quarta-feira, 31 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 94: InveSTIG agora mesmo!



O piloto de Ralis vive por norma intensamente o seu desporto.

À partida, ele recusa a aposentação definitiva do exercício de condução contra o cronómetro: quando muito, permanece em regime de reserva.

Essa ética de princípios algo ‘militar’, fundada no dever de função, leva-o a regressar ao teatro de operações [leia-se troços] sempre que o contexto o justifica ou assim o proporciona.



Stig Blomqvist teve nos Ralis uma carreira de longevidade ímpar, marcada precisamente por inúmeros regressos à modalidade após [curtos] períodos de interregno.

General da mais elevada patente, o campeão do mundo de Ralis de 1984 nunca recusou um bom ‘combate’, mesmo nos anos em que a sua destreza já havia conhecido maior fulgor, mesmo quando as ‘armas’ que em algumas ocasiões manuseou estavam aquém do ‘arsenal bélico’ dos seus contendores.



Nos anos oitenta Blomqvist, sueco, afirmava-se como um contrabalanço quase solitário ao poderio da equipa de finlandeses voadores, seus vizinhos, que encantava mundo.

Além do mais, o piloto de Örebro afastava-se em toda a linha do arquétipo como em Portugal, à época, se descrevia os seus compatriotas: Stig não era ‘alto’, não era ‘louro’ [pelo contrário exibia até uma calvície algo latina] e de ‘tosco’, então, é que não tinha rigorosamente nada.

Foi, nas loucas batalhas dos Ralis da década de oitenta, um dos mais destacados artilheiros da temida ‘infantaria Audi’.



Os Ralis impõem códigos de conduta que não se coadunam com deserções no doce remanso do sofá.

Tal como Walter Rohrl [vd. nossa P.E.C. Nº 36], também o velho Stig não resistiu ao chamamento que o seu antigo regimento da Audi lhe formulou para voltar ao palco de algumas das mais épicas batalhas de que há memória nos Ralis: os campos entrincheirados do Turini.

É do retorno deste velho guerrilheiro nórdico ao bólide que o guindou à condição de herói, qual 'chaimite' símbolo de uma revolução operada nos Ralis corria o ano de 1980, que se referem as imagens que seguem.



AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.independent.co.uk/life-style/motoring/motoring-news/f1s-ecclestone-joins-bid-to-buy-saab-1861628.html?action=Gallery&ino=2
- http://rallymemory.blogspot.com/2010_10_01_archive.html
- http://rallymemory.blogspot.com/2010/11/temporadas.html
- http://www.wrc.com/drivers-and-teams/drivers-hall-of-fame/

terça-feira, 30 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 93: Nenhures existe; fica ali para os lados de Tojeira!



Que o Rali de Portugal foi [e é..] fértil em passar pelos locais mais isolados do nosso país, já o sabemos.

Sobre essa interação entre máquinas carregadas da mais espantosa tecnologia e o denominado Portugal profundo, já dedicamos diversas linhas neste mesmo espaço.

O lugarejo de Tojeira é muito pequeno.

Pequeníssimo, para sermos rigorosos [alturas há em que o recurso ao advérbio de grau superlativo é irresistível...].

Tão pequeno que quase faz de Linhar de Pala [vd. P.E.C. Nº 69] uma espécie de megametrópole.

O sítio oficial da Câmara Municipal de Mortágua é, aliás, particularmente elucidativo na descrição que faz:

"Tojeira, o seu topónimo é originário de tojo, regionalmente conhecido por tojeiro. Pequena aldeia, atualmente habitada temporariamente por três habitantes. Com grandes potencialidades turísticas conferidas pelo seu enquadramento paisagístico e pela presença de xisto, arranjos na área envolvente da capela e da romaria. No terceiro domingo de Maio celebra se a Nª Sr.ª do Bom Sucesso, que atrai milhares de fiéis ao local. Esta é uma das maiores romarias do concelho."

