P.E.C. Nº 97: Ralis à porta fechada?



Está à porta a próxima etapa do campeonato de Portugal de Ralis.

Amanhã, sábado, disputa-se o «Rali Centro de Portugal», como sempre pensado e organizado pelo Clube Automóvel da Marinha Grande.

O clube da cidade do vidro e do molde é, em Portugal, das poucas organizações dedicadas à organização de provas de automobilismo com uma visão sustentada do seu âmbito de ação.

Sabe o que faz.

E sabe o que quer fazer.

O seu historial de competência quase obriga, assim, que lhe seja confiada a missão de colocar no terreno Ralis pontuáveis para as mais importantes competições nacionais: C.P.R. e Open de Ralis.

Na P.E.C. Nº 91 deste blogue tecemos algumas considerações sobre o «Rali Centro de Portugal» que se avizinha, não regateando aplauso à forma como a equipa diretiva soube uma vez mais rejuvenescer a prova, injetando-lhe interesse competitivo.

Há, no entanto, um reparo que entendemos dever fazer, que se prende com o enorme atraso com que foram disponibilizados os mapas, coordenadas e acessos a quem pretende seguir o Rali.

Está em voga uma certa moda, generalizada, de olhar para o público que assiste aos Ralis como uma espécie de estorvo ou empecilho para quem coloca as provas na estrada.

Os adeptos, é importante que se realce, estão longe de ser a fonte de todos os problemas que se deparam aos clubes organizadores.

O pulsar de um bom Rali, aliás, mede-se também em grande medida pela quantidade de moldura humana que incentiva entusiasticamente carros e pilotos a cada passagem.

Criar condições para que os aficionados acorram massivamente às classificativas, passa por atempadamente lhes facultar o máximo de informação possível sobre as mesmas.

Tal como pilotos e equipas, também os adeptos necessitam de preparar com tempo os seus Ralis: radiografando as classificativas, inventariando os melhores locais para ver o evoluir dos carros, medindo distâncias, traçando ligações entre troços.

O mais eficaz roadbook que uma organização pode ceder ao público dos Ralis dá pelo nome de mapa da prova.

Sem um prévio conhecimento de acessos, horários e locais para assistir às provas, o risco da grande massa de espetadores acorrer aos troços de forma desorganizada é elevado.

As entidades organizadoras há já alguns anos que nos habituam a ver o público apenas como uma mera questão de segurança, quando talvez o devessem perspetivar enquanto peça indispensável do evento.

Menos pessoas acarretam menos problemas, prevenindo possíveis dores de cabeça à direção de prova: é uma lógica espúria.

Numa altura em que muito se fala na necessidade de seduzir patrocinadores e assegurar-lhes o retorno do respetivo investimento, talvez seja importante pensar que ninguém deposita milhares de euros no desporto automóvel se as classificativas portuguesas, despidas de calor humano, se assemelharem a tudo a uma sala de estar sem mobília.

O sucesso de um Rali constrói-se com público.

A divulgação de um Rali faz-se muito da fotografia que o público partilha no facebook e do vídeo publicado no youtube.

Nessa medida, escapa-nos por completo a razão pela qual o C.A.M.G. apenas a escassos dias do seu Rali mais emblemático tornou públicos os mapas da prova.

Se foi por estratégia, o erro parece-nos clamoroso: se foi por distração a falha devia ter sido evitada.

A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://famalicaomotor.blogspot.com/2010/04/algumas-galerias-e-videos-do-rali-de.html

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