domingo, 31 de julho de 2011

P.E.C. Nº 82: 66 vitórias [and counting...]



Antigo ginasta antes de se embrenhar na alta-roda dos Ralis, Sebástien Loeb foi quem melhor 'saltou' na edição dos '1000 Lagos' da temporada de 2011, concluída no pretérito fim-de-semana, averbando a segunda vitória da sua carreira em terras finlandesas.

A juntar a mais este triunfo, o sexagésimo sexto do seu pecúlio em provas do mundial, o gaulês deu em simultâneo um 'salto' de gigante rumo ao anunciado oitavo título de campeão do mundo.

Notícias sobre triunfos de Loeb no mundial de Ralis são corriqueiras.

O francês é hoje, ironicamente, o maior fator de banalização de si próprio.

Tantas conquistas reforçam a impressão que são fáceis de alcançar.

Adensam o sentimento que Séb quase está 'obrigado' a ganhar.

E no entanto a concorrência é hoje mais aguerrida que nunca, sobretudo provinda de Ogier, perfilado como um dos mais duros obstáculos [e foram vários...] que Séb-Lo já encontrou na sua carreira.

O campeão do mundo tem no seu homónimo companheiro de equipa um adversário temível, fortíssimo em todos os Ralis, muito regular, eficaz em qualquer tipo de terreno.

O desporto vive de uma relação causal entre desafios e respostas a eles.

Nessa medida, Loeb tem de novo vindo a ser particularmente afirmativo na presente temporada.

Quando o cenário se apresenta complicado, o campeão do mundo lança no terreno de jogo um arremedo de excelência.

Quando abrir a estrada na gravilha faz recear o pior, Séb está a aplicar com frieza cirúrgica puras pinceladas de talento.

Há nele uma reserva de galvanização que, mesmo nos momentos mais problemáticos, consegue colocá-lo na rota dos melhores resultados.

Os críticos enfatizam a condução 'científica' e algo 'cartesiana' de Loeb, avessa a improvisações e experimentalismos.

No entanto a época de 2011 tem vindo a revelar a face emocional do alsaciano, com o piloto da Citroen a dar nota de preterir o calculismo em favor de um estado latente de superação.

Os bons casamentos cultivam-se com autenticidade e com a capacidade de surpreender.

Nesse sentido o estado de enamoramento entre Loeb e os Ralis continua de tal forma intenso volvidos todos estes anos, que pode passar a figurar nos compêndios como o idílio perfeito.



A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:-
- http://geartinggi.com/

segunda-feira, 25 de julho de 2011

P.E.C. Nº 81: Os gloriosos Maluch das máquinas voadoras!...



No futebol há o Barcelona, o Manchester United, o Milan, o Inter, ou o Real Madrid: para consumo interno temos o Benfica, o Porto e o Sporting.

Na arte de pontapear o esférico brilham à escala planetária Messi, Ronaldo, Neymar, Iniesta, Rooney, Pato ou Eto'o: por cá são ídolos Luisão, Aimar, Falcão, Hulk, entre vários outros.

Nos Ralis há a Citroen, a Ford e a Mini.

Dentro de algum tempo, também a Volkswagen.

Na arte de conduzir absolutamente no limite evidenciam-se Loeb, Ogier, Latvala, Hirvonen e Solberg: entre muros lusos notabilizam-se Armindo, Bernardo e Bruno.



Aludimos ao futebol por ser nossa convicção que, enquanto fenómeno de massas, ele não é apenas feito dos grandes clássicos da 'champions league': por esse mundo fora há milhares de ‘campeonatos distritais’ [ou conotados como tal...], jogados na rua ou em campos pelados capazes de esfolar joelhos e cotovelos ao mais empedernido praticante, completamente desconhecidos do grande público mas que não deixam por isso de ser também futebol.

Nos Ralis, para além dos mediáticos WRC e IRC, há de igual forma competição sob as mais diversas formas e feitios, muita dela diversificada e repleta de interesse.

Entre 1973 e 2000, alguns dos países do denominado bloco de leste, nomeadamente a Polónia e a antiga Jugoslávia, produziram e popularizaram na Europa oriental os automóveis que nos habituámos a conhecer a ocidente sob a designação Fiat 126.

O pequeno utilitário italiano era carinhosamente alcunhado por aquelas bandas como 'Maluch' [numa tradução livre significará 'o puto', glosando as suas exíguas dimensões].

