sexta-feira, 27 de abril de 2012

P.E.C. Nº 135: Aquela sensação de falta de Ar(i)...


O finlandês Ari Vatanen, campeão do mundo de Ralis em 1981, entra hoje na tomada de tempos dos sessenta anos de idade. 

O tempo passa rápido. 

O cronómetro da vida corre inexorável, tão veloz quanto o nórdico devorava quilómetros nos muitos anos em que fez da modalidade o seu ofício. 

Pertenceu sempre aquele clube restrito de pilotos que conduz troçando da racionalidade, mesmo quando as circunstâncias de uma dada prova ou campeonato lhe sugeriam um flirt de conveniência com a contenção. 

Ainda que de forma intermitente, participou durante quase vinte anos em provas do campeonato de mundo de Ralis escancarando invariavelmente a noção de estratégia

O finlandês natural de Tuupovaara interpretava de forma muito pessoal o conceito de limite: era ele que o redefinia a cada momento moldando-o pela procura do slide aparatoso, mas controlado, onde muitos outros lamentariam provavelmente uma saída de estrada. 

Mesmo após diversos dissabores que marcaram a sua carreira, nunca capitulou na luta que permanentemente foi travando [e muitas vezes vencendo] com o acelerador

Quando assim é, quando estamos perante pilotos desta têmpera, sai favorecido o espetáculo. 

Ari Vatanen fica umbilicalmente ligado aquela casta que tem a sua determinação e rapidez desalinhada com o respetivo currículo. 

Compreendê-los consegue-se talvez com o recurso a uma sequência de frames, seguramente mais elucidativos que a mera soma aritmética de dígitos que lhes possam dourar o palmarés.

Como Colin ou Henri fica a sensação que Ari reunia todas as condições para ter chegado mais além na sua carreira desportiva. 

A sua arte, pegando firme no volante enquanto em simultâneo exibia extrema maleabilidade no antebraço, sugeria toda a rapidez que se encontra expressa de forma sublime no, entre outros, épico excerto do Manx Rally em 1983, até porque, como reza o título da sua biografia oficial, afinal de contas «Every Second Counts», nem que seja unindo dois pontos de uma classificativa pelo percurso mais curto [uma personalizada sequência de poderosos slides no limite da aderência do carro, claro está...] mandando as leis da física às urtigas.



Nota:
Ari Vatanen não tem um número de vitórias em Ralis pontuáveis para o campeonato do mundo que se possa dizer impressionante: foram 'apenas' dez as ocasiões em que logrou chegar ao final de provas do mundial no lugar mais alto do pódio. 

Neste trabalho, selecionámos fotos alusivas a dois desses triunfos. 

A primeira reporta-se ao Rali RAC de 1984, onde Ari foi igual a si próprio: dominou imperialmente o Rali, não evitando de premeio, porém, uma aparatosa saída de estrada que a foto magnificamente ilustra. 

A outra, sem necessidade de legendagem, mostra o evoluir do finlandês nas lendárias classificavas do Rali de Monte Carlo em 1985, quando o Peugeot 205 T16 se constituía já como uma ameaça formidável à 'ditadura Quattro' que havia vincado a sua lei em anos anteriores.





AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
http://www.m5board.com/vbulletin/gtboard-com-general-sportscars/142889-
group-b-supercars-2.html
- http://rallymemory.blogspot.pt/2012/01/1985-em-imagens.html



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