quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

P.E.C. Nº 39: Venha daí à boleia; vamos conhecer António Zanini?... - 2ª parte - [Como se constrói um campeão?]



{Nota introdutória: A leitura do presente trabalho não dispensa a visita à «P.E.C. Nº 4» deste blogue, na qual de igual forma se indica os links que visitamos para a elaboração do mesmo}.

António Zanini, hoje um respeitável sexagenário, nasceu no dia 9 de Fevereiro de 1948 em Viladrau, Catalunha, Espanha.

Os registos dão-nos conta que a sua ligação ao mundo dos desportos motorizados remonta ao ano de 1965, altura em que debutou no motocrosse sem resultados de especial relevância.

A paixão que os carros exerciam sobre o jovem António, leva a que o catalão ensaie rapidamente um tirocínio para o automobilismo.

À falta de credenciais desportivas que o habilitassem a tentar a sua sorte ao nível da condução propriamente dita, Zanini fez a transição para o automobilismo de uma forma comum à época: começando pelo banco do lado direito de um carro de Rali.



Pilotos como Miguel Casas, Hans Babler ou Miguel Espinet, nomes conhecidos no firmamento dos Ralis espanhóis à época, são exemplos de pilotos navegados por António Zanini no início da sua carreira, em viaturas tão vetustas como o Steyr-Puch ou o Seat 600D.

A modalidade ia, entretanto, gerando um estado de fascínio absoluto no catalão pelo que se adivinhava que, mais tarde ou mais cedo, o mesmo sucumbiria aos desafios da condução pura e dura.

Em 1970, navegou Jorge Babler - campeão espanhol de Ralis em 1973, falecido num acidente de viação em 1990, aos 43 anos de idade - no «Rali das 2000 Curvas» num Seat 1430 de ‘Grupo 1’, participando ambos também no «Rali de Inverno» - obtendo um estimulante 2º lugar - e a química que aí se gera vai conduzir a uma relação muito sólida entre ambos no plano desportivo.

Por intermédio de Babler que para o efeito lhe cede um Renault 8 TS, Zanini estreia-se ao volante em competição no circuito urbano de Granollers – cidade contígua ao actual circuito de Montmeló que alberga, desde 1991, o Grande Prémio de Espanha de Fórmula 1 – nesse mesmo ano de 1970 e, em rigor, bem se pode afirmar que as coisas nunca mais seriam as mesmas.

Em 1971 António já tinha enraizado no seu espírito a vontade firme de se dedicar ao automobilismo enquanto piloto, preferencialmente nos Ralis, daí que proceda a contactos com a empresa Auto Sport que era, à época, uma reputada preparadora de Simcas.

Sem grandes meios financeiros, a ideia passava por disputar os Ralis disputados na região da Catalunha e, nesse âmbito, o piloto disputa o «Rali Costa Brava», o «Criteruim Luís de Baviera» e as «3 Horas de Montjuich» ao volante do modelo ‘Rally Grupo 2’ dos carros da marca Simca.



Os resultados foram auspiciosos, validando as capacidades de Zanini, não sendo pois de estranhar que para a temporada de 1972 Alicio Romero, então director do ‘Desafio Simca’, o tenha mantido sob contrato para acompanhar Rizos Munoz, então piloto oficial da marca.

Essa temporada – 1972 - marca a afirmação total em Espanha de António como reputado piloto de Ralis.

Contudo, o tão ansiado apoio oficial da Simca não foi chegando com a celeridade necessária para dar corpo às ambições do jovem piloto, pelo que após 3 provas – «Criterium Luís de Baviera», «Rally Osona» e «Rally Rias Baixas», faz cessar a parceria com a marca francesa, apostando num Seat 1430 de ‘Grupo 2’ - o equivalente à época aos actuais 'Grupo N’ nos dias de hoje -.

Os resultados não se fizeram esperar, e uma estrondosa vitória no seu agrupamento no «Rally das 2000 Curvas» - a que se seguiu um abandono por problemas mecânicos no «Rally Barcelona/Andorra» -, fizeram com que a marca espanhola quase de imediato oficializasse a ligação a Zanini, contratando-o para acompanhar na equipa de fábrica os consagradíssimos Cañellas – campeão de Espanha neste ano de 1972 - e o seu amigo, e velho conhecido, Jorge Babler.