O fascínio do Rali de Portugal por aldeias recônditas foi desde o início um dos seus modos de ser.

Não é de surpreender, portanto, que Tojeira ficasse também ligada à prova quando a partir de meados dos anos noventa ali se cumpriram, em ambos os sentidos, as classificativas de 'Vila Pouca', 'Mortazel' e 'Mortazel/Mortágua' [1995; 1997 a 2000].

Hoje, o local mostra ter sido alvo de obras de beneficiação: um lifting de alcatrão e calçada capaz de amenizar a rigidez sofrida do seu isolamento.



A visita, para quem goste da imponência das paisagens e tenha o binóculo como ferramenta inseparável, vale garantidamente a pena.

O acesso [agora] em alcatrão pelo meio de eucaliptais outrora sulfatados de poeira pelos carros de Rali, a realizar no cruzamento ao quilómetro 64,5 da Estrada Nacional 228 [ligação Mortágua/Campo de Besteiros/Vouzela], é bastante simples e recomendável.

Lá do alto, a partir de Tojeira os olhos alcançam muitos quilómetros a perder de vista: A Serra da Estrela, o Monte Trevim na Lousã e, incontornável, os Penedos Altos, aquele sítio onde para se tocar no céu tem primeiro de se subir um lanço de ganchos...

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O EXCERTO DE FILME PUBLICADO NO PRESENTE TRABALHO, REFERENTE AO RALI DE PORTUGAL DE 1998, FOI OBTIDO EM:
- http://www.youtube.com/watch?v=8m8sRzNSFOg

AS FOTOS EXIBIDAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?mode=thread&fokey=as.stories/83035&va=514768&p=stories&op=view#514768

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 92: Pedra sobre Pedra '2'!



Na P.E.C. Nº 57 deste blogue, publicámos um breve trabalho fotográfico alusivo à ponte de pedra da antiga e emblemática classificativa de Viseu, enquadrada no contexto do Rali de Portugal.

Voltamos agora ao tema, desta feita para ilustrar com imagens do Rali de Portugal de 1998 [vd. nossa P.E.C. Nº 20] a passagem dos diversos bólides pelo local, sito nas imediações da povoação de Bertelhe.

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AS IMAGENS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.youtube.com/watch?v=8m8sRzNSFOg

sábado, 27 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 91: Apontar ao «Centro»...



A menos de três semanas da sua realização, começa a conhecer-se alguns pormenores sobre a edição de 2011 do «Rali Centro de Portugal». Algumas notas sobre a prova:

- Da esquematização proposta pelo C.A.M.G., pensamos ser de destacar o sinal pragmático que a equipa liderada por Nuno Jorge dá no intuito de compactar a prova num só dia. O contexto atual é reconhecidamente complexo. Como frisamos em ocasiões anteriores, afigura-se-nos que os Ralis a contar em exclusivo para o C.P.R. não se podem permitir alongar em vários dias. A organização da prova compreendeu-o, indo de encontro às necessidades orçamentais de equipas e pilotos.

- Abandonado o figurino que, até 2008, traçava este Rali de maneira bipartida entre a Marinha Grande [o seu centro nevrálgico histórico] e a região de Castanheira de Pera, o C.A.M.G. volta a inovar. Para a próxima edição da prova, além da clássica zona das matas nacionais em São Pedro de Moel e das especiais perto de Leiria [utilizadas em 2009 e 2010], a aposta incide em duas novas e inéditas classificativas: Carnide [7,7 kms] e Mata Mourisca [16,5 kms] confirmam a admirável capacidade que o clube da Marinha Grande demonstra na prospeção de novas possibilidades de troços, reinventando em permanência o seu Rali, apresentando aos concorrentes um fator de novidade que é sempre de aplaudir e levando de premeio a prova a novos públicos.