No referido período fabricaram-se ali mais de três milhões destes automóveis.



Eram carros construídos à imagem e medida do ideal político de onde provinham: baratos, assentes na rigidez e austeridade conceptual, sem luxos de qualquer espécie que pudessem prefigurar um inadmissível desvario capitalista.

A guerra fria não permitia veleidades do lado de lá do muro de Berlim: enquanto na Europa ocidental o automóvel era um bem democratizável e massificado, funcionando como uma das mais admiráveis formas de afirmação da liberdade individual, nos países do bloco de leste os carros eram tidos como um mero meio de locomoção, nada propensos a itens como a ergonomia, o conforto ou a segurança.

Com os novos ventos políticos, económicos e sociais que foram soprando um pouco por todo velho continente, e com a abertura de um espaço europeu alargado também à região outrora 'inimiga', o 'Maluch' [deve pronunciar-se 'Malux'] foi naturalmente perdendo relevo em detrimento de automóveis mais modernos e melhor construídos, com o decorrer do tempo a guindá-lo à condição de um objeto de semiculto.

A matriz do desporto automóvel nos países da Europa oriental continua, ainda hoje, a passar em larga escala pelo aproveitamento de carros algo 'improváveis' para competição.

Nessa medida, o 'Maluch' foi sendo requalificado com vista à sua utilização no desporto automóvel, tornando-se os baixos encargos de aquisição e manutenção a base da sua popularidade, sobretudo no drifting e nos Ralis.



Pode-se perceber pelas imagens que seguem alguma dificuldade do 'Maluch' em se ambientar a um espaço distinto do seu habitat natural [a cidade, a baixa velocidade, o pára-arranca, o estacionamento em espaços exíguos].

Pouco dado a grandes exuberâncias de potência, o pequeno bólide presta-se contudo a algumas travessuras quando em curva, obrigando o piloto a 'dar-lhe a mão' para que não 'tropece'.

O seu cantar mais parece um melódico chilrear do que propriamente o rugido feroz dos melhores carros de Ralis.

No contexto do automobilismo em alguns países e realidades, o 'puto' marca a sua presença afirmando a sua maneira de ser.

Muitos 'putos' juntos em prova, quem sabe não poderão até 'parecer bandos de pardais à solta', remetendo para a intemporal estrofe do poema escrito por Ary dos Santos, imortalizado pela voz de ouro de Carlos do Carmo.

[Nota: a alcunha 'Maluch' popularizou-se de tal forma na Polónia desde o início da produção do carro em 1973, que a partir de 1997 viria a tornar-se a designação oficial do mesmo].





AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.gtaforums.com/index.php?showtopic=452529&st=20
- http://www.flickr.com/photos/eplusm/4029515113/
- http://www.rally24.com/rally-cars-for-sale/126p-rally-20710.html
- http://www.gtplanet.net/forum/showthread.php?t=111477&page=18

domingo, 24 de julho de 2011

P.E.C. Nº 80: O que é um carro de Ralis?



A pergunta em título pode, num primeiro momento, parecer descabida.

Pensar num carro de Ralis pressupõe, quase sempre, fazer a representação mental de um automóvel carregado de potência, com proeminentes apêndices aerodinâmicos, caixas sequenciais com comandos no volante, diferenciais eletrónicos ou sistemas de controlo de travagem e tração: em suma, tudo o que um vulgar carro do dia-a-dia não é!

Olhar para os Ralis apenas na perspetiva dos WRC ou dos S2000, além de redutor tem algo de preconceituoso.

Qualquer automóvel pode, com alterações de pequena monta capazes de incrementar a segurança, ser um carro de Ralis.

Nesse sentido, a modalidade é democrática: à partida, todos os carros são iguais e a todos pode ser concedida a oportunidade de participar numa competição em estrada aberta, regulamentos segregacionistas à parte.

Grande fatia da popularidade deste desporto advém, aliás, de praticamente a todos os condutores do planeta ser permitido transformar o seu carro próprio numa viatura apta a fazer Ralis.

Um bom e bem organizado Rali, por princípio inclui diversidade de carros nas suas listas de inscritos, devendo ser plural e magnânimo nas oportunidades que nessa matéria oferece.

O vídeo que segue expressa precisamente essa noção de pluralidade.

