sábado, 26 de novembro de 2011

P.E.C. Nº 115: Ralis vestidos com calças 'à boca de sino'...


Os Ralis são, como sempre foram, uma extensão da realidade.

Nos anos sessenta a modalidade autonomizou-se inspirada pelos ideais libertários da época, adquirindo identidade própria além do rótulo redutor da ‘corrida de automóveis’.

A década seguinte trouxe um progressivo afastamento do espírito purista conhecido até então, desenvolvendo novos padrões de experimentalismo e rutura, expressos, aliás, na forma como os automóveis para Ralis foram sendo construídos.

É nos anos setenta que aparecem os primeiros protótipos projetados especificamente para Ralis, uma emancipação relativamente aos carros do quotidiano com alterações de pequena monta que padronizavam este desporto até aí.

O salto conceptual entre ambas as décadas foi considerável.

A escalada de performances e o avanço tecnológico tornaram-se imparáveis.

Os Ralis atiravam para longe e em definitivo o ‘flower power’ do controlo horário, substituindo-o pela ‘irreverência punk’ do troço cronometrado.

As imagens que publicamos nesta «P.E.C.», pela sua grandiosidade e beleza tornam-se difíceis de adjetivar.

É nestas alturas que a palavra sucumbe, prostrada perante o que os olhos veem.

O prodigioso contracenar entre pilotos e carro, ora de improviso ora com guião pré-definido, faz destes filmes arte.

Arte no plano cinematográfico.

Arte na forma de expressar o que significa conduzir no limite.

Os anos setenta deram ao mundo o primeiro microprocessador, a televisão a cores e o primeiro videojogo.

Trouxeram à escala planetária crises e guerras, mas também significativos avanços científicos.

Produziram vários dos mais predestinados pilotos que o mundo dos Ralis conheceu.

Revelaram carros que se tornariam ícones da modalidade.

Foram dez anos, em suma, em que não só este desporto moldou a sua génese [premiar a rapidez numa classificativa fechada ao trânsito] em função dos concorrentes, construtores e aficionados, como se constituiu num incontornável balão de ensaio para tudo aquilo que viria a seguir, entre 1982 e 1986, quando, nos seus anos de maior esplendor, os Ralis se acabaram por tornar maiores que si próprios.





























A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://restosdecoleccao.blogspot.com/2011/03/rallye-internacional-tap.html

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