- Da análise que fazemos do formato do «Rali Centro de Portugal», versão 2011, sobressai a preocupação que a direção de prova parece ter tido no intuito do público poder seguir a prova nas suas múltiplas incidências. A nova filosofia, feliz, terá sido contrariar a tendência de ‘estancar’ os adeptos nas classificativas, procurando gizar o Rali de molde a que seja possível seguir os concorrentes pela grande maioria dos troços que compõem a prova. O espacejamento de horários entre as quatro rondas de especiais contra o cronómetro, permitirá que os adeptos assistam sem complicações a pelo menos oito passagens dos carros.

- Sem se conhecer ainda a lista de inscritos definitiva para esta edição do «Centro de Portugal» [que dificilmente escapará aquilo que tem vindo a ser o padrão nas demais provas da presente temporada disputadas até ao momento], o C.A.M.G. parece motivado em propor um Rali adequado às necessidades de quem compete, olhando para o público como um vetor fundamental no contexto da sua prova. Não tendo o dom de adivinhar o futuro, desconfiamos que poderá partir daqui, do desenho do «Rali Centro de Portugal/2011», a bitola organizacional para as provas de estrada nacionais nos próximos anos.

«RALI CENTRO DE PORTUGAL/2011»:

ELEGIBILIDADE: Campeonato de Portugal de Ralis / Regional Centro.
DATA: 17 de Setembro de 2011.
ORGANIZADOR: Clube Automóvel da Marinha Grande.
QUILOMETRAGEM TOTAL DAS CLASSIFICATIVAS: 109,06 kms.
QUILOMETRAGEM TOTAL DA PROVA: 325,71 kms.

HORÁRIO DA PROVA:

10h00 - PEC 01 - Caranguejeira 1
10h30 - PEC 02 - Matas/Espite 1
11h30 - PEC 03 - Caranguejeira 2
12h00 - PEC 04 - Matas/Espite 2

15h00 - PEC 05 - Carnide 1
15h30 - PEC 06 - Mata Mourisca 1
16h30 - PEC 07 - Carnide 2
17h00 - PEC 08 - Mata Mourisca 2

19h20 - PEC 09 - Canto do Ribeiro 1
20h30 - PEC 10 - Canto do Ribeiro 2

21h30 - PEC 11 - SE São Pedro de Moel 1
22h00 - PEC 12 - SE São Pedro de Moel 2
















O LOGOTIPO DO RALI «CENTRO DE PORTUGAL/2011» FOI OBTIDO EM:
- http://www.camg.pt/

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 90: O 'menino amado' de Joana Martins...



Durante anos a fio o IP5 constituiu-se como um dos mais importantes eixos rodoviários portugueses.

Elo privilegiado de ligação a Espanha, a estrada foi adquirindo relevância estrutural no âmbito da entrada e saída de pessoas e mercadorias do nosso país, capaz de fazer a ligação entre a orla costeira [Aveiro] e o interior raiano [Vilar Formoso].

O IP5 ‘rasgava’ Portugal na horizontal, distinguindo-se pela grandeza paisagística de vários pontos do seu percurso.

Mas foram também muitas as ocasiões em que abriu telejornais pelo seu elevadíssimo índice de sinistralidade.

Amálgamas de chapa retorcida, corpos prostrados no chão, vidas humanas perdidas para sempre são imagens que ficam indelevelmente ligadas à história trágica desta rodovia, mal desenhada e pior sinalizada, repleta de pontos negros em boa parte da sua extensão.



A relação dos Ralis com o IP5 pauta-se todavia por finais bem mais felizes.

No contexto das provas nacionais, designadamente em várias edições do saudoso Rali Dão/Lafões, de mão dada com a referida estrada havia um cruzamento em forma de gancho à esquerda que reunia a preferência generalizada de adeptos para ver a passagem dos carros.

Esta curva foi-se afirmando como uma das imagens de marca da prova, verdadeiro ex-libris das classificativas desenhadas nas serrarias em redor da vila de Vouzela.

O IP5, debaixo da sua capa de austeridade, parece ainda hoje acolher paternalisticamente este gancho.

