P.E.C. Nº 125: Sinais de alerta

O léxico da modalidade adotou a palavra crise na sua
extensão mais profunda.
O espetro da falta de verbas paira sobre clubes, equipas e
pilotos.
Dentro de um contexto complexo, sobra em interrogações o que
falta em respostas para contornar as dificuldades.
Muitos dos agentes diretamente ligados a este desporto denotam
escassa imaginação para adequá-lo à realidade nacional.
Já escrevemos anteriormente sobre esta matéria: não nos
pretendemos repetir.
Fica contudo a nota de, nos últimos dias, Bruno Magalhães [ler AQUI] e
Bernardo Sousa [ler AQUI] – ambos portadores nos respetivos palmarés de títulos nacionais
absolutos – não terem escondido a forte possibilidade de mudar para as corridas
de velocidade, sempre com os problemas de falta de apoios para prosseguirem o
seu trajeto nos Ralis como pano de fundo.
Quando um desporto não consegue criar condições para segurar
os seus mais qualificados praticantes algo de alarmante se verifica.
A confirmar-se a ‘emigração’ de dois dos nossos melhores
pilotos [ainda que confessamente a contragosto e só equacionada pela força das
circunstâncias] para as provas em circuito fechado, adensa-se a ideia que os
Ralis em Portugal não só se apresentam em emergência funcional como, pior,
perderam a capacidade de se regenerar.
Num quadro tão reservado e cheio de incógnitas, o problema
já não se circunscreve apenas à modalidade moldar-se ao contexto económico tornando-se
atrativa por via dos baixos custos ou, no limite, pelos gastos controlados.
Os contornos da questão são mais vastos.
Aos Ralis depara-se uma mudança de paradigma em que, dentro
de um cenário condicionado por forte retração no investimento em automobilismo,
as diferentes disciplinas do desporto motorizado competem entre si para obter as
melhores fatias do bolo publicitário.
Este é um dado novo, num tempo de desafios.
Antes, a cada disciplina do desporto automóvel colocava-se,
antes de mais, o desafio de se renovar a si própria.
Hoje, as diversas vertentes do automobilismo de competição posicionam-se
concorrencialmente, quase se permitindo operar numa lógica de ‘roubar’
protagonistas [e por inerência, protagonismo] entre si.
Antes complementavam-se: hoje concorrem.
Esta nova realidade obriga os Ralis a resolver a sua própria
quadratura do círculo, onde coexistem de forma desregrada aspetos como
tecnologia muito cara, provas em alguns casos demasiado extensas ou a falta de
promoção.
Os problemas que se deparam à modalidade não se resolvem,
portanto, com medidas avulsas, circunscritas apenas à sua especificidade.
Aos Ralis coloca-se hoje, em Portugal como lá fora, o difícil
desafio de equilibrar as características da modalidade com um grau de
flexibilidade que as adeque ao momento.
A questão, porém, não se esgota aqui.
Perante um bem [cada vez mais] escasso denominado patrocínio,
e com a concorrência financeiramente mais atrativa das provas de velocidade
pela frente, aos Ralis coloca-se a necessidade de se tornar acessíveis de forma
a não ver partir os seus mais notabilizados expoentes para outras disciplinas,
sem que para tal se tornem, porém, numa espécie de 'loja dos trezentos' do automobilismo.
Uma equação seguramente complexa, mas de cuja resolução depende o futuro da modalidade em Portugal, pelo menos nos moldes em que a conhecemos.
Uma equação seguramente complexa, mas de cuja resolução depende o futuro da modalidade em Portugal, pelo menos nos moldes em que a conhecemos.
AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://fanaticosdorally.wordpress.com/2011/01/15/cpr-bernardo-sousa-deixa-o-campeonato-nacional-de-ralis/
- http://rallyazores.blogspot.com/2011/12/irc-bruno-magalhaes-quer-continuar-no.html


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Joel Houston
JHouston791@gmail.com