terça-feira, 14 de dezembro de 2010

P.E.C. Nº 32: O assunto é... Grave!



Neste defeso, os Ralis nacionais continuam a produzir boas notícias.

A Peugeot Portugal repetirá a sua presença no «Intercontinental Rally Challenge», desta vez apostando, tudo o indica, num ambicioso programa que contempla a totalidade das provas do calendário.

Armindo Araújo e Miguel Ramalho trabalham afincadamente no intuito de viabilizar apoios financeiros que permitam a ambos o tão desejado [e justificadíssimo] tirocínio para os novos World Rally Cars.

Carlos Magalhães, um dos mais experientes e qualificados navegadores nacionais, parece ter no campeonato do mundo a montra ideal para expor o seu recheado 'certificado de habilitações', aprestando-se para iniciar uma parceria ao mais alto nível com o piloto brasileiro Daniel Oliveira, com recurso a um dos novos Mini Countryman WRC.

Bernardo Sousa irá repetir presença no S-WRC, procurando obter os resultados de relevo que estão ao seu alcance.

Vítor Pascoal ensaia também os seus primeiros passos no exterior, focando as suas atenções para um novo projecto com uma viatura de duas rodas motrizes.

As novidades, porém, não se ficam por aqui.



Com efeitos para a próxima edição do Rali de Monte Carlo, mas havendo possibilidade de se estender à totalidade da temporada do próximo ano, a Peugeot Portugal resgatou o navegador Paulo Grave de três épocas de hibernação desportiva fazendo-o regressar ao banco direito do 207 S2000, desta forma reeditando uma profícua dupla com Bruno Magalhães, que tão bons resultados obteve ininterruptamente entre 2002 e 2007.

Em recente trabalho, aludimos à importância dos hábitos e rotinas que se geram entre piloto e navegador, como ponte privilegiada rumo às vitórias e títulos.

Gorada a hipótese da equipa de Alfragide poder continuar a beneficiar dos serviços de Carlos Magalhães, e não havendo mais que três co-pilotos portugueses a deterem nesta altura experiência efectiva em termos internacionais [um deles, Miguel Ramalho, já comprometido com um programa desportivo para a época de 2011], a aposta centrou-se, muito certeiramente pensamos, em recuperar Paulo Grave para o âmbito da estrutura liderada por Carlos Barros.

Durante os anos de formação de Bruno Magalhães, Grave foi um discreto e fiel parceiro de aventuras do piloto de Oeiras, sempre avesso a protagonismos mas extremamente abnegado e profissional, talhado, cremos, para a minúcia do trabalho de bastidores.



Parece-nos ser um navegador virado para os resultados.

Focado na produtividade.

Vocacionado para trabalhar em backstage.

Foi um ‘colega de carteira’ do tricampeão nacional de Ralis deveras fiável e confiável.

O seu trabalho na sombra guindou-o com inteira justiça ao lote dos melhores navegadores nacionais.



Por seu turno, Magalhães é tremendamente rápido e talentoso.

Atingiu os píncaros da sua maturidade competitiva, com o 'calo' que a temporada de 2010 lhe possibilitou.

Sabe o que quer.

Sabe o que necessita e pode esperar do próximo ‘Monte’ [se bem que Monte Carlo é, antes de mais, um exercício fabuloso de antecipação de cenários, profunda e estimulantemente conjectural].

Para se ser competitivo nas magistrais classificativas alpinas, uma ideia, ou palavra, é requisito para o efeito: confiança.

Daí que Paulo Grave é, nas actuais circunstâncias, o melhor ‘reforço’ que a Peugeot Portugal poderia contratar.

Durante meia-dúzia de temporadas nos Ralis nacionais, Magalhães e Grave formaram uma dupla jovem, carregada de irreverência e ambição.

Com o decurso dos anos e com as crescentes exigências desportivas, habituaram-se a criar uma grande cumplicidade dentro do carro.



Esse clima de confiança e conhecimento, numa temporada que se adivinha difícil mas para a qual a Peugeot parte com legítimas ambições, é fundamental para que se atinjam os propósitos iniciais.

Carlos Barros, profundo conhecedor dos Ralis nacionais e internacionais terá percebido que seria arriscado incorrer em experimentalismos.

Apostou na experiência e no entrosamento [vectores essenciais nos Ralis, como abordamos na «P.E.C.» anterior do presente blogue] entre os elementos da equipa ao seu dispor, preferindo não trocar o certo pelo incerto.

Numa época muito importante para a sua organização, porventura decisiva, decidiu bem: e vai colher dividendos disso!

Bruno Magalhães/Paulo Grave, Peugeot 206 S1600:
[Rali F.C. Porto/2006, Viso, 11.86 km]
[http://video.google.com/videoplay?docid=4511727779585123566#]

As fotos deste trabalho foram obtidas em:
http://motoresmagazine.net/?noticia=7288&t=9
http://www.peugeot.pt/palmares-da-equipa/
http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/2007/12/
http://www.facebook.com/home.php#!/photo.php?fbid=1034850920607&set=t.691841892

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