Em 1973, através do modelo ‘124’ com motor de 1.600 cm3, a Seat reúne o favoritismo nas bolsas de apostas para revalidar o ceptro de Ralis.



Zanini não participa na primeira prova do campeonato desse ano – «Rally Costa Brava» – e a performance dos seus dois companheiros nesse Rali deixa de igual forma a desejar.

O jovem recruta da marca espanhola estreia-se na qualidade de piloto oficial no «Rally Vasco-Navarro», ainda que com a mesmíssima viatura com que havia triunfado categoricamente no «Rally das 2000 Curvas» do ano anterior.

As primeiras especiais da prova, sob uma bátega de água diluviana, mostram a Espanha o colossal talento de Zanini ao defender-se galhardamente, com uma viatura inferior em termos de performances, de nomes como os dos seus dois companheiros de equipa, Gargallo e Etchebers nos potentes Porsche, Villacieros no seu Alpine oficial, ou Muñoz no Simca de fábrica.

Vencendo o ‘Grupo 2’ e conquistando um 4º lugar na classificação final, logo aí António dá um sinal claro – interno e externo - para o que vinha no firmamento dos Ralis em Espanha.



Na prova seguinte, o «Rally Fallas» em Valência, o jovem aríete da Seat volta a competir com o seu carro de ‘Grupo 2’ brilhando novamente a grande altura.

Traído por uma avaria na caixa de velocidades quando era 3º classificado e liderava com autoridade o ‘Grupo 2’ na frente de Muñoz com o seu Simca, a determinação férrea de Zanini e a sua abordagem predominantemente atacante desde o primeiro quilómetro de cada classificativa, levam-no a marcar pontos no seio interno da sua equipa, ao ponto de nas provas seguinte lhe ter sido confiado o volante do Seat124 Proto’.

A estreia ao volante do novo bólide da sua equipa ocorreu na prova seguinte, os «500 nocturnos de Alicante».

Estreia aziaga.

Logo no final da primeira classificativa que viria a concluir com o 3º melhor tempo – atrás, respectivamente, de Babler e EtchebersZanini abandonou com motor partido, mas na prova subsequente, o «Rally Firestone», foram debelados os problemas de fiabilidade conseguindo o espanhol concluir na 6ª posição.

A aposta da Seat no ‘Proto’ era forte e a luta pelas vitórias por parte da ZaniniBabler havia triunfado em Albacete - adivinhava-se ser uma questão de tempo.



Pouco tempo, diga-se.

No «Criterium Luís de Baviera», Zanini tem montado no seu Seat um motor de 1.600 cm3, encontrando-se em desvantagem face aos seus companheiros de equipa que se apresentavam à partida com as mais performantes motorizações de 1.800 cm3.

Fortemente motivado, Zanini responde de forma poderosa secundando a contento Babler e superando categoricamente Cañellas que não esconde a sua estupefacção pelos tempos averbados pelo seu promissor colega de equipa.

No final, Zanini é segundo classificado atrás de Babler, batendo sem apelo nem agravo os Renault de Lucas Sainz e Villacieros.

Nesta altura é igualmente o segundo classificado em termos de campeonato, só suplantado pelo aparentemente inacessível Jorge Babler.

Chega o «Criterium de Rioja» e o filme da prova acaba por ser uma sequela perfeita daquilo que já havíamos visto anteriormente.



Domínio imperial da Seat com os seus recrutas competindo ferozmente entre si.

Babler, diminuído fisicamente com dores no seu pé esquerdo devido a um acidente de viação ocorrido algumas horas antes da prova, não liderava os acontecimentos, cedendo o protagonismo aos seus companheiros de equipa.

Na fase final da prova Cañellas acabaria por ser traído pelo motor do seu Seat, e Babler enceta uma recuperação notável que o leva a alcançar o comando, suplantando Zanini.

O mais jovem piloto da Seat vinca os seus créditos e dá um passo de gigante rumo ao vice-campeonato.

A estreia de António em provas internacionais dá-se no «Rally Bayone Coste Basque», disputado junto à fronteira francesa com o País Basco.

