi nos seus tempos áureos «o melhor Rali do mundo».

O resultado dessas aventuras encontra-se plasmado em mais este trabalho, no qual apresentamos aos nossos visitantes novo repto à semelhança daquilo que anteriormente realizámos nas P.E.C. Nº 11, 14, 40, 59, 83, 85, 86 e 117: o de identificar corretamente o troço que as cinco fotos agora publicadas ilustram. 



Nota:
- As duas primeiras fotos, tiradas de diferentes ângulos, reportam-se a uma curva à esquerda;
- A terceira foto retrata um gancho à direita;
- A quarta e quinta foto ilustram, respetivamente, a entrada e saída de uma longa curva à esquerda.

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

P.E.C. Nº 117: Quatro fotos, que troço?...





Não é a primeira vez [nem será seguramente a última...] que testamos os conhecimentos dos nossos ilustres visitantes relativamente ao Rali de Portugal [vd. sobre esta matéria as P.E.C. Nº 11, 14, 40, 59, 83, 85 e 86].

As quatro fotos que ilustram o presente tópico retratam uma antiga classificativa da prova, estão sequenciadas em função do percurso da mesma, e o trajeto que os carros seguiam parte do exato local onde foram colhidas as imagens para o horizonte visual.

De que troço se trata?

Aguardamos a resposta correta...

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

P.E.C. Nº 116: Uma sugestão de Natal...


Com o aproximar da quadra natalícia e já em plena época, tão lusitana, de oferta de presentes para o efeito, «Zona-Espectáculo» permite-se modestamente dar uma achega em jeito de sugestão, recomendando com genuíno entusiasmo a obra literária intitulada «Ralis em Portugal: Como pode um piloto seduzir potenciais novos patrocinadores dizendo-lhes que ganhou todos os troços de um Rali, dominou de forma clara a prova, colocou a concorrência em respeito, mas após a última tomada de tempos isso afinal não conta nem interessa rigorosamente para nada», lavrada pela pena do incontornável L. P. Freitas, autor destacado em Portugal na produção de trabalhos na área do surrealismo…

  
A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.testdrive.pt/desporto/especiais_detalhe.php?mnu=16&Id=5451

Sábado, 26 de Novembro de 2011

P.E.C. Nº 115: Ralis vestidos com calças 'à boca de sino'...


Os Ralis são, como sempre foram, uma extensão da realidade.

Nos anos sessenta a modalidade autonomizou-se inspirada pelos ideais libertários da época, adquirindo identidade própria além do rótulo redutor da ‘corrida de automóveis’.

A década seguinte trouxe um progressivo afastamento do espírito purista conhecido até então, desenvolvendo novos padrões de experimentalismo e rutura, expressos, aliás, na forma como os automóveis para Ralis foram sendo construídos.

É nos anos setenta que aparecem os primeiros protótipos projetados especificamente para Ralis, uma emancipação relativamente aos carros do quotidiano com alterações de pequena monta que padronizavam este desporto até aí.

O salto conceptual entre ambas as décadas foi considerável.

A escalada de performances e o avanço tecnológico tornaram-se imparáveis.

Os Ralis atiravam para longe e em definitivo o ‘flower power’ do controlo horário, substituindo-o pela ‘irreverência punk’ do troço cronometrado.

As imagens que publicamos nesta «P.E.C.», pela sua grandiosidade e beleza tornam-se difíceis de adjetivar.

É nestas alturas que a palavra sucumbe, prostrada perante o que os olhos veem.

O prodigioso contracenar entre pilotos e carro, ora de improviso ora com guião pré-definido, faz destes filmes arte.

Arte no plano cinematográfico.

Arte na forma de expressar o que significa conduzir no limite.

Os anos setenta deram ao mundo o primeiro microprocessador, a televisão a cores e o primeiro videojogo.

Trouxeram à escala planetária crises e guerras, mas também significativos avanços científicos.

Produziram vários dos mais predestinados pilotos que o mundo dos Ralis conheceu.

