P.E.C. Nº 104: Re(s)posta a igualdade no 'marcador'...


Os piores ‘receios’ de Zona-Espectáculo confirmaram-se.

Aquando da publicação da P.E.C. Nº 103, alusiva a Alain Prost, na nossa mente já figurava a possibilidade de virmos a ser confrontados com o facto do eterno rival do francês, o brasileiro Ayrton Senna, ainda que de forma fugaz ter experimentado também, a certa altura da sua carreira, o desafio de conduzir automóveis de Ralis.

Sem surpresa, diversos adeptos do malogrado tricampeão mundial de F1, nossos amigos pessoais, ‘bombardearam-nos’ para o efeito, nos últimos dias, com diversas mensagens carregadas de delicioso sarcasmo e refinada ironia.

Como quase sempre sucede nas grandes rivalidades do desporto, o percurso de Prost e Senna tem muitos pontos em comum: os Ralis são apenas mais um!

Em 1986, no auge da era dos Grupo ‘B’ e quando o campeonato do mundo de Ralis pedia meças à F1 em termos de popularidade, Senna integrou uma sessão de testes em terras galesas experimentando diversos carros.

Do ponto de vista desportivo, Ayrton tinha em rigor ‘dupla-nacionalidade’: brasileiro de nascimento [no seu país natal fez carreira no karting e deu os primeiros passos na modalidade que o viria a imortalizar]; britânico de formação [toda a sua carreira no automobilismo, entre 1981 e 1994, foi feita ao serviço de equipas sedeadas em Inglaterra].

Nessa medida, não parece contranatura o malogrado piloto paulista ter medido o pulso a um carro como o Austin Rover Metro 6R4, à altura, a par do Ford RS 200, um dos grandes embaixadores dos automóveis de competição fabricados na velha albion.

Após esta sessão de testes não acreditamos que Ayrton Senna, estrela em ascensão na F1 ao tempo, tivesse equacionado redirecionar a sua carreira para os Ralis.

Porém, membro de uma casta de pilotos que não virava costas a um bom desafio, é francamente plausível que tenha tirado um grande prazer pessoal desta experiência, esporádica mas bem distinta daquilo que conhecia até então.



Após este teste num pequeno troço em terra nas lendárias florestais de Gales, em declarações à revista 'Car & Car Conversion Magazine', Ayrton foi conclusivo nas suas impressões: «Sei pouco sobre Ralis e deliberadamente não ouvi antes deste teste nenhuma opinião sobre condução em Ralis. Tentei aprender por mim próprio».

O primeiro carro que guiou neste dia foi o Cosworth e, logo após os primeiros metros, eis que o brasileiro colhia o primeiro ensinamento na sequência de uma ligeira saída de estrada... na primeira curva!

«Fui surpreendido e quase saí de estrada. Tentei negociar a curva como se de um carro normal se tratasse. Mas foi um disparate, pois é necessário contrabrecar e manter alguma rotação no motor. Foi uma lição e fiquei a saber a importância de corrigir trajetórias».

Como sempre, Senna absorveu este episódio: «Estou a aprender, mas isto é mais difícil do que parece. É necessário um conhecimento muito avançado nas questões técnicas e, acima de tudo, bastante confiança. Só me faz dar ainda mais crédito aos pilotos de Ralis, por conduzirem da forma como o fazem».

E concluiu: «Foi muito mais emocionante do que esperava: nem dei pelo tempo passar. Era tudo completamente novo para mim, tornando-se um desafio muito grande. Penso que as pessoas que assistiram a este teste, sobretudo os donos dos carros, estavam curiosas acerca da minha prestação e, no fundo, 99% delas acreditava que eu me despistaria de encontro às árvores. Isto é bem diferente da F1. Você improvisa o tempo todo. Num carro de F1 você sabe exatamente o que fazer em cada curva, sabe onde tem área de escape, onde tem de usar a zebra, conhece cada ondulação, porque faz tudo igual cem vezes num dia de testes. Num carro de Rali é tudo mais instintivo, e não tem margem de erro. Meu único problema hoje é que eu não queria parar mais de andar!».

Naquele dia em Novembro de 1986, há quase um quarto de século, talvez se tenha perdido um grande piloto de Ralis: ganhou-se, todavia, um dos nomes mais importantes da história da Fórmula Um.



AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://mateuskronbauer.blogspot.com/2011/05/senna-andando-em-carros-de-rally-em.html
- http://www.ferraripassion.net/2011/ayrton-senna-rally-driver/


A LEITURA DO PRESENTE TRABALHO NÃO DISPENSA OS RELATOS MAIS PORMENORIZADOS QUE SE ENCONTRAM EM:
- http://www.wrc.com/news/features-archive/senna-the-rally-driver/?fid=14986
- http://www.motorsportretro.com/2011/05/ayrton-senna-rally-driver/

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