Ensina que existe toda uma pureza e autenticidade de competições em estrada aberta, espalhadas pelos mais diversos pontos do planeta, que está muito longe de se esgotar nas provas do campeonato do mundo.

O que pode ser, em suma, um carro de Ralis?

Tudo o que quisermos e a nossa imaginação permitir!

É essa a chave para chegar ao mapa genético deste desporto.


A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.confhoteltravel.hu/incoming

terça-feira, 19 de julho de 2011

P.E.C. Nº 79: Rir é o melhor remédio!



Há dez anos atrás viviam-se bons tempos no nacional de Ralis.

A modalidade conseguia, ao tempo, produzir um admirável melting pot de motivos de interesse, capaz de despertar as atenções gerais.

Nas passerelles em asfalto e gravilha deste país, exibiam-se então, entre outros, quatro carros da categoria WRC, vestindo as criações de três marcas distintas, alguns deles com o cunho oficial ou semioficial.

Vários dos nossos mais qualificados pilotos e navegadores, terçavam armas pelos troços dos quatro cantos do país.

A disputa pelas melhores posições em cada uma das categorias ou troféus era, em cada Rali, férrea e apertada.



O contexto, em suma, reunia todos os ingredientes para potenciar o espetáculo e a perspetiva de ver carros emblemáticos a ser conduzidos no limite era, portanto, assaz irrecusável.

O Campeonato Nacional de Ralis [o leitor perdoará a nossa deriva purista, mas ainda é sob esta designação que nos habituamos a identificar a competição, não trazendo qualquer valor acrescentado, em nossa opinião, as sucessivas renomeações que foram sendo introduzidas nos últimos anos, toldando a sua identidade própria] vivia anos de franca afirmação, galvanizando os agentes direta ou indiretamente ligados à modalidade.

A somar a todos estes aspetos, uma ambiente de sã rivalidade funcionava como o mais eficaz catalisador para os interesses antagónicos em disputa.

Contudo, não obstante o que acima se escreveu [sobre tempos que constituíram exceção], a história dos Ralis em Portugal demonstra genericamente que o CNR sempre se viu a braços, em maior ou menor escala, com problemas 'sistémicos' de falta de verbas.

Ao contrário de diversos outros campeonatos congéneres, a experiência ensina terem sido raras as ocasiões em que se sedimentou na modalidade uma cultura de sponsorização digna desse nome, virada para promover o mérito e qualidade.



O nacional de Ralis desenvolveu-se no tempo como uma metáfora do próprio país, ao sabor da arte e engenho, sem planificação a prazo.

A falta de estabilidade regulamentar decorrente de uma estranha vocação federativa para a mera navegação à vista, é hoje, como foi sempre, o desafio maior que os Ralis portugueses carregam sobre os ombros.

As responsabilidades, não assumidas, disseminam-se por vários quadrantes, no costumeiro e tão lusitano 'jogo do empurra'.

Colocando de parte matérias de natureza política sobra, sempre sobrou, a modalidade e o melhor que ela pode oferecer: carros, equipas e pilotos.



O CNR, não se podendo dizer que tenha sido ao longo dos tempos um 'campeonato pobre', sempre se caracterizou por ser um 'campeonato remediado' longe da filosofia de algum automobilismo, sobretudo da F1 e do seu pomposo 'continental circus', pejado de vedetas prenhes de importância, egos insuflados e opulência canhestra.

O CNR, se nos é permitida a comparação, longe da produção grandiosa de um 'circo' será talvez como um grupo de 'saltimbancos' que chega junto das populações com magia simples [a mais bela...], humor espontâneo e natural.

O excerto de imagens que de seguida publicamos reporta-se ao rescaldo do Rali Rota do Vidro de 2001.

Como se pode constatar, o conceito de rivalidade dissolvia-se com a entrada dos carros no Parque Fechado.



Ao 'combate' sem tréguas nas classificativas, os antagonistas descontraidamente equilibravam os pratos da balança ao encerro das hostilidades, tornando-se a espaços verdadeiros compinchas.

É disso, da capacidade de separar as águas destrinçando competição e camaradagem, que cuida o vídeo que segue.

Arriscaríamos apostar a identidade do orquestrador da coreografia que apresentamos de seguida.

Um exercício simples, quase lógico.