Revelaram carros que se tornariam ícones da modalidade.

Foram dez anos, em suma, em que não só este desporto moldou a sua génese [premiar a rapidez numa classificativa fechada ao trânsito] em função dos concorrentes, construtores e aficionados, como se constituiu num incontornável balão de ensaio para tudo aquilo que viria a seguir, entre 1982 e 1986, quando, nos seus anos de maior esplendor, os Ralis se acabaram por tornar maiores que si próprios.





























A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://restosdecoleccao.blogspot.com/2011/03/rallye-internacional-tap.html

Domingo, 20 de Novembro de 2011

P.E.C. Nº 114: «São muitos anos a virar frangos»...


A edição deste ano do «Rali Casinos do Algarve» pode ter sido [o futuro o confirmará…] uma mudança de paradigma no contexto dos Ralis nacionais.

A vitória retumbante [ou até mais que isso...] de Ricardo Teodósio e João Luz veio recentrar o debate em torno do preconceito regulamentar que, historicamente, as entidades responsáveis pela gestão do nosso automobilismo têm votado a carros que ainda não são suficientemente antigos para ser considerados clássicos, mas já têm anos de vida bastantes para ter perdido a homologação desportiva que lhes permita competir no campeonato de Ralis de Portugal.

Estes carros, na sua meia-idade, personificam um pouco o paradigma do mercado laboral em Portugal: não são suficientemente velhos para a 'aposentação', nem suficientemente jovens para garantir 'colocação' junto da competição maior das provas de estrada deste país.

A Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, num automobilismo exíguo em participantes, tem encarado a questão com a ligeireza de quem nega oportunidades a um conjunto de carros em regime de 'desemprego' que pairam por muitas garagens desse país fora.  

O nosso país, não nos cansamos de o referir, não comporta duas competições como o C.P.R. e o Open de Ralis, pelo menos nos seus figurinos atuais.

O presente e o futuro próximo vão tornar deveras problemático angariar patrocínios numa lógica de temporada completa.

Programas incompletos e gestão de participações prova-a-prova em função dos apoios entretanto conseguidos irá ser um cenário frequente.

Nessa medida, parece-nos um sinal profundamente errado discriminar negativamente quem faça aparições esporádicas no C.P.R. ou Open de Ralis não estando inscrito na totalidade de provas daquelas competições.

É adulterar a filosofia do automobilismo [premiar a rapidez...] não oficializar vitórias ou pódios, ou ignorar pontuações obtidas no âmbito da classificação geral de um campeonato.

Neste contexto, a vitória de Teodósio no «Casinos do Algarve» foi especial.

Aliás, Ricardo Teodósio é um piloto especial, por estes dias navegado por um copiloto também especial.

A forma muito autêntica e desbragada como se relaciona com os demais atores da modalidade, dos adversários diretos ao mais anónimo dos aficionados, fazem dele um interlocutor despido dos adereços do politicamente correto.

Transformam-no em alguém como nós, com quem se troca descontraidamente dois dedos de conversa.

Aliada à sua simplicidade há, depois, a forma empenhada como conduz, nunca baixando os braços ou esmorecendo a sua motivação.

Na última prova da temporada de 2011 do campeonato de Portugal de Ralis, Teodósio abalou convicções ancestrais do automobilismo português, subvertendo a lógica de «gastar para ganhar».

Nas classificativas ao redor da Foia fez melhor com menos que os adversários.

Demonstrou cabalmente que mais euros não significam necessariamente menos segundos no final do troço.

Deixou ‘recados’ em várias direções, transmitindo a ideia de que à margem dos gordos patrocínios das multinacionais, há diversos projetos privados que são válidos e potencialmente vencedores assim lhes seja concedida igualdade de oportunidades.

Ricardo Teodósio nunca corre para perder.

Esse princípio, aliás, é comum a todos os pilotos que entram em competição para obter resultados de relevo.

