quinta-feira, 24 de maio de 2012

P.E.C. Nº 139: Setenta Hannu(s)...



Do alto da sua longa carreira de mais de três décadas no mundo dos Ralis, o finlandês Hannu Mikkola [Joensuu, 24-05-1942] será o piloto que melhor personifica a evolução da modalidade desde meados dos anos sessenta, quando se começou a esboçar com nitidez a matriz que a trouxe aquilo que hoje conhecemos, até ao final da primeira metade da década de oitenta, período de apogeu absoluto com o advento dos denominados ‘Grupos B’.

O nórdico, campeão do mundo em 1983, foi transversal a todas essas épocas, sabendo a cada momento da sua carreira afirmar invariavelmente enorme competência e reputação.

Tão flying quanto os demais finns dos tempos em que competiu, Mikkola foi fazendo o seu caminho sempre pouco dado a grandes arrebatamentos: conduzia tão rápido como qualquer outro, mas sem a imponência orquestral de vários outros.


Pertenceu aquela geração de ouro que se fez piloto nos difíceis Ralis e carros da década de setenta, transitando, com o tal saber de experiência feito, para os brutais bólides da década seguinte, domesticáveis só pela arte devida aos predestinados [uma elite da qual sempre foi distinto membro].

Falar de Hannu Mikkola remete-nos invariavelmente para as suas lendárias prestações no Rali de Portugal [de onde saiu vitorioso em 3 ocasiões: 1979, 1983 e 1984], mas sobretudo para aquela madrugada de quinta-feira, dia 23 de março de 1978, em Sintra, onde viria a protagonizar, conjuntamente com Markku Alén, um dos mais intensos episódios da história da modalidade, numa espécie de dramática ida a penáltis para decidir a vitória na edição do Rali de Portugal desse ano, quando já no tempo regulamentar e prolongamento haviam maravilhado a imensa plateia pela toada de ataque em regime de parada e resposta, sem calculismos, apenas colocando no terreno o coração, a destreza, e a condução pela condução [extraordinária ilustração escrita sobre as peripécias deste episódio, redigida com a habitual sabedoria de Nuno Branco, poderá ser lida AQUI].

No nosso país, também que com inteira justiça foi confiada a Hannu a alta missão de experimentar pela primeira vez, como carro ‘0’ no Rali do Algarve de 1980, um revolucionário coupé desportivo para Ralis denominado Audi Quattro, que a história demonstra ter desconstruído por completo a filosofia como as marcas e equipas passariam doravante a interpretar este desporto.


Chegado hoje à bonita e respeitável idade de 70 anos, acreditamos que a história ainda não prestou com rigor o tributo que é devido ao percurso desportivo deste extraordinário piloto.

Ao contrário de vários outros pilotos seus contemporâneos, a sua discrição nunca colheu grandes favores da imprensa ou da generalidade dos adeptos.

Mikkola foi, enquanto piloto, um mestre na gestão de dois aparentes paradoxos: ser tranquilo e em simultâneo rapidíssimo!

Hyvää syntymäpäivää Hannu!


PALMARÉS:

RALIS DA TAÇA E CAMPEONATO DO MUNDO: 123.
PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO: Rali de Monte Carlo/1973.
PRIMEIRA VITÓRIA: Rali da Finlândia/1974.
PRIMEIRO PÓDIO: Rali da Finlândia/1974.
PRIMEIRA VITÓRIA EM CLASSIFICATIVAS: Rali de Monte Carlo/1973 [1ª classificativa da prova, ‘Col do Corobin’, ex-aequo com Sandro Munari].
PRIMEIRA DESISTÊNCIA: Rali Safari/1973.
PRIMEIRA PONTUAÇÃO: Rali de Monte Carlo/1979 [5º lugar final].
ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO: Rali da Finlândia/1993.
VITÓRIAS: 18.
SEGUNDOS LUGARES: 17.
TERCEIROS LUGARES: 9.
PÓDIOS: 44 [correspondentes a 35,77% do número total de participações].
OCASIÕES EM QUE CONCLUIU CLASSIFICADO NOS PONTOS: 48.
TOTAL DE PONTOS: 655.
DESISTÊNCIAS: 61 [correspondentes a 49,59% do número total de participações].
VITÓRIAS EM CLASSIFICATIVAS: 654.







AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.mtv3.fi/urheilu/ralli/uutiset.shtml/2009/07/923826/rallilegenda-hannu-mikkola-ensin-rallia-sitten-saunotaan
- http://luiscezar.blogspot.pt/2010/06/volvo-pv-444-pv-544.html
- http://rallymemory.blogspot.pt/2010/06/nicknames.html
- http://www.pistonheads.com/news/default.asp?storyId=25263

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