sábado, 17 de setembro de 2011

P.E.C. Nº 98: Definir Ralis pela pena de um dos seus primeiros Mestres!...



1 - “Os ralis são arte, paixão e emoção. É como ouvir uma música com boa melodia”.

Muitas vezes é difícil encontrar as palavras certas para definir emoções.

Caracterizar ou descrever um desporto como os Ralis, que mexe com tantos aspetos e variáveis, é um exercício complexo: fazê-lo de maneira simples e sucinta, mais ainda.

Com a mestria dos sábios, Rauno Aaltonen em declarações recentes à revista AutoFoco [edição nº 599, de 15 a 21 de Setembro de 2011], socorreu-se de pouco mais de meia-dúzia de palavras [as certas] para, de forma superior, sintetizar o que é, afinal, esta modalidade.

Hoje, com umas tão respeitáveis quão joviais setenta e três primaveras, Rauno continua a ser um observador atento do automobilismo.

Foi um dos melhores pilotos da sua geração.

Em certa medida é uma espécie de guia espiritual para toda a dinastia de finlandeses voadores [vd. P.E.C. Nº 76 deste blogue], seus compatriotas, que de há cinco décadas a esta parte confunde-se com a própria história dos Ralis.

Pela lucidez e sentido crítico aguçado, Aaltonen tem acrescida respeitabilidade quando profere declarações em público.

Possui uma visão global do fenómeno dos Ralis.

Não está preso pelas amarras do tempo à sua época.

Daí que quando, com desarmante e inusitada simplicidade, descreve de forma tão bela este mundo dos Ralis, não só concordamos à vírgula com as suas palavras, como até incentivamos que elas ganhem contornos de máxima universal.




2 - “É considerado o primeiro finlandês voador, e foi ele que introduziu novas formas de conduzir em ralis com a técnica do pêndulo e a travagem com o pé esquerdo, que serviam para aumentar a performance do piloto e a segurança em situações de emergência.
Aaltonen contou-nos como usava a espectacular técnica do pêndulo: «Ao chegar a uma curva, por exemplo, para a direita, travava e virava o volante um quarto de volta para a esquerda, provocando a derrapagem, só depois virava o volante para a direita. Este balanceamento do carro esquerda/direita ajudava a traseira a rodar e a descrever a curva mais depressa, e sempre com as rodas viradas para o lado de fora da curva. Muitas vezes engrenava uma mudança inferior e, no momento de virar o volante, soltava rapidamente a embraiagem para provocar uma derrapagem maior». Técnica praticamente abandonada com os carros de tracção integral.
Já a travagem com o pé esquerdo mantém-se. «Travava com o pé esquerdo ao mesmo tempo que acelerava, isso permitia manter o motor em carga e as rodas de tracção a girar. Era mais fácil e segura de executar em carros de tracção dianteira»”. 
[AutoFoco nº 599, de 15 a 21 de Setembro de 2011].


Há pilotos que conduzem: sentam-se no carro e guiam o melhor que sabem.

E há os que vão mais além: estudam com minúcia o automóvel e as suas características, procurando ao volante experimentar todo e qualquer pormenor que leve a um incremento de rapidez.

Rauno Aaltonen terá sido uma síntese perfeita destas duas ideias.

Como se percebe do texto que acima republicamos, o escandinavo introduziu na década de sessenta laivos de pioneirismo na condução de carros de Ralis.

É da sua pena a técnica apurada de balancear o automóvel à entrada da curva para mais facilmente otimizar a aceleração à sua saída, exercício que faria escola para todos os grandes pilotos durante décadas a fio.

Mais que as palavras, o magistral vídeo que segue mostra ao pormenor como Rauno colocava em prática a sua forma de descompensar o carro em travagem.

Tudo o que possamos escrever será sempre redutor para relatar com precisão a beleza que as seguintes imagens encerram.

A plasticidade do ato de condução em carros tão exigentes é soberba.

A condução e a narrativa de Aaltonen são por si só uma récita para ficar na memória.

No fundo, ao fim ao cabo, “os ralis são arte, paixão e emoção. É como ouvir uma música com boa melodia”.



A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
http://www.windingroad.com/articles/blogs/forgotten-racing-heroes-rauno-aaltonen/

RAUNO AALTONEN EM ENTREVISTA:





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