Todavia o algarvio pertence a uma casta, mais rara, que prima pela diferença: aquela que não só não corre para perder, como também corre como quem não tem nada a perder.

A semântica é parecida: as diferenças [que transparecem na condução] são consideráveis.

















A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO, FOI OBTIDA EM:
- http://qmrally.blogspot.com/2010/11/teodosio-vencem-em-beja-e-fica-perto-do.html

Sábado, 19 de Novembro de 2011

P.E.C. Nº 113: O jogo de contrastes entre ruralidade e tecnologia

Rali de Portugal - a festa popular -

A fotografia que em cima publicamos retrata a aproximação entre mundos distintos, personificando em simultâneo algumas dicotomias.

O silêncio bucólico: o ruído frenético.

A quietude: o bulício.

Pulverizar recordes: pulverizar sementeiras.

Tração animal para lavrar a terra: tração mecânica para (es)cavar trilhos da classificativa.

Em suma: a ruralidade na sua pureza mais fascinante e a tecnologia na sua aceção de maior expressividade.

Em outubro de 2008, a propósito da interação entre o Rali de Portugal e o interior do país, escrevemos no fórum online da revista Autosport:

«Se há imagens que valem por mil palavras, a foto que ilustra o presente tópico diz tudo acerca do simbolismo que o Rali de Portugal tinha (e ainda tem, porventura em menor escala), numa espécie de 'osmose' entre os diversos Portugais de há 25/30 anos. 

Vale a pena recordar como era o nosso país na altura. 

A profusão de auto-estradas que hoje temos era à época uma miragem, as acessibilidades ao interior do país eram escassas e de paupérrima qualidade na esmagadora maioria das situações. 

GPS, telemóveis ou internet eram sonhos. 

Penso, por isso, que o Rali de Portugal era acima de tudo uma manifestação de aculturação entre uma certa 'tribo' (na melhor acepção da palavra) urbana, proveniente do litoral, que começava a beber algumas influências que sopravam da Europa evoluída e, em manifesto contraponto, um país rural e isolado com reminiscências do período do 'estado novo' naquilo que se convencionou chamar 'Portugal profundo'. 

Abordada a questão sob um prisma sociológico, parece-me claro que o Rali de Portugal durante décadas constituiu uma lufada de ar fresco para as populações do interior, sobretudo porque era por si mesmo uma forma privilegiada de trazer calor humano a paragens tão isoladas, tão carecidas de gente, de afectos, de rostos. 

Além de toda a espectacularidade e emoção do 'melhor Rali do mundo', há todo um outro legado, não negligenciável, que a 'nossa' prova também teve em de certa forma estabelecer pontes de contacto entre os portugueses e promover um intercâmbio de culturas no nosso país. 

É muito! 

Aliás, creio que é muitíssimo! 

O Rali de Portugal, portanto, também foi um factor privilegiado de cultura e de conhecimento». 

Volvidos três anos fomos à procura deste lugar que a foto reproduz, tentando vivenciar as ideias que já explanamos ao longo desta «P.E.C.». 

Estivemos na povoação chamada [passe a repetição]… Povoação


O troço que passava na pequena aldeia é a expressão de uma lenda contada ao mundo em duas palavras: Fafe, Lameirinha

Os «Ti Maneis» e «Ti Marias», que há 27 anos emprestaram uma beleza ímpar às fotos do Rali de Portugal, provavelmente já não se encontram neste mundo e não podem testemunhar de viva voz as suas memórias da prova.


Vão se calhar seguir o próximo «Fafe World Rally Sprint 2012» num plano vertical lá muito, muito do alto, bem acima dos topos das Serras de Fafe.

É no Rali de Portugal e no Norte, mas onde? -

AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?mode=thread&fokey=as.stories/63931&va=394585&p=stories&op=view#394585
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/60717

Nota: aldeia de Povoação, freguesia de São Gens, concelho de Fafe [coordenadas GPS41°27'11.28"N - 8° 5'9.32"W].