Com Pedro Matos Chaves por perto, pode(ria) alguém ficar mal-humorado?

video

AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=731&start=13
- http://speedsin.com/sportmotores/viewtopic.php?f=8&t=2317&start=0
- http://rallyazores.blogspot.com/2010/05/rally-historia-rally-de-portugal-2001.html
- http://www.peugeot.pt/palmares-da-equipa/
- http://olhares.aeiou.pt/pedro_matos_chaves_foto1620456.html

domingo, 17 de julho de 2011

P.E.C. Nº 78: Prof. Dr. Fernando Peres...



Embora participem intensamente nos Ralis, neles investindo muito do seu tempo, os pilotos têm vida além das classificativas.

Não é hábito as nossas estações de televisão, sobretudo a de cariz público, ir mais além que o mero [os críticos acrescentariam: ...e estritamente indispensável...] conteúdo noticioso dos Ralis, focado quase em exclusivo nas incidências e resultados de cada prova.

Nem sempre foi assim.

Nos tempos áureos, o Rali de Portugal lograva a cada edição conquistar bastante tempo de antena.

A cobertura televisiva era ampla: a RTP colocava em campo um conjunto considerável de meios para que o espetador não perdesse pitada sobre o desenrolar do evento.

A estação pública, arriscamos afirmá-lo, tinha no Rali um dos momentos televisivos do ano, nele fazendo uma aposta forte num serviço de qualidade.

À época, era frequente sermos brindados em casa com reportagens como aquela que mostramos de seguida, até porque havia a notória intenção de, em discurso direto, dar voz e ênfase aos protagonistas.

Fernando Peres, tricampeão nacional de Ralis [94, 95 e 96], era em 1997 um dos mais altos nomes no firmamento dos Ralis em Portugal, mercê de uma carreira construída a pulso e de forma sustentada a partir do agrupamento de produção [campeão em 1991 e 1992 e, mais tarde, em 2004 e 2005], com passagem também pelos circuitos fechados nas corridas de velocidade.

Havia, contudo, 'outro Peres' além do talentoso piloto de Ralis: alguém exigente consigo próprio, metódico e disciplinado, que se afirmava academicamente e partilhava o seu saber, colocando também em prática as suas competências na exigente bacquet... de médico-ortodontista!

Além da destreza ao volante, a perícia e precisão manual de Fernando estendia-se de igual forma à meticulosa tarefa de corrigir irregularidades dento-faciais.

A abnegação viria a ser o caderno de notas que guiou a sua forma de estar na competição.

A verticalidade colocada em cada Rali que disputou, viria a nortear a sua carreira.

Ainda hoje, quando participa ocasionalmente em algumas provas, quase arriscaríamos antecipar que Peres parte para cada classificativa disposto, como antes, a dar o seu melhor superando a concorrência.

Em mente, sempre os adversários: não tanto através da expressão 'olho por olho', mas quem sabe, atento o que escrevemos atrás, focado na máxima 'DENTE por DENTE'!...


A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.ralisasul.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=1449&start=26

domingo, 10 de julho de 2011

P.E.C. Nº 77: Este nosso 'vício' e 'dependência'...



Existem pessoas cujo interesse pelos Ralis decorre de fatores que pouco têm a ver com a competição propriamente dita.

Há quem vá às provas por mero gaudio de estar no meio de multidões.

Há quem se desloque aos troços na expetativa de poder presenciar um acidente aparatoso.

Há, também, quem presencie Ralis pelo prazer de tirar uma boa foto ou captar uma imagem espetacular.



Os Ralis são, é certo, também tudo isso.

Porém, seria redutor perspetivá-los apenas por esse prisma.

Em baixo, nas imagens que partilhamos com os nossos visitantes, visionamos uma súmula feliz daquilo que são os Ralis:

- Situações caricatas, dignas de um qualquer programa de vídeos cómicos;



- A destreza necessária para controlar o escorregar de um carro a alta velocidade;

- O suplemento de alma indispensável para voar metros a fio após uma lomba, sem se poder prever como será a aterragem no chão;



- O barulho de um motor em alta rotação a ecoar no meio da floresta, anunciando a chegada do bólide;

- A tenacidade de prosseguir em prova, após um acidente de proporções consideráveis;

- O sentimento de partilha, quase litúrgico, de emoções por parte do público;



- O equilíbrio, reflexos e coordenação motora capaz de fazer um piloto reagir numa fração de segundo a um momento imprevisto;

- Entre outros, o Porsche;

- Entre outros, o Audi Quattro;

- O som orquestral do Porsche e do Audi Quattro;

- Entre outros, Fafe;

- Entre outros, Sintra.

