P.E.C. Nº 87: Quando a cabeça não tem juízo...



É por vezes estranha a relação que os adeptos mantêm com os Ralis.

Na atmosfera tão especial que se cria em torno da multidão de aficionados que ladeia as classificativas, há sempre sensibilidades distintas e, sobretudo, há formas diferenciadas de assistir ao evoluir dos carros.

A maneira mais sã de estar nas provas é saber prevenir acidentes, percebendo que um despiste pode revestir consequências trágicas.

O passado, aliás, fornece-nos múltiplos exemplos de como o facilitismo feriu ou ceifou vidas a espetadores mal colocados nas classificativas.

Estar num Rali deve ser algo mais que um mero exponenciar de emoções.

Assistir a Ralis é, também, um ato de racionalidade.



O filme que colocamos no presente trabalho reporta-se à edição do Rali Dão/Lafões de 1998.

No troço do Caramulo, Adruzilo Lopes e Luís Lisboa tiveram uma ligeiríssima saída de estrada com o seu Peugeot 306 Maxi, que seria banalíssima não fosse o caso do automóvel ter colhido dois espetadores.

O acidente em causa não teve felizmente consequências de maior.

Mas há, todavia, outra ilação a extrair.

Caso os espetadores em questão não estivessem sentados nos rails de proteção à passagem dos carros, mas antes se colocassem em segurança por trás deles, o desfecho deste episódio teria sido outro, seguramente bem mais positivo.

Daí percebermos a tolerância zero que as organizações frequentemente colocam nos troços, tentando evitar que alguns adeptos andem em roda livre.



O comportamento irresponsável de quem vai aos troços pode ditar a 'morte' de um Rali, potenciando as parangonas mediáticas pelas quais alguma imprensa, mais dada ao sensacionalismo e demagogia, claramente saliva.

É dos domínios do antropológico a necessidade de alguns aficionados manifestarem nos troços uma aparente bravura e coragem que no íntimo se calhar sabem não ter.

Devia ser objeto de estudo o sentido de desafio e transgressão que alguns espetadores empregam, talvez a injeção de adrenalina que quotidianos e vidas banais não possibilitam.

Os Ralis caracterizam-se por ser uma porta aberta, cuja entrada é franqueada a todos.

Nesse sentido, a indigência comportamental não paga bilhete: no limite pode apenas ser policiada.

Confundir entusiasmo com euforia sempre conduziu a excessos, que o passado demonstra serem afinal de contas a face triste daquele que é o mais espetacular desporto do mundo!




AS FOTOS PRESENTES NESTE TRBALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.performanceforums.com/forums/showthread.php?t=67268838

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