P.E.C. Nº 36: Um Rohrl compressor...



Diz-se que nunca devemos voltar ao lugar onde fomos felizes.

Embuído talvez pelo espírito rigoroso e pragmático que caracteriza os germânicos, Walter Rohrl decidiu contrariar tal adágio: regressou a Monte-Carlo, assinalando a passagem de trinta anos da tecnologia «Quattro» enquanto legado intemporal da Audi.

Boa parte da lenda que envolve o campeão do mundo de Ralis de 1980 e 1982, advém das façanhas que realizou na prova, quase sempre acompanhado pelo seu fiel companheiro de aventuras que dá pelo nome de Christian Geistdorfer.

Ali se estreou em grandes provas internacionais, decorria o ano de 1973.

Triunfou por 4 vezes [1980; 1982; 1983; 1984].

Venceu com 4 carros distintos [Fiat 131 Abarth; Opel Ascona 400; Lancia Rally 037; Audi Quattro A2].

Ocupou lugares no pódio nas edições de 1985 e 1987.

É, em suma, inequivocamente um dos nomes cimeiros de toda a vasta história do 'Monte'.

Já com algumas rugas a irromperem-lhe pela face, Rohrl, sexagenário, hoje como antes continua a não virar costas a um bom desafio.

O regresso às lendárias classificativas alpinas tinha, pois, de ser em grande: tão grande quanto foi a sua carreira na alta-roda dos Ralis, tão ímpar quanto foi a sua prestação naquele que é tido por muitos como o mais difícil e traiçoeiro Rali do mundo.



Realizar obras de arte exige, como tudo, preparação prévia.

Para este trabalho Walter Rohrl muniu-se, literalmente, de uma tela em branco que dá pelo nome de «Col du Turini», local que pelas dificuldades de condução que encerra será, no fundo, uma espécie de «Monte Evereste» dos Ralis.

Mas foi mais longe.

Um exercício nostálgico de retrocesso no tempo, só faria sentido, claro, se acompanhado por algo verdadeiramente marcante.

As dúvidas, se as houveram, confiamos que terão durado apenas uns meros segundos.

A resposta, evidente, só podia vir de uma ideia e duas palavras: Audi Quattro.



O filme que partilhamos consigo, materializa, arriscamos dizer, uma expressão artística: Rohrl ao volante do mais revolucionário carro da história dos Ralis.

Trata-se, como se pode perceber, de uma verdadeira elegia para os sentidos: a beleza intemporal do automóvel, o som inconfundível do motor, a exigência do percurso realizado, o interior minimal e espartano, aquele maravilhoso volante com uma irresistível elegância 'retro' e a destreza, nervosa mas coerente, com que Rohrl paternalmente o direcciona.

O colossal piloto teutónico referiu publicamente ter percorrido, entre treinos e provas, o «Col du Turini» cerca de uma centena de vezes na sua carreira.

Pela sabedoria serena que denota nas imagens, estamos em crer que terá extraído o mesmo gozo e prazer da primeira vez que ali guiou...

[http://www.youtube.com/watch?v=hPIga_ccl3Q]

As fotos obtidas para o presente trabalho foram obtidas em:
-http://www.m5board.com/vbulletin/gtboard-com-general-sportscars/142889-group-b-supercars.html
- http://www.kadett-groupe4.fr/images/photos/Histoire/Eurohandlerteam/75/75_GG-DU_371_montetrai.jpg
- http://www.rallymagazin.ro/special-monte-carlo-visul-unei-nopti-de-iarna-16742.html

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