domingo, 6 de novembro de 2011

P.E.C. Nº 109: Até breve? Até sempre?


A equipa Peugeot Sport Portugal anunciou recentemente o seu abandono das competições a nível oficial.

Só o futuro poderá clarificar se este afastamento tem um carácter pontual ou definitivo; em suma, se é um mero intervalo ou o fim da linha num horizonte temporal a pelo menos médio prazo.

Muito foi já dito e escrito sobre esta questão.


Quando o mais sólido e credível projeto contemporâneo para Ralis, apoiado diretamente por uma marca, soçobra desta forma, estamos perante um grito de alerta suficientemente estridente para recomendar uma reflexão alargada sobre o futuro da modalidade em Portugal.

O contexto de crise inevitavelmente acarreta complicações na angariação de patrocínios. 

Quando assim é o desporto em geral ressente-se, e o automobilismo, que assenta numa ideia de reciprocidade e troca com quem investe esperando retorno, experimenta naturais dificuldades.


A agravar o problema [provavelmente o cerne do problema, arriscamos referir], o nosso mercado automóvel depara-se com um crónico processo de chacina fiscal por parte do Estado Português, que olha para o setor [a produção de automóveis e seus componentes representam, ironicamente, uma fatia de leão no contexto das exportações portuguesas] com gula e apetite suficientes para apaziguar o mais incontrolável défice das contas públicas.

A não continuidade da Peugeot Sport Portugal representa consensualmente um enorme revés para o automobilismo nacional.

Dever-se-á, acreditamos, às dificuldades da marca em conseguir vender carros de forma expressiva [a tal fiscalidade ignóbil como fator de bloqueio ao rejuvenescimento do parque automóvel luso e, pior, como entrave a um setor de atividade que direta e indiretamente gera muitos milhares de postos de trabalho e constitui parte decisiva do nosso Produto Interno Bruto] do que propriamente pelo afastamento de potenciais patrocinadores ao seu projeto.


Os motivos de preocupação não se ficam todavia por aqui.

De vários elementos do staff da equipa sedeada em Alfragide não se conhece o futuro profissional, designadamente se serão ou não integrados em outras estruturas da marca em Portugal. 

A incógnita sobre o destino de Bruno Magalhães e Paulo Grave sobrepõe-se aos dados adquiridos.


solidificação do processo evolutivo dos dois pilotos, com a internacionalização das respetivas carreiras, apresenta-se-nos agora carregada de interrogações.

Os Ralis em Portugal dificilmente se podem permitir expelir da sua orgânica, sem mais, um tricampeão nacional carregado de qualidade, no auge da sua carreira.

Há, depois, Carlos Barros.


Após um percurso brilhante ao serviço da Peugeot ao mais alto nível, com envolvimento no campeonato do mundo de Ralis, nos Sport-Protótipos e no Todo-o-Terreno, há quinze anos atrás Barros assentou arraiais em Alfragide constituindo-se, desde a primeira hora, como algo mais que um ‘mero’ chefe ao tornar-se no rosto principal dos sucessos da sua equipa dentro e fora de portas, funcionando como o ideólogo de uma nova forma de fazer automobilismo em Portugal alavancada em altos padrões de exigência e profissionalismo.

Nesta quinzena de anos, o palmarés conquistado é brilhante.

Entre outros feitos e honrarias, destacam-se a vitória no Rali dos Açores em 2010, um vice-campeonato europeu em 2003 e a conquista de pontos no campeonato do mundo no ano seguinte com o oitavo lugar de Miguel Campos e Nuno Rodrigues da Silva no Rali do Chipre, além de sete títulos nacionais absolutos averbados.


O denominador comum de tantas vitórias e títulos foi Carlos Barros que, hoje, conhece como ninguém os Ralis em Portugal.

A modalidade sempre foi neste país um novelo com demasiadas pontas [marcas, clubes, equipas, pilotos, entidade federativa] soltas.

Uni-las não é tarefa fácil.


Fazer da manta de interesses à volta dos Ralis um tecido uno e coerente, estará apenas ao alcance de quem não esteja comprometido numa lógica corporativa.

Desconhecemos em absoluto se no horizonte de Carlos Barros está assumir responsabilidades a nível federativo.

No entanto, numa altura em que riscos de desagregação dos Ralis nacionais são consideráveis, o perfil do antigo diretor técnico e desportivo da Peugeot Sport Portugal parece encaixar que nem uma luva na necessidade de diálogo e consensos que a modalidade com urgência reclama.

































AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
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