terça-feira, 26 de outubro de 2010

P.E.C. Nº 24: A Leste do paraíso?...


Não cuida o presente trabalho de opinar sobre grandes máquinas de Ralis.

Aborda antes uma certa inocência de princípios e pureza competitiva que as provas de estrada também podem ter.

Neste vídeo que partilhamos consigo, estão contidos todos os requisitos que os Ralis deveriam reunir: destreza, rapidez, alguma loucura, a procura incessante dos limites do carro e da estrada - em várias ocasiões ultrapassados, como poderão ver - e espetacularidade.

As imagens começam muito bem.

Iniciam-se com uma password de duas simples palavras, capaz de franquear as portas das nossas memórias mais gratificantes: Audi Quattro.

O emblemático e revolucionário carro da marca de Ingolstadt, terá sido o primeiro automóvel em todo o mundo a ser construído sob uma personalidade dupla: criado de raiz para ser visto e... ouvido.

Embora despido do «traje de gala» com que nos habituamos a vê-lo ensaiar irresistíveis jogos de sedução nas classificativas dos Ralis do campeonato do mundo, certo é que este carro, ainda que envergando um prosaico «fato-macaco», exibe sempre um porte distinto, exercendo fascínio e irradiando classe por todos os poros.

Prosseguem depois as imagens.

Datadas no tempo e amarradas ao conceito ideológico de onde foram extraídas.

Quando as vimos e revimos pelas primeiras vezes, confessamos ao caro leitor não termos conseguido deixar escapar um sorriso benévolo e até algo trocista, além de alguns comentários jocosos acerca da qualidade dos pilotos e da performance dos carros.

À medida que cuidamos de observar com mais atenção este filme, os nossos esgares foram-se tornando progressivamente mais circunspectos perante a mensagem subliminar que ali está contida.

É que os Ralis enquanto conjugação perfeita entre as viaturas do dia-a-dia e a competição automóvel, ainda que realizados de forma frugal e sem aparato, podem ser portadores de uma dignidade enorme, cimentada por pura devoção pela modalidade.

Estamos em crer que é esse ensinamento que estas imagens encerram: Ralis na sua essência mais pura e nobre, cuja prática está ao alcance de [quase] todos.

Ralis enquanto forma de expressão popular, portanto.

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