O piloto tem então a oportunidade de trocar o seu ‘124’ pelo mais actualizado ‘1430’, ainda que com a mesma motorização de 1.600 cm3.



Conclui a prova no sexto lugar final, mas é a vitória no ‘Grupo 2’ que concita as atenções de observadores e de adeptos, sabendo-se que a prova reuniu um naipe de pilotos franceses de enorme valia.

Os resultados do trio de pilotos da casa de Martorell foram de tal forma positivos nesta aventura internacional, que motivaram fortemente toda a equipa para futuras incursões no exterior.

Segue-se o «Rally Sherry», pontuável para o campeonato espanhol, que se revela algo aziago para a equipa Seat oficial, com abandonos para António e Babler.

No «Rally de España», a equipa volta a apresentar-se à partida com os seus três pilotos, Cañellas e Babler com os ‘1430’ de ‘Grupo 5’ e Zanini com o ‘1430’ de ‘Grupo 2’ e 1.600cm3 de motorização.

A concorrência é, uma vez mais, de grande respeito: Claude Haldi e Marc Etchebers, ambos tripulando um Porsche 911, Estanislao Reverter com o protótipo ‘Alpinche’ – conjugação de um chassis Alpine e um motor PorscheCrady e Leon de Cos socorrendo-se de Porsches 914, os Simca oficiais de Rizos Muñoz e Emílio Zapico, o Seat124 Proto’ privado de Juan Carlos Pradera, bem como os Seat não oficiais de Bertrand e Trabado.



A luta pela vitória viria a revelar-se intensa.

Salvador Cañellas desiste com problemas na bomba de gasolina e, com o desenrolar do Rali, Jorge Babler, Reverter e Haldi assumem a disputa pelo triunfo que viria a sobrar para o piloto oficial da Seat, com os rivais directos a concluírem nas demais posições do pódio pela ordem atrás referida.

Etchebers no 4º lugar final consegue a supremacia perante Zanini que termina no lugar seguinte e, desta forma, assegura automaticamente o segundo lugar final no campeonato de Espanha, além, claro está, de averbar no triunfo na prova entre os carros de ‘Grupo 2’.

O «Rally da Catalunya» revela-se madrasto para Zanini que tem problemas de caixa de velocidades e decide abandonar.

O cair do pano da temporada de 1973 para a equipa Seat será no «Rally das 2000 curvas» onde o nosso piloto encerra a época com chave de ouro, concluindo no segundo lugar atrás de Salvador Serviá.

Zanini começava a intuir as vicissitudes de integrar uma equipa oficial, adquiria experiência e conhecimentos, e começava a sinalizar perante o país automobilístico ao que vinha e para onde ia.

O aviso estava dado.



O que aí vinha só podia ser vitórias e… títulos!

O início da temporada de 1974 é marcado indelevelmente pelo anúncio da retirada das competições por parte de Jorge Babler.

Zanini e Cañellas tornam-se os porta-estandartes da Seat, juntamente com Juan Carlos Pradera que se torna a mais recente aquisição da equipa.

O trio de pilotos volta a enfrentar concorrência de grande qualidade, onde pontificam velhos conhecidos como Etchebers no Porsche 911, Estanislao Reverter tripulando um BMW ou Júlio Gargallo também em Porsche, entre vários outros.

O Campeonato inicia-se com o «Rally Costa Brava», também pontuável para o europeu de Ralis, onde Raffaele Pinto ao volante do Fiat124 Abarth’ tinha clara preferência nas bolsas de apostas.



No entanto, para surpresa geral, foi Haldi num Porsche de ‘Grupo 4’ que adquiriu o protagonismo inicial, atacando fortemente nas classificativas em asfalto da prova, visando mais tarde gerir a vantagem na fase de terra.

No segundo posto, sempre à espreita, está Zanini que luta galhardamente, metro a metro, com o reputadíssimo Pinto - que viria a desistir já na fase final do Rali -, deixando o piloto da Seat na posição intermédia do pódio, à frente do seu colega Pradera.

A luta interna pela supremacia na equipa Seat leva o jovem António a cometer um erro - dos poucos que acumulou em toda a sua carreira - com consequente saída de estrada, deixando para Juan Carlos o segundo lugar final e, mais importante, a liderança do campeonato.

