segunda-feira, 4 de junho de 2012

P.E.C. Nº 141: O sabor amargo a alguma deceção...


Estão cumpridas seis das treze etapas do campeonato do mundo de Ralis de 2012.

Alcançada sensivelmente metade da temporada, importa fazer um balanço daquilo que tem vindo a ser a prestação desportiva da dupla Armindo Araújo e Miguel Ramalho ao volante do seu Mini John Cooper Works WRC.

Uma análise séria ao desempenho dos nossos pilotos tem de partir necessariamente das conhecidas limitações que se lhes deparam: [quase] ausência de testes que inevitavelmente se repercute em alguma falta de ritmo, um orçamento que não é ilimitado obrigando a alguns cuidados sob pena de poder ficar comprometida a restante época [ou pelo menos parte dela], e uma viatura que em termos de performance está reconhecidamente uns furos abaixo da concorrência, sobretudo aquela que se apresenta em cada Rali também aos comandos dos Mini WRC.

Somadas estas nuances, ninguém de forma realista pode esperar que Armindo e Miguel partam para cada prova com a perspetiva de lutar pelas classificações de mais destaque, por norma reservadas às equipas de fábrica e aos pilotos oficiais.

Não se pede aos representantes do automobilismo português no campeonato maior de Ralis à escala planetária, que em condições normais possam sequer ombrear de igual para igual com os pilotos das mais qualificadas equipas privadas.

Podemos compreender que nos Ralis tradicionalmente mais duros para as mecânicas [como é bom e melhor exemplo o Rali da Acrópole, disputado recentemente], os pilotos do Mini decorado a preto queiram ter uma abordagem mais conservadora que lhes possibilite chegar ao final das provas capitalizando eventuais desistências dos adversários mais diretos.

Até ao momento, na presente temporada, a dupla lusa somou sete pontos, correspondentes a um décimo lugar obtido na prova de abertura em Monte Carlo e a um deveras positivo sétimo lugar averbado no Rali do México, ficando em branco em quatro das seis provas que disputou: encontra-se em décimo quinto lugar na classificação reservada aos pilotos.

Pode-se argumentar, como reconhecemos no início deste texto, que as condições de participação da dupla portuguesa neste campeonato do mundo estão longe de ser as ideais.

É um facto.

Mas que não ilude tudo.

Mais que olhar para a tabela das classificações, é na diferença [grande] de andamento para os adversários que reside boa parte do nosso desencanto.

Os homens do Mini preto têm muito talento.

Têm qualidade mais que suficiente para não se renderem à fatalidade de perder muitas vezes mais de dois segundos [quando não três…] por quilómetro para os seus rivais.


Transportam consigo um certificado de competências irrefutável: entre outras honrarias, quatro títulos nacionais absolutos, dois campeonatos do mundo, uma vitória à geral numa classificativa de um Rali pontuável para o WRC.

Armindo e Miguel não são, portanto, ‘mais uns’ que estão no mundial para encher listas de inscritos ou participar por participar.

A este nível [o mais alto que se pode almejar], ainda que as circunstâncias não o favoreçam, afastar a mediania deve ser a pedra de toque na maioria dos momentos.

Vincar uma imagem positiva alicerçada em notória rapidez tem de ser o mote.

Acreditamos que os índices de motivação do homem Santo Tirso e do seu fiel navegador possam estar revistos em baixa, quando se parte para uma prova sabendo que não é para dar o máximo.

No entanto, deseja-se que interiorizem o sentimento de pertencer a uma elite.

Que saibam, ao longo do mundial, selecionar ‘aquele’ troço onde de antemão sabem sentir-se confortáveis para atacar, ou 'aquele' Rali da sua preferência que melhor se adequa ao seu carro e/ou estilo de condução, atuando [arriscando…] em consonância.

Em abstrato, a presença no campeonato do mundo de Ralis reivindica, ainda que a espaços, um arremedo de brilhantismo.

Um laivo de exultação desportiva.

Deixa a sua marca quem vai para o terreno, ainda que por uma vez, à procura de uma performance de alto nível.

Com a experiência adquirida em mais de cinco anos de presença regular no campeonato do mundo, sem nada a perder em termos de construção da carreira ou da imagem entretanto consolidada, é legítimo esperar-se dos nossos homens mais do que aquilo que têm vindo a demonstrar.

Escrevemos acima [e reiteramos] que a nossa dupla tem muito talento.

É sabedores de tal facto, que o presente texto deve ser lido à luz de quem sendo fá incondicional, há muitos anos, da dupla Armindo Araújo e Miguel Ramalho, sofre pelos resultados menos conseguidos e espera deles nos restantes Ralis da temporada a predisposição para, sendo iguais a si próprios, colocar em campo a [muita] qualidade que nos mais variados quadrantes lhes é sobejamente reconhecida.


AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO, FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=86839
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=84799

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