Este maravilhoso turbilhão emocional de que são feitos os Ralis, potencia e apura os nossos sentidos.

Estar nos Ralis, presenciar Ralis e, na nossa modesta condição de meros aficionados, 'pertencer' aos Ralis é a nossa energia vital.

É que esta modalidade, não descaracterizando a nossa maneira de ser nem modificando os nossos traços de personalidade, altera-nos do ponto de vista psicossomático.

Somos confessos 'adictos' sem perspetivas de 'recuperação' no horizonte.

Vamos todavia mantendo a intenção deliberada de continuar a viver com este 'vício'.

As imagens seguintes ajudam a compreender porquê...


AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO, FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.maxrally.com/galleries/entry/rally_of_portugal_preview_-_mckleins_top_10/#/images/galleries/100521_portugal_preview/10780_800304P Fords 3.jpg
- http://www.maxrally.com/galleries/entry/rally_of_portugal_preview_-_mckleins_top_10/#/images/galleries/100521_portugal_preview/940_010308P Gronholm 1 rk.jpg
- http://hyppyrally.blogspot.com/2010/12/history-of-world-rally-championship_29.html
- http://hyppyrally.blogspot.com/
- http://www.panoramio.com/photo/23170883

P.E.C. Nº 76: «...e no entanto eles movem-se»: por sinal bem depressa!



Dentro de um carro de Ralis trava-se um duelo com contornos clássicos: pedal do travão versus pedal do acelerador.

O desejável, claro, é que nenhum deles derrote o seu antagonista por nocaute.

O 'combate' só com ambos faz sentido: sem algum deles, aliás, nem sequer há 'combate'.

O espetáculo é admirável quando travão e acelerador estão em 'plena forma'.

O pedal do travão 'golpeia' indistintamente com ambos... os pés do piloto!

Já o acelerador tem um 'punch' poderoso quando aplicado com empenho pelo pé direito de quem conduz.

Na impossibilidade de um ou outro estar sempre, digamos, na 'mó de cima', espera-se que ambos saibam fazer valer a sua lei no momento oportuno para que o 'árbitro', o carro, não saia subitamente do 'ringue'.

Treinar com eficácia os dois pedais para assimilar quando devem 'atacar' e 'defender' só está ao alcance de bons mestres.

Essa sabedoria, quase ancestral, há muito vem encontrando lídimos representantes em paragens finlandesas.

É assumido que aquele país nórdico consegue regenerar-se apresentando sucessivas gerações de pilotos extraordinários.

O aparecimento dos finlandeses voadores no firmamento dos Ralis confunde-se ele próprio com o desabrochar da modalidade.

Nomes como Rauno Aaltonen, Pauli Toivonen, Simo Lampinen ou Timo Makinen introduziram nos anos sessenta a nota de pioneirismo que os seus [tantos...] compatriotas viriam a confirmar nas décadas seguintes.



A linhagem de campeões oriundos daquele país nórdico tem sido ao longo dos tempos um filão inesgotável.

Recuamos de seguida no tempo, rumo aos primórdios.



Um jovem Mikkola e o consagrado Timo Makinen realizam uma breve mas eficaz prédica sobre condução em Ralis.

Há algo de profundamente genético na forma distendida como, a alta velocidade, por entre uma lomba e diversas árvores, narram a sua condução.



Como se para eles guiar fosse tão inato e natural como respirar.

A concentração necessária para conduzir rápido numa qualquer outra pessoa, dá aqui lugar à bonomia e total descontração.

Fariam eles, os flying finns, o ponta-tacão ou correções de volante já na barriga da mãe?...


A ORDEM PELA QUAL DISPOMOS AS FOTOS NO PRESENTE TRABALHO, DEVERÁ SER ACOMPANHADA DA SEGUINTE LEGENDAGEM:
1) Pauli Toivonen e A. Jarvi no Rali de Monte Carlo em 1963.
2) Rauno Aaltonen.
3) Juha Kankkunen - ao centro -, Simo Lampinen - à direita -, com Miki Biasion.
4) Timo Makinen - à esquerda -, Paul Easter - à direita -, e o 'Mini Cooper S' vencedor do Rali de Monte Carlo em 1965.