Nesse sentido, talvez então a Joana Martins, a pequena povoação sobranceira ao local, caiba o papel de embalar a curva em causa no seu doce regaço, amparando-a com verdadeiro carinho maternal.



RALI DÃO/LAFÕES:

1 9 9 9:

ADRUZILO LOPES/LUÍS LISBOA [Peugeot 306 Maxi]:
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PEDRO MATOS CHAVES/SÉRGIO PAIVA [Toyota Corolla WRC]:
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2 0 0 0:

ADRUZILO LOPES/LUÍS LISBOA [Peugeot 206 WRC]:
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PEDRO MATOS CHAVES/SÉRGIO PAIVA [Toyota Corolla WRC]:
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MIGUEL CAMPOS/CARLOS MAGALHÃES [Mitsubishi Carisma GT]:
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JOSÉ PEDRO FONTES/NUNO RODRIGUES DA SILVA [Fiat Punto Kit Car]:
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2 0 0 3:

MANUEL AMARAL/LEANDRO VELOSA [Skoda Fabia 1.9 TDI]:
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 89: Bacalhau à Rali!


[JUHA KANKKUNEN/NICKY GRIST, Toyota Celica Turbo 4WD: 4 de Março de 1994]

Dizem os entendidos em matéria gastronómica haver mil e uma maneiras de confecionar bacalhau.

O ‘fiel amigo’, como sabemos, é presença assídua à mesa das famílias portuguesas, constituindo um pilar secular nas tradições alimentares do nosso país.

Um terço do pescado comercializado em Portugal é bacalhau: somos, aliás, o maior consumidor mundial per capita do também denominado ‘pão dos mares’.

Pode-se dizer que os Ralis tiveram no passado um gosto muito especial por bacalhau: pelas ‘piscinas do Dr. Bacalhau’.

José Bacalhau, antigo médico e professor universitário, era natural do lugar de Louçainha, concelho de Penela.

Ensina a história ter sido um homem de enorme apego às suas raízes e benemérito local.

Empenhado na promoção da região que era a sua, nos anos cinquenta e sessenta do século passado procurou implementar uma série de ideias com vista ao desenvolvimento daquelas paragens.

Dos vários projetos por si idealizados, o mais ambicioso terá sido a construção de um hotel em plena Serra do Espinhal, nunca concluído por falta de apoios financeiros, num processo que, aliás, se arrasta até aos dias de hoje.

Das suas várias outras ideias que tiveram desfecho feliz, uma delas foi precisamente as ‘piscinas’, as quais, em jeito de tributo e agradecimento, ficariam até hoje imortalizadas com o seu apelido.

No intuito de servir as populações suas conterrâneas e trazer visitantes à terra de onde era natural, José Bacalhau haveria de construir perto de Louçainha umas piscinas naturais, beneficiando de um curso de água limpa e cristalina que por ali passava.

O seu projeto vingou no tempo, tendo sido alvo de melhoramentos com o decurso dos anos que hoje dão corpo à praia fluvial da Louçainha, emblemática no contexto da região onde está edificada.

Era precisamente aí, nas 'piscinas', que se encontrava a tomada de tempos final da classificativa Lousã/Relvas [vd. P.E.C. Nº 83 deste blogue] que tantas e boas recordações traz a pilotos e adeptos, local que se viria a notabilizar pelos diretos que a RTP ali fez em algumas edições do Rali de Portugal.

Muitos se recordarão, estamos em crer, do magnífico espelho de água [afinal uma pequena represa, hoje votada a um certo abandono como a foto abaixo publicada assim o atesta, pensamos destinada a regas agrícolas e apoio ao combate dos incêndios florestais] sobre o qual os carros pareciam planar após a descida da Serra da Lousã.

Fotos de antologia e imagens televisivas imortalizaram esse Portugal longínquo, projetando-o à escala mundial.

O Dr. Bacalhau nunca terá imaginado que o bucolismo das suas ‘piscinas’ ficaria ironicamente ligado a carros barulhentos e muita poeira no ar.