O Rali «Vasco-Navarro» era a prova seguinte, e desta feita Cañellas primava pela ausência por estar envolvido em sessões de testes visando a primeira edição do Campeonato de Espanha de F1800, algo que o meio automobilístico via como a justificação oficial para iludir o facto do piloto ter visto apreendida a sua carta de condução durante algum tempo.

O favoritismo para o Rali recaia em Zanini e Etchebers ao volante do Porsche preparado pela Haberthur, além de velhos conhecidos como Reverter, Gargallo, o francês Amorena, Villacieros, Sunsundegui, sem esquecer, claro, Pradera.



A refrega pela vitória seria intensa, mas o segundo lugar final de Zanini foi em grande medida facilitado pelos abandonos em série dos rivais mais directos, vendo-se batido pelo inalcançável Etchebers, mas superando Sunsundegui sempre regular no seu Fiat124 Abarth’.

Após o Rali «Vasco-Navarro», Zanini averbava os seus primeiros 75 pontos para o campeonato, e nesta altura era terceiro na classificação geral, atrás de Pradera - 98 pontos - e de Etchebers - 80 pontos -.

A caravana dos Ralis espanhóis rumava agora a Valência para aí disputar o «Rally Fallas».

Os contendores eram os velhos rostos de sempre.

Zanini e Pradera apresentavam-se à partida com os ‘Proto’ de ‘Grupo 4’.



Nas primeiras classificativas da prova, os Porsche tomavam a liderança lutando entre si pelos melhores cronos, nesta altura com Gargallo a assumir a liderança, mantendo Zanini e Pradera em respeito.

Etchebers havia tido problemas com o seu Porsche, e quando António seguia na segunda posição um pião fê-lo cair para terceiro, ainda assim na frente do seu colega de equipa, facto que lhe permitiu aproximar-se sobremaneira da liderança do campeonato, ascendendo à segunda posição a escassos 8 pontos do primeiro classificado – Pradera -, relegando Etchebers e Gargallo para terceiro e quarto, respectivamente.

Após a etapa valenciana do campeonato, a próxima prova era o «Rally Firestone», pontuável para o campeonato europeu, à semelhança do «Rally Costa Brava».

A Seat voltava, nesta prova, a socorrer-se dos ‘1430’ de 'Grupo 2' e 1.600 cm3 de cilindrada.

Antevia-se um rali muito difícil.



A juntar aos coriáceos adversários habituais nas provas internas, já de si tremendamente competitivos, juntava-se um naipe de inscritos de notórias credenciais.

Rohrl e Carlsson em Opel Ascona, Pinto no ‘124 Abarth’, e, entre outros, também Portugal se fazia representar através de António Borges no seu Porsche.

Gargallo inscrevia-se com um Alfa Romeo de ‘Grupo 1’ esperando daí extrair vantagens que o seu Porsche não lhe conferia atentas as características do Rali, estratégia que Etchebers repetia, mas desta feita socorrendo-se de um BMW.

A primeira classificativa é disputada sob um intenso clima de competitividade.

Rohrl toma a dianteira, seguido por Pradera, Carlsson, Borges, Zanini, Asterhag e Sclater.



A terceira classificativa via Carlsson ficar pelo caminho, tal como Etchebers.

Zanini ia encurtando a distância para o seu colega de equipa, mas via os seus esforços revelarem-se inglórios sendo forçado a abandonar.

A vitória sorriria a Rohrl, incontestado dominador deste «Rally Firestone», seguido por António Borges e Juan Carlos Pradera, que desta forma reforçava a sua liderança do campeonato.

António com a sua desistência caia para quarto nas contas gerais da competição, superado por Etchebers - que ganhou o «Rally Montseny-Guilleries» no qual a equipa Seat primou pela ausência - e Gargallo que averbou pontos importantes com a sua vitória no ‘Grupo 1’ ao volante do Alfa Romeo, correspondente ao sétimo lugar final absoluto no «Firestone».

À partida para o «Criterium Luís de Baviera», Cañellas voltava à competição, agora que já se encontrava de novo na posse da sua carta de condução.



O campeão em 1972 entrava em liça ao volante do ‘Proto’ de ‘Grupo 5’ - tal como Pradera -, enquanto Zanini pilotava uma vez mais o menos performante 1600 cm3 de ‘Grupo 2’.

