P.E.C. Nº 41: Regresso ao passado...


Está prestes a iniciar-se nova temporada do Campeonato de Portugal de Ralis.

Nuvens negras pairam sobre ele: as incertezas são mais, bem mais, que os dados concretos com que para já se pode contar.

Como é tradição desde há muitos anos a esta parte, o Targa Clube, com o seu reconhecido saber e competência, toma as rédeas da organização do primeiro Rali da época, que tem funcionado como um barómetro fiável relativamente ao que será o desenrolar da competição ao longo do ano.

As provas da organização liderada por Fernando Batista têm tido multiplas roupagens e designações - os patrocinadores assim o determinam - ao longo dos anos, variando também o seu centro nevrálgico em função das imposições regulamentares da entidade federativa.

O contexto actual ensina-nos que os maiores porta-estandartes dos Ralis portugueses da actualidade - Armindo, Bruno e Bernardo - não vêem as competições internas como uma hipótese sólida e credível para as suas carreiras.

Nesse aspecto, o CPR apresentar-se-á quase órfão em termos de nomes que possam por si só levar público às classificativas.

O cenário pode apresentar-se ainda mais turvo caso a crise económica inviabilize alguns projectos que têm vindo a ser anunciados.

Este enquadramento complexo exigiria da FPAK uma tomada de decisões, algumas delas draconianas, que permitissem ajustar o CPR à realidade portuguesa, em linhas gerais direccionando-o no sentido de reduzir sobremaneira os custos de participação a equipas e pilotos.

A equipa de Luíz Pinto de Freitas parece, porém, ter adoptado a política da 'terra queimada', onde num contexto adverso se mostra incapaz de reagir, reiterando a aposta num formato desportivo que pode vir a prazo a ditar a morte do CPR tal como o conhecemos até aqui.

A este assunto voltaremos em breve.

Para já, pensamos que vale a pena olhar para as edições da prova do Targa Clube realizadas, respectivamente, há 20 e 10 anos.

Podem ser extraídas algumas ilacções das imagens dos Ralis Sopete/1991 e Casinos da Póvoa/2001:

- Os Ralis como uma forma de expressão popular, com grande interacção entre pilotos e adeptos;


- Diversidade de marcas e de características dos carros em competição;

- Uma ligação estreita entre a modalidade e a indispensável cobertura televisiva;

- E, talvez mais importante que tudo o resto, a presença massiva e abundante de referências sólidas ao nível de pilotos, nomes que dispensam apresentações e são de imediato identificados pelo grande público.


Será porventura neste último aspecto que, no espaço de 20 anos, a maior diferença se fará notar.

O CPR/2011 será caracterizado pela míngua de dinheiro, mas acima de tudo pela ausência de referências.

Os homens que com superior destreza e talento tripulam os bólides de automobilismo, são seguramente os maiores cunhos distintivos das competições em que participam.

Não os havendo, é quase sempre por aí que começam as crises de perda de identidade.

E sem identidade própria, o Campeonato de Portugal de Ralis corre o risco de se banalizar, no limite, até mesmo de se perder...


Comentários