Há muitos anos que não nos perdíamos por aquelas paragens.

Este verão fizemo-lo, colmatando tal lacuna.

Não necessariamente por causa da canícula estival…


[Foto datada de 2 de Agosto de 2011]

1 9 9 4:
- PAVEL SIBERA/PETR GROSS [Skoda Favorit 136L]:
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1 9 9 6:
- RUI MADEIRA/NUNO RODRIGUES DA SILVA [Toyota Celica GT-Four]:
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1 9 9 6:
- ERWIN WEBER/MANFRED HIEMER [Seat Ibiza GTI 16V]:
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A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/64661

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 88: O verdadeiro 'dream-team'!



Nos anos 80, vinha da Alemanha a prodigiosa equipa Audi, cujo plantel de luxo, recheado das mais cintilantes estrelas, alinhava em campo da seguinte forma [da esquerda para a direita, na foto]:

Fabrizia Pons, Arne Hertz, Björn Cederberg, Stig Blomqvist, Christian Geistdörfer, Walter Röhrl, Michele Mouton e Hannu Mikkola.

Uma verdadeira equipa de sonho, oriunda de um tempo em que ainda não estava em curso a desmaterialização do papel do piloto e navegador, nem os Ralis se venciam com recurso à folha de Excel...

A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.m5board.com/vbulletin/gtboard-com-general-sportscars/
142889-group-b-supercars.html

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 87: Quando a cabeça não tem juízo...



É por vezes estranha a relação que os adeptos mantêm com os Ralis.

Na atmosfera tão especial que se cria em torno da multidão de aficionados que ladeia as classificativas, há sempre sensibilidades distintas e, sobretudo, há formas diferenciadas de assistir ao evoluir dos carros.

A maneira mais sã de estar nas provas é saber prevenir acidentes, percebendo que um despiste pode revestir consequências trágicas.

O passado, aliás, fornece-nos múltiplos exemplos de como o facilitismo feriu ou ceifou vidas a espetadores mal colocados nas classificativas.

Estar num Rali deve ser algo mais que um mero exponenciar de emoções.

Assistir a Ralis é, também, um ato de racionalidade.



O filme que colocamos no presente trabalho reporta-se à edição do Rali Dão/Lafões de 1998.

No troço do Caramulo, Adruzilo Lopes e Luís Lisboa tiveram uma ligeiríssima saída de estrada com o seu Peugeot 306 Maxi, que seria banalíssima não fosse o caso do automóvel ter colhido dois espetadores.

O acidente em causa não teve felizmente consequências de maior.

Mas há, todavia, outra ilação a extrair.

Caso os espetadores em questão não estivessem sentados nos rails de proteção à passagem dos carros, mas antes se colocassem em segurança por trás deles, o desfecho deste episódio teria sido outro, seguramente bem mais positivo.

Daí percebermos a tolerância zero que as organizações frequentemente colocam nos troços, tentando evitar que alguns adeptos andem em roda livre.



O comportamento irresponsável de quem vai aos troços pode ditar a 'morte' de um Rali, potenciando as parangonas mediáticas pelas quais alguma imprensa, mais dada ao sensacionalismo e demagogia, claramente saliva.

É dos domínios do antropológico a necessidade de alguns aficionados manifestarem nos troços uma aparente bravura e coragem que no íntimo se calhar sabem não ter.

Devia ser objeto de estudo o sentido de desafio e transgressão que alguns espetadores empregam, talvez a injeção de adrenalina que quotidianos e vidas banais não possibilitam.

Os Ralis caracterizam-se por ser uma porta aberta, cuja entrada é franqueada a todos.

Nesse sentido, a indigência comportamental não paga bilhete: no limite pode apenas ser policiada.

Confundir entusiasmo com euforia sempre conduziu a excessos, que o passado demonstra serem afinal de contas a face triste daquele que é o mais espetacular desporto do mundo!