Etchebers faz impor a supremacia do seu potente Porsche no asfalto das primeiras classificativas do Rali, mas na fase das especiais em terra Cañellas mostra um bom apuro de forma - não obstante o interregno - e aproxima-se perigosamente da liderança beneficiando de premeio dos problemas de embraiagem que fustigavam o Porsche do líder da prova.

Não obstante estas incidências, a vitória final - e tangencial - acabou mesmo por ir para Etchebers, sendo Cañellas segundo e concluindo Reverter no lugar mais baixo do pódio ao volante do seu ‘Alpinche’.

Nos lugares seguintes ficaram respectivamente Pradera, Zanini - que vencia o ‘Grupo 2’ - e Gargallo - que triunfava novamente no ‘Grupo 1’ -.

Etchebers tomava de assalto a liderança do campeonato, seguido de Pradera e Júlio Gargallo, com António na quarta posição, mas mais longe da liderança em termos de diferença pontual.



Apostado em recuperar a desvantagem para Etchebers e Pradera, o nosso piloto apresentou-se fortemente motivado à partida para os «500 kms nocturnos de Alicante».

A Seat renovava a aposta nos seus três pilotos oficiais e Gargallo apresentava-se ao volante de um potente Porsche 911 Carrera RSR de 3 litros e 330 cavalos de potência, derivado das corridas em circuito fechado, uma arma temível para o asfalto abrasivo que caracterizava as classificativas traçadas na região de Alicante.

A primeira fase da prova confirmou, pois, um domínio imperial de Gargallo.

Cañellas entra em competição com os pneus Michelin, supostamente melhor adaptados para as características da prova e seria, no papel, quem melhor posicionado estaria para contrariar a supremacia de Júlio Gargallo, mas nem isso foi suficiente.

Juan Carlos Pradera encontrava-se na terceira posição, lugar que manteve até final do Rali.



Aproveitando a potência do seu motor Porsche, Estanislao Reverter coloca-se no quarto lugar final, enquanto Zanini era quinto e vencia uma vez mais entre os concorrentes do ‘Grupo 2’.

Pradera recuperava desta forma a liderança do campeonato relegando Etchebers para a segunda posição, enquanto Gargallo e Zanini eram respectivamente terceiro e quarto, ficando este último nesta altura já a 100 pontos de distância para o líder.

Seguia-se o «Criterium de Rioja», prova que revelou um domínio absoluto de Gargallo ao vencer todas as especiais de classificação à excepção da última.

Juan Carlos Pradera foi segundo e reforçou a sua liderança nas contas do campeonato.

Beneficiando das desistências de Cañellas e Zanini ainda na fase inicial da prova, bem como do abandono também prematuro de Etchebers, Reverter subiu ao lugar mais baixo do pódio, secundado por Juan Carlos Oñoro no Simca 1000Proto’ de ‘Grupo 5’.



Gargallo ascenderia à segunda posição do campeonato, mantendo-se no restante inalteradas as posições dos 4 primeiros na hierarquia pontual da competição.

Zanini encontrava-se numa posição assaz complicada nas contas do campeonato.

Tinha de reagir.

No calendário, o Rali que se seguia era em Orense.

Cañellas primava pela ausência uma vez que teria de disputar uma prova de Fórmula 1800, pelo que competia a Pradera e Zanini defenderem as cores da Seat.



Gargallo também não compareceria pela inadequação do seu Porsche às classificativas de terra que compunham o Rali.

Venceu Etchebers, sobretudo pela supremacia que patenteou na fase de asfalto da prova.

Os dois pilotos da Seat digladiaram-se ferozmente pela segunda posição ao longo de todo o Rali, sem ordens de equipa.

Apesar de pilotar um menos performante ‘Grupo 2’, António levaria a melhor, recuperando pontos relativamente a liderança do campeonato, precisamente detida nesta altura por Juan Carlos Pradera.



Animado pela prestação em Orense, o «Rally Islas Canárias» apresentava-se como um palco quase ideal para Zanini atacar ferozmente na procura do título.

