sexta-feira, 8 de julho de 2011

P.E.C. Nº 75: ...e para terminar, tempere com Sal(onen) q.b...



São raras as ocasiões em que podemos espreitar o interior de um ‘Grupo B’: na época em que estes automóveis competiam não estavam massificadas, como hoje, as imagens colhidas dentro dos carros de Rali.

De seguida, no filme que abaixo exibimos, Timo Salonen mostra-nos a arte em que se notabilizou: a de ‘amestrador’ de ‘animais selvagens’.

Nos anos oitenta, o campeonato do mundo de Ralis exercia nos quatro cantos do mundo um fascínio proporcional à potência dos carros em competição.

Protagonistas como Alen, Vatanen ou Rohrl, além dos dotes de condução surgiam-nos como portadores dum magnetismo quase hollywoodesco.

A sua aura glamourosa, o seu visual ‘cinematográfico’, elevavam-nos à condição de ícones.



Eram ídolos de juventude de toda uma geração entusiasmada com as suas proezas ao volante dos monstros sagrados denominados ‘Grupos B’.

Como é natural nestas coisas, havia também lugar aos anti-heróis.

Timo Salonen, menos carismático e mais reservado que os seus pares, surgia como uma espécie de ‘patinho feio’ dos Ralis.

Tímido, pacato, com uma fisionomia a dever bastante aos cânones da beleza, o finlandês era mediaticamente colocado num patamar inferior quando comparado com os seus principais rivais da época.

Os óculos largos e a qualidade fumador compulsivo eram a sua marca distintiva, o seu traço de autenticidade.



Os ‘anos Nissan’ haveriam de revelar o talento enorme de Timo.

A forma como domava com mestria os carros da marca nipónica dava nas vistas.

Jean Todt, sempre arguto, vislumbrou a sua qualidade recrutando-o para a equipa Peugeot em 1985.

Após um período inicial na sombra de Vatanen, na sequência do pavoroso acidente do seu colega de equipa na Argentina Salonen seria chamado à responsabilidade de liderar as altas ambições da armada gaulesa.

Não desmereceu a confiança depositada, acabando, com mérito e brilhantismo, por conquistar o seu primeiro e único título de campeão do mundo nessa mesma temporada.


Onze vitórias em provas do campeonato do mundo aliadas a 24 pódios, 256 vitórias em classificativas e um total de 528 pontos averbados, ficam como o seu registo pessoal para a história.

De seguida vemos Timo em ação na edição de 1985 do Rali da Acrópole.

Trata-se de uma viagem testemunhal às entranhas de um ‘Grupo B’.

Banidos do campeonato do mundo no final de 1986, estes carros alcançaram um estatuto ímpar ao ultrapassarem os limites da racionalidade humana.

Constituíram-se, com o tempo, como símbolo privilegiado do desejo do homem em superar-se a si próprio.

A sua potência não era controlável à luz do conhecimento que a engenharia mecânica possuía à época.



Pneus, suspensões, caixas de velocidade ou transmissões eram incapazes de domar com eficácia tantos cavalos.

Daí que aqueles bólides fossem em determinadas ocasiões quase inguiáveis.

O mandamento primeiro de quem pratica automobilismo, a capacidade de esmagar sem pruridos o acelerador, dava agora lugar a uma espécie de suave sapateado sobre o pedal do lado direito sempre que se chegava a uma reta.

A besta não podia ser cutucada a tratos de polé.

O segredo era afagá-la de forma subtil.

É ao fim ao cabo sobre a arte de extrair eficazmente todo o potencial de um ‘Grupo B’, que se reportam as imagens que seguem.


AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.forum-auto.com/automobile-pratique/modelisme-modeles-reduits/sujet9008.htm
- http://www.ilkansivu.net/NesteRally2002/EK_09n_jalkeinen_huolto_083_Timo_Salonen_lahdossa_huollosta.jpg
- http://www.f1zone.net/viewtopic.php?f=152&t=5833&start=525
- http://rallymemory.blogspot.com/2011/06/rallye-cards_17.html

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