sábado, 29 de outubro de 2011

P.E.C. Nº 106: O que foi não volta a ser?



Há mais de trinta anos atrás a Audi reformulou a filosofia dos Ralis, questionando os cânones da modalidade.

Fê-lo com o sentido de experimentalismo e inovação que por norma atribuímos aos alemães.

O seu majestoso coupé desportivo daqueles anos, o ‘Quattro’ [nunca uma mera palavra ‘disse’ tanto…] foi a arma que abalou as mais sólidas convicções das pessoas direta ou indiretamente ligadas à época ao desporto automóvel.

Dizer-se que a partir daí os Ralis nunca mais viriam a ser os mesmos é afirmar-se uma evidência.

Os padrões da modalidade mudariam em definitivo a partir da temporada de 1981, creditando-se à marca de Ingolstadt a responsabilidade pela invenção dos ‘Grupo B’.

A tração integral às quatro rodas tornou-se a bitola.

A febre da escalada de potência em que todas as marcas ativamente se empenharam, assemelhou-se em tudo a uma espécie de corrida ao ouro.

Em 1986, como sabemos, o filão esgotou-se.

Os ‘Grupo B’ sucumbiam perante o seu próprio estilo de vida, irracionalmente frenético, incompatibilizados com os níveis de segurança daquele tempo.

A Audi, umbilicalmente ligada ao ‘Quattro’ nas diversas metamorfoses que o carro exibiu em seis anos de vida útil, recusou capitular, apresentando-se à partida da época de 1987 com o modelo ‘200 Quattro’, um sédan familiar de generosas dimensões que, claro está, se encontrava nos antípodas daquilo que um carro de Ralis deve ser.

O final da ligação da marca dos anéis ao campeonato do mundo de Ralis não tardaria, apressado pelas circunstâncias.

Não foi um epílogo especialmente feliz, ficando bastante aquém dos resultados, pergaminhos e carga icónica que a equipa emprestou à modalidade.

Daí para cá, a Audi foi participando ativamente e com grandes níveis de sucesso em provas de Turismos, GT e Sport-Protótipos.

Em diversas ocasiões, nestes mais de vinte anos, a comunicação social foi ventilando rumores, nunca confirmados, segundo os quais a marca poderia estar de regresso aos Ralis.

Num campeonato do mundo exangue de equipas oficiais, ver os carros da equipa de Ingolstadt a evoluir novamente nas mais emblemáticas classificativas de todo o mundo seria encerrar um hiato demasiado longo sem o seu envolvimento nas provas de estrada.

Nessa medida, o exercício de estilo que abre o presente trabalho, ficcional mas adaptável à realidade, elege por aclamação Xabier Albizu, o criador do desenho em causa, como porta-voz privilegiado dos sonhos de muitos adeptos em todo o mundo.

A FOTO QUE PUBLICAMOS NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.autosblog.fr/tag/audi+quattro

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