AS FOTOS PRESENTES NESTE TRBALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.performanceforums.com/forums/showthread.php?t=67268838

P.E.C. Nº 86: Foto-adivinha!



«Zona-Espectáculo», após centenas de quilómetros amealhados em férias com deslocações a locais emblemáticos dos Ralis em Portugal, repete o desafio: a que classificativa se reporta o gancho que a presente imagem ilustra?

Confiamos que será célere a resposta correta dos nossos leitores...

P.E.C. Nº 85: Duas fotos, uma única classificativa...





O exercício tem já barbas.

Trata-se de fazer a ligação entre as duas margens [a da memória e a do conhecimento] desse grande rio de emoções denominado Rali de Portugal, saltando com precisão e sem enganos as 'pedras fotográficas' por nós colocadas nas P.E.C. nºs 11, 14, 40, 59 e 83, para que tal 'travessia' se possa fazer com rumo certo e sem tormentas de maior.

Renovamos o desafio aos nossos visitantes, colocando novo 'ponto de ancoragem' com a publicação de duas fotos relativas a um antigo troço do Rali de Portugal.

A primeira, uma rápida sequência direita/esquerda.

A segunda, um gancho à direita a descer.

Que classificativa as fotos ilustram?

É o repto que lhe lançamos nesta nossa «P.E.C. Nº 85»...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 84: Ladário...





Mais de treze anos separam as duas fotos que acima publicamos.

A primeira, ilustra a passagem de Richard Burns [a propósito do saudoso piloto inglês, «Zona-Espectáculo» sugere visita à «P.E.C. Nº 70» deste blogue] pela difícil classificativa do Ladário no decurso da trigésima segunda edição do Rali de Portugal, disputada em 1998 [objeto, aliás, de tratamento alargado na «P.E.C. Nº 20»].

A outra foi por nós colhida no decurso do presente mês de Agosto, funcionando como um testemunho visual atualizado do mesmíssimo local.

Trata-se, em suma, de uma longa esquerda já no quilómetro final da classificativa, próximo da bonita povoação de Antelas, que foi ao longo dos anos reunindo preferência de muitos adeptos pela fácil acessibilidade a partir do antigo IP5, mas acima de tudo devido à espetacularidade como os pilotos negociavam a sua abordagem através do desequilíbrio dos bólides durante o processo de travagem [arte bem visível, aliás, no pequeno excerto de imagens que abaixo colocamos], para depois acelerarem convictamente em poderosos mas controlados power-slides.

Não conhecíamos pessoalmente a classificativa de Ladário [um interessantíssimo elo de ligação entre as zonas de Sever do Vouga e Oliveira de Frades, ambas de grande relevo no contexto da história do Rali de Portugal] pelo que corrigimos tal lacuna em recente périplo exclusivo pelo local.

Disputado nos anos setenta e regressado na segunda metade da década de noventa [há pequenas diferenças no percurso da classificativa relativamente a essas duas realidades do Rali de Portugal], o troço do Ladário em 1997 disputou-se em sentido contrário ao que a foto de Richard Burns/Robert Reid acima ilustra, pelo que a longa esquerda no final da classificativa deu então lugar a uma direita logo no seu início, como pensamos, embora sem certezas, documentar a foto que abaixo republicamos, com Kenneth Eriksson/Staffan Parmander aos comandos do Subaru Impreza WRC.



CLASSIFICATIVA: Ladário [em algumas edições do Rali de Portugal teve as designações oficiais de «Ladário/Oliveira de Frades» e «Oliveira de Frades/Ladário»].
PISO: Terra/gravilha.
ANOS EM QUE SE DISPUTOU [Rali de Portugal]: 1974 a 1978, 1995 e 1997 a 1999 [edições em que a prova foi pontuável para o campeonato do mundo de Ralis].

ANO: 1974.
EXTENSÃO: 9.00 kms.

