sábado, 23 de junho de 2012

P.E.C. Nº 144: O aficionado que não deixa nunca de ser quem é...


Há maneiras distintas de encarar os Ralis.

Dentro da massa anónima que dá corpo ao conceito, abstrato, de ‘público’, existem perspetivas diferenciadas sobre a modalidade, eventualmente tantas quanto o número de aficionados que ladeia as classificativas.

Os Ralis mexem com emoções.


Ao redor de um carro de competição em pleno troço há som, cor e movimento [porventura o legado mais admirável do automobilismo], e também o sentido de urgência e de imprevisibilidade nos quais se alimenta muito do fascínio por este desporto.

Nunca se consegue antever com precisão como determinado piloto vai abordar a curva onde nos encontramos: nem nós, nem sequer ele próprio que faz do improviso permanente a sua afirmação de competências.

A condução em Ralis, apesar de uma crescente tendência em sentido contrário, ainda tem pouco de científico: os únicos livros pelos quais se pode estudar a condução em troço [os cadernos de notas…] são mais dados à prática que à teoria, classificando a linguagem matemática à frente da retórica doutrinal.


Neste enquadramento, os Ralis continuam a premiar a desenvoltura da condução, uma vez que os reflexos ou a capacidade de antecipação ainda têm o primado perante o gadget eletrónico.

Na teia cerrada desta soma de variáveis, o adepto faz o seu casulo.

Como abordamos em ocasiões anteriores, há quem se desloque aos Ralis à procura de ‘coisas diferentes’ que deem um sentido à vida distinto das ‘coisas iguais’ do quotidiano.


A condição de aficionado mascara-nos muitas vezes com a irreverência que é traje impossível de vestirmos no dia-a-dia comum.

Numa visão radical há também quem esteja nos troços para simplesmente, ainda que por uns instantes, se descaracterizar deixando de ser quem é, dizer aquilo que de todo não pensa, ou fazer coisas à margem do que o bom senso lhe dita.

As fotografias que publicamos no presente trabalho, belíssimas pelo seu despojamento e simbolismo, personificam todavia uma outra realidade: a de estar nos Ralis de forma genuína e com a autenticidade de quem não deixa nunca de ser quem é, ainda que a modalidade lhe traga [no caso à porta de casa] as tais ‘coisas diferentes’ que em algumas ocasiões dão à vida um sentido distinto das ‘coisas iguais’ do quotidiano.

AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=9596
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=9610
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=30732
- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=30744

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