sexta-feira, 15 de outubro de 2010

P.E.C. Nº 23: LADA mas não morde...



Do ponto de vista conceptual um carro de Ralis é, com as necessárias adaptações, uma emanação de um automóvel comercial.

A partir de meados dos anos oitenta, a forma como se construía automóveis sofreu consideráveis mutações, por força do incremento de toda uma panóplia de elementos de segurança [hoje quase 'banalizados', mesmo em viaturas dos segmentos inferiores], pelo advento de novos materiais, ou pela aposta massiva na eletrónica sob as mais variadas formas.

Na filosofia e léxico dos construtores automóveis, começaram a ser introduzidos novos conceitos como, entre outros, ergonomia e habitabilidade.

À luz destas premissas, os automóveis transfiguraram-se.

Os menos jovens recordam-se certamente dos automóveis produzidos há 25/30 anos possuírem um proeminente túnel central, que escondia o eixo de transmissão destinado a fazer a ligação do motor [por norma, como hoje, situado na frente do veículo] às rodas traseiras.

À época, muitos carros de utilização familiar tinham tração traseira.

Com o decurso dos anos e com a democratização de novas formas de construção dos automóveis, muitas ideias mudaram.

A bem de uma maior e mais ampla exploração do espaço interior os carros ganharam novos índices de habitabilidade, compactando fortemente elementos como o motor e expurgando, também, tudo o que ocupasse espaço desnecessário para os ocupantes, como é o melhor exemplo precisamente o citado túnel central.

A tração traseira, à exceção de carros assumidamente desportivos ou integrados na categoria de Grande Turismo, tornou-se um conceito manifestamente em perda, tendência que foi fazendo em paralelo o seu caminho do âmbito dos Ralis.

Como sublinhamos, desde meados dos anos oitenta que a tração total ou apenas dianteira foi-se constituindo como norma imperativa nos automóveis da competição, a bem da performance e da eficácia, mas em manifesto prejuízo da emoção e espetacularidade.

A década de oitenta trouxe também mutações ao nível geopolítico, com o estertor dos regimes políticos do, à altura, denominado 'Bloco de Leste'.

A 'Perestroika' e a 'Glasnost' ganharam espaço e eco em todo o mundo, como prenúncio da queda do Muro de Berlim e tudo mais que se lhe haveria de seguir.

A abertura desses países ao mundo ocidental não se traduziu, porém, na forma como foram produzindo os seus automóveis.

Marcas como a Skoda [longe ainda dos produtos de grande qualidade que exibe hoje integrada no grupo Volkswagen] a Trabant e a Lada, mantiveram na sua essência, durante anos, a mesma filosofia e conservadorismo na construção de automóveis, assente em linhas austeras e angulosas, interiores espartanos e pouco dados a aburguesamentos, em carros que pareciam talhados acima de tudo para sobreviver aos rigores das estepes.

Tal imobilismo conceptual, se transposto para o âmbito dos Ralis, acabou por encerrar em si mesmo algumas ironias: a Lada e os seus carros do 'Politburo' acabariam por se afirmar, se calhar sem o saberem, como os grandes baluartes da espetacularidade nos Ralis, materializada em carros acessíveis no seu custo e dotados de tração posterior.

Automóveis vindos do frio, alvo até de alguma chacota e compreensível depreciação em grande parte do mundo ocidental, são afinal capazes de proporcionar, se conduzidos com competência, momentos de grande emoção.

É essa ideia que se pretende transmitir com os vídeos que de seguida Zona-Espectáculo lhe sugere...








A fotografia que ilustra o presente trabalho foi obtida em:
- http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.groupbrally.com/images/lada/Lada%2520VFTS.jpg&imgrefurl
=http://www.groupbrally.com/lada.shtml&usg=__MMAsXcZv-2PnJmlSu4QyEoX8ktI=&h=474&w
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