domingo, 8 de janeiro de 2012

P.E.C. Nº 120: Um passo atrás, para poder dar dois à frente

NEWS FLASH: Mikko Hirvonen wins Acropolis to record Fords 70th WRC victory

Em declarações recentes publicadas no sítio da revista AutoSport [ler AQUI], Mikko Hirvonen pronunciou-se pela primeira vez com alguma profundidade acerca do seu estatuto dentro da equipa que agora representa.

Uma matéria, quase inevitável, que tinha de ser questionada é a forma como os equilíbrios e tensões entre pilotos dentro da estrutura da Citroen irão ser geridos e, aí, o novo recruta da equipa gaulesa foi bem claro ao referir um certo conforto com o estatuto de lugar-tenente de Sébastien Loeb.

O ingresso do vice-campeão do mundo na equipa do double chevron, mais que decorrente da força das circunstâncias ou da ausência de alternativas válidas, tem muito de estratégico.

Hirvonen, não obstante continuar fisionomicamente a parecer o miúdo tranquilo de sempre, apesar de ainda não ser portador da respeitabilidade intocável que só a condição de campeão do mundo garante, leva mais de dez temporadas ao mais alto nível, quase sempre ao serviço de equipas oficiais.

No plano desportivo, o seu percurso ascendente começa a chegar a todo o gás ao topo da colina e, inexoravelmente, em breve iniciar-se-á a trajetória contrária, rumo à sua substituição por um qualquer jovem valor a despontar.

Começa, em suma, a faltar-lhe tempo.

Passar da condição de claro primeiro piloto na Ford para uma confessa subalternização perante Loeb na Citroen, poderá em primeira análise parecer um marcar passo na carreira do nórdico, ou o reconhecimento que, afinal, não reúne talento e predicados suficientes para lhe ser confiada a hipótese de jogar com as mesmas cartas que o seu novo companheiro de equipa.

No entanto Mikko, com contrato até final de 2013, sabe que Loeb não só não é eterno, como inclusive já foi dando mostras que a sua permanência no WRC ao mais alto nível poderá ter entrado na reta final.

O seu ingresso na equipa francesa é, antes de mais, marcar posição com vista ao processo de sucessão do octacampeão do mundo.

Com Latvala e Ogier ancorados a médio prazo, respetivamente, na Ford e Volkswagen e com todas as interrogações que recaem sobre o futuro da Mini, Hirvonen terá lucidamente aceite ser ‘suplente’ agora, para se tornar ‘titular indiscutível’ dentro de um ou dois anos passando a liderar as ambições da estrutura que agora representa.

Como o processo de aprendizagem dos novos valores requer tempo, como a experiência é um valor insofismável para se ser competitivo no campeonato do mundo de Ralis, Hirvonen é uma peça que encaixa bem nas necessidades futuras que a Citroen possa ter logo que Loeb decida pendurar o capacete.

Dois mil e doze funcionará como um ‘ano zero’ para Mikko, no qual, livre da pressão comparativa com o seu colega de equipa, se entrosará com uma nova realidade e métodos de trabalho.

No futuro a curto prazo a sua tarefa é complexa: demonstrar que a Citroen pode triunfar mesmo sem Loeb, que a equipa é, no fundo, algo mais que a propriedade onde o francês cultiva títulos a cada colheita anual.

Neste momento, não se perfila no horizonte qualquer outro piloto que o possa fazer com as mesmas garantias que Hirvonen oferece.

Deste modo, não obstante o finlandês nunca ter sido dado às exuberâncias que alguns dos seus mais destacados compatriotas mostraram no passado da modalidade, estamos em crer que será um player a ter em conta para o futuro, quanto mais não seja porque está ao serviço da mais eficaz equipa do mundial de Ralis, porque o tempo pode vir a influir a seu favor, e porventura porque terá tido a paciência e sentido de oportunidade que Sébastien Ogier não soube ou não quis ter.







A FOTO PUBLICADA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.rallybuzz.com/hirvonen-wins-acropolis/

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