Desta vez, todos os Seat se apresentavam com o motor de 1.800 cm3, pelo que pela primeira vez o nosso piloto não partia para uma prova limitado pelas prestações do seu carro comparativamente com os colegas de equipa.

A prova era composta por classificativas de terra e asfalto.

Nessa medida, dada até a ausência de Etchebers e Gargallo, a equipa Seat era a grande favorita ao triunfo.



A Zanini sorria a perspectiva de pela primeira vez materializar uma vitória à geral em provas do campeonato de Espanha.

Mas nem tudo eram rosas.

Antes do Rali, a Seat deu ordens de equipa no intuito de, sendo possível, ser Pradera a vencer e, dessa forma, ampliar decisivamente a sua vantagem nas contas da competição face aos sempre ameaçadores Porsche.

Cañellas teve uma ligeira saída de estrada ainda na fase inicial da prova, e uma penalização de sete minutos deitou em definitivo por terra quaisquer veleidades na obtenção de um bom resultado.



Pradera viu-se a braços com problemas de alimentação, com sucessivos cortes no motor do seu Seat que acabariam por turvar as suas hipóteses de triunfar na prova insular, vendo-se inclusivamente excluído do Rali por excesso de penalizações.

Zanini, não obstante as dificuldades que a prova em si mesmo encerrava, conquista o triunfo e, melhor, ascende à segunda posição do campeonato, desta vez a ‘escassos’ 40 pontos de Pradera que, apesar do desfecho menos feliz nas Canárias, mantém-se na liderança.

Os tradicionalmente variáveis humores de São Pedro marcavam uma vez mais a edição de 1974 do «Rally Ciudad de Oviedo».

A Porsche comparecia reforçada com Crady – com a anterior unidade pilotada por Gargallo -, igualando o número de pilotos - três - da sua rival Seat.



Gargallo impunha o seu potente bólide na fase inicial do Rali, mas veria o infortúnio bater-lhe à porta, acabando por desistir.

Cañellas assumiria a liderança, mas andando absolutamente nos limites perante um aguerrido Crady que se mostrava muito confortável e eficaz ao volante do exigente ‘911’.

O final, dramático e disputadíssimo, ditou a vitória do campeão espanhol de 1972.

António Zanini concluía na 3ª posição - vencendo uma vez mais a categoria reservada aos carros de ‘Grupo 2’ - e vendo o seu colega e rival Pradera somar nova desistência, acercava-se de forma imperial da liderança do campeonato, firmando o seu nome como um forte contendor ao ceptro máximo das provas de estrada no país vizinho nesta temporada.

O «Rally de España» apresentava-se, neste cenário, como uma etapa crucial nas contas do campeonato.



Tratava-se, também, da 3ª prova disputada em terras de nuestros hermanos que contava em simultâneo para as contas do campeonato da Europa.

As classificativas duríssimas do Rali, viram a armada Porsche eclipsar-se rapidamente, a ela se juntando também o Alpine de Juan Ignacio Villacieros.

O enquadramento era, pois, especialmente favorável aos homens da Seat, factor que o desenrolar da prova haveria de confirmar.

A certa altura Zanini, atacando como nunca, estava na liderança, mas somente com um segundo de vantagem sobre o sempre rápido Cañellas, enquanto Pradera, porventura acusando a pressão, não conseguia acompanhar o diabólico ritmo imposto pelos seus colegas de equipa e caia para a terceira posição, já a cerca de 50 segundos do lugar mais alto do pódio.

Na especial mais dura do Rali, Zanini esmera-se, supera-se, ataca que nem um louco.



De uma assentada ganha 36 segundos a Cañellas.

Este último tenta ripostar na classificativa seguinte, mas força em demasia o motor do Seat, vendo-se obrigado a refrear ímpetos e estendendo a passadeira vermelha para nova vitória de António.

Dobradinha da equipa de Martorell, com Reverter a ser terceiro classificado com o BMW 2002 TI.

Zanini chegava à distância mínima da liderança do campeonato, a meros 0,7 pontos de Pradera, pelo que tudo voltava praticamente à estaca zero nas contas do campeonato, agora que apenas ficavam por cumprir 3 provas até ao final da temporada.

