sábado, 5 de maio de 2012

P.E.C. Nº 136: (Rei)gnotti...


A foto que acima publicamos é uma feliz metáfora de duas das mais antagónicas formas de condução desportiva.


Estamos na presença de dois homens com estilos vincadamente distintos, unidos, diríamos, pelo 'apurado faro' para conduzir carros a alta velocidade.


De um lado os Ralis, de outro a pilotagem em autódromo.


De um lado a exuberância, de outro a disciplina.


O puro improviso versus o método e a preparação.


Não há, nem nunca houve, um padrão científico para pilotar carros de competição.


Há, sim, o adequar de um estilo próprio à personalidade de um automóvel ou às circunstâncias de determinado género de corridas.


Independentemente do bólide à sua disposição, ninguém pode pedir a Loeb que interprete o papel de Toivonen.



Colin McRae é incapaz de protagonizar uma figura como Biasion.


Sem prejuízo da rapidez, há quem esteja na bacquet como numa relaxante sessão de yoga.


E há quem esteja sentado ao volante como numa frenética aula de step.


É deste último género de pilotos, daqueles para quem a mais eficaz nota que se lhes pode ditar é 'cerrar dentes', que cuida o presente trabalho.



Já lhes dedicámos, aliás, anteriormente algumas linhas.

Duez [P.E.C. Nº 27], Macedo [P.E.C Nº 95], Colin [P.E.C. Nº 100], Teodósio [P.E.C. Nº 114] ou Vatanen [P.E.C. Nº 135], têm como denominador comum na sua passagem pelos Ralis um certo desdém pelos arquétipos da condução 'limpa’, tida como a mais eficaz para  se ‘cravar’ um bom tempo em dada classificativa.

A esta galeria de notáveis vários outros nomes se lhe podem juntar.

Contudo, daquele naipe de eleitos capaz de a todo o momento sacar do ‘coldre’ dos seus bólides uma poderosa ‘arma’ na forma de atravessadela, há um nome que surge incontornável nessa arte: Jean Ragnotti.



Pode-se dizer, sem exagero, que o francês, personificação quase ideal da condução diletante sem concessões a mais nada que não a intuição, na sua carreira desportiva nos Ralis [também participou em competições de velocidade] beneficiou em larga escala da colaboração de um tão fiel quanto imprescindível braço direito: o travão de mão.

Se há piloto que sempre garantiu dentro do carro a fluência de trânsito entre os travões de pedal e de mão, esse piloto é o popular Jeannot.

Nas curvas dos mais variados ângulos e feitios, o gaulês recorria de forma algo sôfrega ao manípulo do lado direito como uma expressão estilística, numa interpretação muito pessoal daquilo que deve ser a condução de carros de Rali em troço fechado: para quê, afinal, um bom crono, quando se pode ter um sonoro coro de aplausos

Aproximando-se, em terra ou asfalto, uma esquerda ou direita ‘1’ [prosaicamente conhecidas como ganchos ou cotovelos], e eis que Ragnotti apontava a frente do seu carro [quase sempre Renault dos mais variados modelos, mas não só...] ao ápex da curva, funcionando o travão de mão como o bico do compasso que depois lhe permitia desenhar uma perfeita circunferência.



Bem-vindos, portanto, a uma aula [visual] de pura geometria:











AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
http://www.northloop.co.uk/forum/showthread.php?10388-The-Rally-Supercars
- http://blogdoboueri.blogspot.pt/2012_01_01_archive.html
- http://slotoutradimensao.blogspot.pt/2011/08/dois-historicos-da-renault.html
- http://rallyazores.blogspot.pt/2011/01/rallye-monte-carlo-1995.html
- http://rallyazores.blogspot.pt/2011/04/tour-de-corse-1993-e-1994.html
- http://rallyedunord.forumpro.fr/t2776-avril-2009

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