AS FOTOS EXIBIDAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://saladasmaquinas.blogspot.com/2009/12/mike-silva-doa-receita-de-livro-para.html
- http://www.clubminicooper.com/noticat.htm
- https://picasaweb.google.com/quido.rally/Rallylegend2008#5258562005328712818
- http://rallymemory.blogspot.com/2010/10/pre-70s.html

sexta-feira, 8 de julho de 2011

P.E.C. Nº 75: ...e para terminar, tempere com Sal(onen) q.b...



São raras as ocasiões em que podemos espreitar o interior de um ‘Grupo B’: na época em que estes automóveis competiam não estavam massificadas, como hoje, as imagens colhidas dentro dos carros de Rali.

De seguida, no filme que abaixo exibimos, Timo Salonen mostra-nos a arte em que se notabilizou: a de ‘amestrador’ de ‘animais selvagens’.

Nos anos oitenta, o campeonato do mundo de Ralis exercia nos quatro cantos do mundo um fascínio proporcional à potência dos carros em competição.

Protagonistas como Alen, Vatanen ou Rohrl, além dos dotes de condução surgiam-nos como portadores dum magnetismo quase hollywoodesco.

A sua aura glamourosa, o seu visual ‘cinematográfico’, elevavam-nos à condição de ícones.



Eram ídolos de juventude de toda uma geração entusiasmada com as suas proezas ao volante dos monstros sagrados denominados ‘Grupos B’.

Como é natural nestas coisas, havia também lugar aos anti-heróis.

Timo Salonen, menos carismático e mais reservado que os seus pares, surgia como uma espécie de ‘patinho feio’ dos Ralis.

Tímido, pacato, com uma fisionomia a dever bastante aos cânones da beleza, o finlandês era mediaticamente colocado num patamar inferior quando comparado com os seus principais rivais da época.

Os óculos largos e a qualidade fumador compulsivo eram a sua marca distintiva, o seu traço de autenticidade.



Os ‘anos Nissan’ haveriam de revelar o talento enorme de Timo.

A forma como domava com mestria os carros da marca nipónica dava nas vistas.

Jean Todt, sempre arguto, vislumbrou a sua qualidade recrutando-o para a equipa Peugeot em 1985.

Após um período inicial na sombra de Vatanen, na sequência do pavoroso acidente do seu colega de equipa na Argentina Salonen seria chamado à responsabilidade de liderar as altas ambições da armada gaulesa.

Não desmereceu a confiança depositada, acabando, com mérito e brilhantismo, por conquistar o seu primeiro e único título de campeão do mundo nessa mesma temporada.


Onze vitórias em provas do campeonato do mundo aliadas a 24 pódios, 256 vitórias em classificativas e um total de 528 pontos averbados, ficam como o seu registo pessoal para a história.

De seguida vemos Timo em ação na edição de 1985 do Rali da Acrópole.

Trata-se de uma viagem testemunhal às entranhas de um ‘Grupo B’.

Banidos do campeonato do mundo no final de 1986, estes carros alcançaram um estatuto ímpar ao ultrapassarem os limites da racionalidade humana.

Constituíram-se, com o tempo, como símbolo privilegiado do desejo do homem em superar-se a si próprio.

A sua potência não era controlável à luz do conhecimento que a engenharia mecânica possuía à época.



Pneus, suspensões, caixas de velocidade ou transmissões eram incapazes de domar com eficácia tantos cavalos.

Daí que aqueles bólides fossem em determinadas ocasiões quase inguiáveis.

O mandamento primeiro de quem pratica automobilismo, a capacidade de esmagar sem pruridos o acelerador, dava agora lugar a uma espécie de suave sapateado sobre o pedal do lado direito sempre que se chegava a uma reta.

A besta não podia ser cutucada a tratos de polé.

O segredo era afagá-la de forma subtil.

É ao fim ao cabo sobre a arte de extrair eficazmente todo o potencial de um ‘Grupo B’, que se reportam as imagens que seguem.


AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.forum-auto.com/automobile-pratique/modelisme-modeles-reduits/sujet9008.htm
- http://www.ilkansivu.net/NesteRally2002/EK_09n_jalkeinen_huolto_083_Timo_Salonen_lahdossa_huollosta.jpg
- http://www.f1zone.net/viewtopic.php?f=152&t=5833&start=525
- http://rallymemory.blogspot.com/2011/06/rallye-cards_17.html