P.E.C. Nº 79: Rir é o melhor remédio!



Há dez anos atrás viviam-se bons tempos no nacional de Ralis.

A modalidade conseguia, ao tempo, produzir um admirável melting pot de motivos de interesse, capaz de despertar as atenções gerais.

Nas passerelles em asfalto e gravilha deste país, exibiam-se então, entre outros, quatro carros da categoria WRC, vestindo as criações de três marcas distintas, alguns deles com o cunho oficial ou semioficial.

Vários dos nossos mais qualificados pilotos e navegadores, terçavam armas pelos troços dos quatro cantos do país.

A disputa pelas melhores posições em cada uma das categorias ou troféus era, em cada Rali, férrea e apertada.



O contexto, em suma, reunia todos os ingredientes para potenciar o espetáculo e a perspetiva de ver carros emblemáticos a ser conduzidos no limite era, portanto, assaz irrecusável.

O Campeonato Nacional de Ralis [o leitor perdoará a nossa deriva purista, mas ainda é sob esta designação que nos habituamos a identificar a competição, não trazendo qualquer valor acrescentado, em nossa opinião, as sucessivas renomeações que foram sendo introduzidas nos últimos anos, toldando a sua identidade própria] vivia anos de franca afirmação, galvanizando os agentes direta ou indiretamente ligados à modalidade.

A somar a todos estes aspetos, uma ambiente de sã rivalidade funcionava como o mais eficaz catalisador para os interesses antagónicos em disputa.

Contudo, não obstante o que acima se escreveu [sobre tempos que constituíram exceção], a história dos Ralis em Portugal demonstra genericamente que o CNR sempre se viu a braços, em maior ou menor escala, com problemas 'sistémicos' de falta de verbas.

Ao contrário de diversos outros campeonatos congéneres, a experiência ensina terem sido raras as ocasiões em que se sedimentou na modalidade uma cultura de sponsorização digna desse nome, virada para promover o mérito e qualidade.



O nacional de Ralis desenvolveu-se no tempo como uma metáfora do próprio país, ao sabor da arte e engenho, sem planificação a prazo.

A falta de estabilidade regulamentar decorrente de uma estranha vocação federativa para a mera navegação à vista, é hoje, como foi sempre, o desafio maior que os Ralis portugueses carregam sobre os ombros.

As responsabilidades, não assumidas, disseminam-se por vários quadrantes, no costumeiro e tão lusitano 'jogo do empurra'.

Colocando de parte matérias de natureza política sobra, sempre sobrou, a modalidade e o melhor que ela pode oferecer: carros, equipas e pilotos.



O CNR, não se podendo dizer que tenha sido ao longo dos tempos um 'campeonato pobre', sempre se caracterizou por ser um 'campeonato remediado' longe da filosofia de algum automobilismo, sobretudo da F1 e do seu pomposo 'continental circus', pejado de vedetas prenhes de importância, egos insuflados e opulência canhestra.

O CNR, se nos é permitida a comparação, longe da produção grandiosa de um 'circo' será talvez como um grupo de 'saltimbancos' que chega junto das populações com magia simples [a mais bela...], humor espontâneo e natural.

O excerto de imagens que de seguida publicamos reporta-se ao rescaldo do Rali Rota do Vidro de 2001.

Como se pode constatar, o conceito de rivalidade dissolvia-se com a entrada dos carros no Parque Fechado.



Ao 'combate' sem tréguas nas classificativas, os antagonistas descontraidamente equilibravam os pratos da balança ao encerro das hostilidades, tornando-se a espaços verdadeiros compinchas.

É disso, da capacidade de separar as águas destrinçando competição e camaradagem, que cuida o vídeo que segue.

Arriscaríamos apostar a identidade do orquestrador da coreografia que apresentamos de seguida.

Um exercício simples, quase lógico.

Com Pedro Matos Chaves por perto, pode(ria) alguém ficar mal-humorado?


AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=731&start=13
- http://speedsin.com/sportmotores/viewtopic.php?f=8&t=2317&start=0
- http://rallyazores.blogspot.com/2010/05/rally-historia-rally-de-portugal-2001.html
- http://www.peugeot.pt/palmares-da-equipa/
- http://olhares.aeiou.pt/pedro_matos_chaves_foto1620456.html

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