- LADÁRIO '1':
VENCEDORES: Raffaele Pinto/Arnaldo Bernacchini.
CARRO: Fiat Abarth 124 Rallye.
TEMPO REALIZADO: 7m:31s.
MÉDIA HORÁRIA: 71.84 kms/h.

- LADÁRIO '2':
VENCEDORES: Raffaele Pinto/Arnaldo Bernacchini.
CARRO: Fiat Abarth 124 Rallye.
TEMPO REALIZADO: 8m:29s.
MÉDIA HORÁRIA: 63.65 kms/h.

ANO: 1975.
EXTENSÃO: 9.00 kms.
VENCEDORES: Ove Andersson/Arne Hertz.
CARRO: Toyota Corolla.
TEMPO REALIZADO: 7m:57s.
MÉDIA HORÁRIA: 67.92 kms/h.

ANO: 1976.
EXTENSÃO: 9.00 kms.
VENCEDORES: Ove Andersson/Arne Hertz.
CARRO: Toyota Celica 2000 GT.
TEMPO REALIZADO: 7m:22s.
MÉDIA HORÁRIA: 73.30 kms/h.

ANO: 1977.
EXTENSÃO: 9.00 kms.
VENCEDORES: Ari Vatanen/Peter Bryant.
CARRO: Ford Escort RS 1800.
TEMPO REALIZADO: 7m:30.
MÉDIA HORÁRIA: 72.00 kms/h.

ANO: 1978.
EXTENSÃO: 9.00 kms.
VENCEDORES: Bjorn Waldegard/Hans Thorszelius.
CARRO: Ford Escort RS 1800.
TEMPO REALIZADO: 7m:25s.
MÉDIA HORÁRIA: 72.81 kms/h.

ANO: 1995.
EXTENSÃO: 11.43 kms.
DESIGNAÇÃO: «Ladário/Oliveira de Frades».
VENCEDORES: Carlos Sainz/Luís Moya.
CARRO: Subaru Impreza 555.
TEMPO REALIZADO: 8m:07s.
MÉDIA HORÁRIA: 84.49 kms/h.

ANO: 1997.
EXTENSÃO: 11.19 kms.
DESIGNAÇÃO: «Oliveira de Frades/Ladário».
VENCEDORES: Tommi Makinen/Seppo Harjanne.
CARRO: Mitsubishi Lancer Evo 4.
TEMPO REALIZADO: 8m:28s.
MÉDIA HORÁRIA: 79.30 kms/h.

ANO: 1998.
EXTENSÃO: 11.22 kms.
DESIGNAÇÃO: «Ladário/Oliveira de Frades».
VENCEDORES: Colin McRae/Nicky Grist.
CARRO: Subaru Impreza WRC.
TEMPO REALIZADO: 8m:17s.
MÉDIA HORÁRIA: 81.27 kms/h.

ANO: 1999.
EXTENSÃO: 11.26 kms.
DESIGNAÇÃO: «Ladário/Oliveira de Frades».
VENCEDORES: Richard Burns/Robert Reid.
CARRO: Subaru Impreza WRC.
TEMPO REALIZADO: 7m:43s.
MÉDIA HORÁRIA: 87.48 kms/h.


AS FOTOS QUE PUBLICAMOS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/64721
- http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/64731

terça-feira, 2 de agosto de 2011

P.E.C. Nº 83: Seis fotos, um troço...













Renovamos o desafio aos nossos visitantes, já lançado em ocasiões anteriores por altura da publicação das P.E.C. nºs 11, 14, 40 e 59.

A questão, simples, passa por identificar o antigo troço do Rali de Portugal que as anteriores fotos documentam, as quais estão sequenciadas pela ordem do trajeto da classificativa, do início para o seu final.

Pode-se constatar a alternância entre zonas de ótimo piso e outras com gravilha solta bastante demolidora, locais arborizados com outros paisagisticamente mais agrestes, sem esquecer um conjunto de adeptos muito especiais que registamos candidamente a atravessar o troço.

Zona-Espectáculo fica, então, a aguardar a resposta correta a este novo repto.