O «Rally das 2000 curvas» oferecia uma oportunidade de ouro a Zanini, não só por se disputar na Catalunha e dessa forma ser um forte tónico motivador, mas essencialmente pelo facto do piloto ser um profundo conhecedor dos terrenos que a prova atravessava.

António estava em alta e fortemente motivado, pelo que um dos pólos de curiosidade passava por aferir a forma como Pradera lideraria com a pressão, ele que se encontrava em perda no campeonato e na cotação interna junto da sua equipa.



Gargallo renunciava de novo à participação num Rali, uma vez mais pela dureza das florestais catalãs.

Era norma, por estes anos, existir Ralis mistos e moda era a utilização de classificativas com gravilha especialmente dura que não se adequava minimamente à filosofia de construção dos Porsche.

Cañellas uma vez mais não se apresentava à partida, envolvido nas competições de Fórmula 1800.

Etchebers liderava a prova na fase de asfalto, mas secundado de muito perto por Zanini.

Nas especiais em terra, a ordem invertia-se em definitivo a favor do piloto oficial da Seat, que arrebatava uma vitória sensacional secundado pelo piloto da Porsche, com Pradera a ver-se relegado para a terceira posição devido a problemas mecânicos, não obstante nunca ter demonstrado nesta prova andamento ao nível do seu colega e agora rival na refrega pelo título.



António liderava pela primeira vez na sua carreira o campeonato de Espanha de Ralis.

Faltavam duas provas.

Tudo, mas tudo, era possível.

O «Rally da Catalunya» disputava-se também em terrenos favoráveis a Zanini.

A Seat voltava a apresentar-se com os três pilotos ao seu serviço.

Etchebers não desarmava na luta pelo campeonato e, desta feita num terreno em tese mais favorável, voltava a inscrever-se com o seu Porsche 911.



Outros carros da marca alemã apresentavam-se à partida, pilotados por Fernandez, Toto Serra e Aleix, mas todos eles cedo abandonariam o Rali, deixando o protagonismo para os mesmos de sempre.

Etchebers tomou de assalto o comando da prova no seu início.

Zanini e Pradera mediam-se reciprocamente, com Cañellas atrasado por uma penalização que lhe foi imposta, vendo-se suplantado na classificação pelos Seat privados da equipa ‘Escuderia Costa Brava’, que colocava em competição os pilotos Serviá e Juncosa.

Desta vez é Zanini quem vê o infortúnio bater-lhe à porta, desistindo com problemas de diferencial.

Pradera tem a vitória à sua mercê e lidera perante Etchebers, mas comete um grosseiro erro de cálculo e opta por levantar demasiado o pé, oferecendo de bandeja a vitória ao incrédulo piloto da Porsche, perante um atónito Perez de Vargas, homem forte da estrutura competitiva da Seat.

Pradera reconquistava a liderança do campeonato, mas perdia a oportunidade de o resgatar em definitivo.



E há oportunidades que, por vezes, só se têm uma vez.

Última prova do ano.

«Rally Costa del Sol», onde Pradera historicamente sempre obtivera boas prestações.

Etchebers volta a constar na lista de inscritos, sendo à partida o único contendor digno desse nome ao poderio da armada Seat.

A ausência de uma forte concorrência não ajudava Pradera, uma vez que poucos seriam os oponentes capazes de roubar boas classificações, e por inerência pontos, a um motivado Zanini.



António, sem nada a perder, liderava a prova na sua fase inicial perante Etchebers, mas uma ligeira saída de estrada quando rodava nos limites obriga-o a refrear os ímpetos, quanto mais não fosse porque o segundo lugar final na frente de Pradera lhe daria o título.

O desenrolar do Rali foi um jogo de nervos.

Mas Zanini manteve sempre em respeito o rival directo na luta pelo título.

Não obstante uma postura mais defensiva e vigilante, certo é que António nunca deu veleidades ao seu colega de equipa, mantendo até final o segundo posto e chegando com mérito e brilhantismo ao seu primeiro título absoluto de Ralis em Espanha ele que, durante a maior parte da temporada, teve ao seu dispor uma viatura bem menos competitiva que os seus rivais directos.

António Zanini gravava a letras de ouro o seu lugar na história do automobilismo espanhol.

Mas, adivinhava-se, não iria ficar por aqui…

- continua -

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