terça-feira, 12 de abril de 2011

P.E.C. Nº 57: Pedra sobre Pedra!



Já há anos que exercia sobre nós um fascínio considerável.

Conhecíamo-la apenas através de fotos.

Mas já aí nos seduzia de forma inexorável.

Os seus traços simples, a beleza intemporal da sua tez, a suas feições vincadas iam-se tornando irresistíveis, transformando-se com o passar do tempo numa espécie de obsessão confessa.

Não descansaríamos enquanto não a conhecêssemos pessoalmente: olhá-la, tocá-la, senti-la começava a tornar-se um desígnio de vida, uma pulsão incontrolável, irracional até, a que já dificilmente conseguíamos pôr termo.

O encontro prometido estava agendado há algum tempo.

A expetativa e o nervosismo do primeiro encontro iam-se apoderando de nós, proporcionais talvez ao temor das nossas expetativas saírem frustradas.

Após um percurso de avanços e recuos, marcado por hesitações que não punham porém em causa a nossa obstinação por Ela, o momento ansiado chegou.

Primeiro, um silêncio contemplativo: como se nos avaliássemos, nos medíssemos mutuamente num primeiro mas incisivo olhar.

O seu porte altivo e majestático impressiona.

Os traços maduros que o tempo já não pode corrigir e as suas formas arredondadas impõem respeito.

Não diremos que nos sentimos esmagados pela sua imponência, mas ali, no local, perante Ela e, acima de tudo, perante aquilo que Ela representa, sentimo-nos prostrados pela sua magnitude vergados ao peso da sua sensualidade intemporal.

Por tudo isto, tardámos a reagir.

Demoramos a fazer o que se impunha; estudar-lhe os contornos, compreender os seus ângulos mais favoráveis.

Mas tínhamos tempo.

Para Ela dispúnhamos de todo o tempo que fosse necessário.

Aproximamo-nos.

Nervosamente fomo-nos chegando mais perto.

E o que tinha de acontecer, aconteceu: fotografámo-la sofregamente, sem concessões, das mais incríveis maneiras que a nossa imaginação permitiu.

Vamos recordar por muito tempo aqueles largos minutos que passamos em comum.

Ela, a ponte em pedra da classificativa de Viseu sabe-se fazer desejar.

Mesmo com a pele mais enrugada, com o cabelo visivelmente menos cuidado e em desalinho, o seu charme de meia-idade faz-se sentir.

As fotos que se seguem, cremos, continuam a ser, volvidos tantos anos, volúpia em estado puro.

1 9 7 3:
- Ove Andersson/Jean Todt (Toyota Celica):


2 0 1 1:


1 9 7 8:
- Markku Alen/Ilkka Kivimaki (Fiat 131 Abarth Rallye):


2 0 1 1:


1 9 7 8:
- Hannu Mikkola/Arne Hertz (Ford Escort RS 1800):


2 0 1 1:


1 9 8 7:
- François Chatriot/Michel Périn (Renault 11 Turbo):


2 0 1 1:


1 9 8 8:
- Carlos Bica/Fernando Prata (Lancia Delta HF 4WD):


2 0 1 1:


AS FOTOS PARA ELABORAÇÃO DO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/7263
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/47543
- http://rides.webshots.com/photo/1364000303071889947QgPiAP
- http://www.forum-auto.com/sport-auto/theme40/sujet369276-105.htm
- http://www.forum-diecast.com.pt/index.php?topic=792.0

6 comentários:

  1. Local desta famosa ponte:
    http://maps.google.com/maps?f=d&source=s_d&saddr=Estrada+desconhecida&daddr=Estrada+desconhecida&hl=pt-PT&geocode=FWbDbQIdMUeI_w%3BFWzDbQIdOkeI_w&mra=dme&mrsp=0&sz=16&sll=40.748281,-7.839067&sspn=0.007299,0.016866&ie=UTF8&t=h&z=16

    Abraço
    Gonçalo Fernandes ("Toivonen")

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Obrigado pela achega, caro Gonçalo. Já tinhamos indicado as coordenadas GPS do local em causa, mas assim pode-se ficar com uma ideia mais concreta do enquandramento geral da «ponte»...

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  4. Várias vezes também lá assisti ao Rali de Portugal! Saudades! E um pó fininho e amarelo que nada tem a ver com o da serra algarvia dos dias de hoje... :)

    JR Aguilar

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  5. Saudoso Habitante de Bertelhe2 de janeiro de 2012 às 02:25

    Saudades de ver o rali nesta Ponte, moro a 2km da mesma e dia de Rali era dia de Festa, dos mais agitados da aldeia. Saudosos tempos...

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  6. Muito obrigado pela sua mensagem e visita. Há alguns vídeos do local na PEC nº 92 deste blogue

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