terça-feira, 11 de setembro de 2012

P.E.C. Nº 159: Venha daí à boleia; vamos conhecer António Zanini?... - 4ª parte - [Exportar classe para lá dos Pirenéus...]


(Nota introdutória: A leitura do presente trabalho não dispensa a visita às «P.E.C. n.ºs 4, 39 e 128» deste blogue, nas quais se indica os links que visitamos para pesquisa de dados e elaboração do mesmo).

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Adquirido um estatuto singular no contexto dos Ralis espanhóis (o de tricampeão da disciplina), a temporada de 1977 apresenta-se repleta de desafios para António Zanini.
 
A Seat inicia o ano assestando todas as baterias em torno do proto 16 válvulas, carro que na fase de pré-época revelaria diversos problemas de fiabilidade gerando nas hostes da equipa alguma apreensão para as primeiras provas da temporada.
 
Esse óbice não beliscava, claro está, a inquebrantável determinação de Zanini que, não obstante as incógnitas atrás referidas, com uma máquina reconhecidamente competitiva ao dispor confiava na revalidação do título em Espanha, procurando em simultâneo dar continuidade aos excelentes resultados fora do seu país natal.
 
A marca sedeada na Catalunha, à semelhança do ano anterior começava a época tendo como pano de fundo um desafio dificílimo a disputar nas especiais alpinas ao redor de Monte Carlo.
 
A aposta em realizar uma boa prestação era forte, e procurar desvanecer a imagem depreciativa associada aos ‘táxis’ (alcunha sob a qual os carros do país vizinho ficariam conhecidos na edição do «Rali de Monte Carlo» em 1976) era um desiderato que motivava os pilotos da equipa, sobretudo o chefe-de-fila António Zanini.
 
O grupo Fiat marcava presença muito forte na prova monegasca, com os Stratos131 Abarth e a Seat Espanha, que recorria ao fiável modelo ‘124’ para o colocar ao serviço de António, Cañellas e Serviá na qualidade de pilotos oficiais.
 
A neve abundante fazia, como não podia deixar de ser, a sua aparição nas primeiras classificativas e, nessas circunstâncias, a experiência de Munari colhia dividendos colocando o piloto do Lancia Stratos na liderança, beneficiando do despiste de Raffaele Pinto também aos comandos do mítico carro italiano, devido a má escolha de pneus.
 
Darniche, ainda e sempre num Stratos (embora não oficial), sofria um acidente de viação em percurso de ligação, pelo que secundando o líder da prova seguiam Alén, Andruet, Bacchelli e Dorche ao volante do BMW de grupo ‘1’.

Após uma fase inicial abordada com cautelas, da Seat o primeiro grande momento de arrebatamento aconteceria à décima classificativa do Rali.

‘Saint Pierreville’, disputada sob nevoeiro cerrado, ficaria para a história como a primeira vitória da marca espanhola em troços do mundial do Ralis, pela pena, como não podia deixar de ser, de António Zanini, secundado por excecionais tempos realizados também pelos seus colegas de equipa, com Serviá a conseguir ser o 3.º mais rápido e Cañellas a averbar o 5.º melhor crono.
 
A fase noturna do ‘Monte’ fazia emergir os Seat na tabela classificativa, na qual Zanini era já 6.º classificado atrás de, respetivamente, Munari, Alén (já a três minutos), Andruet (a um escasso segundo da segunda posição), Pinto e Bacchelli, enquanto um regular Cañellas se encontrava imediatamente atrás do seu companheiro de equipa.
 

 
A última e decisiva etapa da prova chegava, e com ela um acréscimo de motivação para os homens do país de nuestros hermanos.
 
O insuspeito Bernard Darniche, aliás, em declarações públicas não regateava os maiores elogios a António Zanini considerando-o um dos favoritos aos lugares do pódio, mesmo encontrando-se a 12 minutos do líder.
 
No ‘Col de la Madonna, Pinto abandona após partir o motor devido a um ligeiro toque, e Zanini, empolgado, supera o tempo de Andruet acercando-se dos lugares cimeiros da classificação.

Havia muito Rali pela frente, e avizinhava-se agora o decisivo Turini, no qual António regista o 4.º melhor tempo final, logo seguido de Cañellas que garantia um resultado conjunto deveras positivo para a Seat.

A plateia rendia-se à prestação dos pilotos da equipa, com o tricampeão espanhol em declarações à imprensa a jurar ter ouvido o seu nome fortemente ovacionado aquando da sua passagem pelo lendário ‘Col’ da referida classificativa.

Neste famoso troço, Alén seria penalizado e Bacchelli não evitava uma saída de estrada, pelo que na classificação geral António Zanini ascendia ao terceiro posto, sempre secundado a contento por um impecável Cañellas.

Na segunda passagem pelo Turini, porém, Salvador Cañellas não conseguiria escapar às armadilhas da especial e fazia um pião perdendo um minuto para o seu colega de equipa, pelo que para António ficava mais facilitada a missão de concluir dentro dos lugares do pódio.

Assim seria.

Dos registos e para a história fica a vitória de um imperturbável Munari, seguido de Andruet no degrau mais baixo do pódio e Zanini a fechar os três primeiros classificados, na frente de Cañellas que manteve a 4.ª posição, com o outro piloto da Seat, Serviá, a concluir no 7.º lugar final.

Os ‘táxis’ eram agora olhados de forma bem mais respeitosa, e relativamente a Zanini, para os mais desatentos, ficava a certeza de se estar perante um dos mais talentosos pilotos de toda a Europa.

No passado a sua prestação em provas internacionais já havia fornecido indicadores claros da sua classe, mas Monte Carlo projetava-o em definitivo aos olhos de todos os observadores como um predestinado, cujo talento ultrapassava sem reservas a barreira dos Pirenéus.

Refeitos das emoções do périplo internacional, os homens da Seat centravam agora as suas atenções na prova de abertura do campeonato de Espanha (o clássico «XXV Rallye Costa Brava»), confiando a responsabilidade da defesa do título ao tricampeão sob seu serviço.
 
 

O Rali, pontuável também para o europeu, apresentava-se com uma recheada lista de participantes, onde pontificavam nomes como Darniche e Bagration ao volante dos Stratos, o Fiat 131 de Andruet, e os sempre temíveis Porsche de Schewe, Cláudio Caba e José Maria Fernandez.
 
O campeonato começava da pior maneira para o campeão em título.
 
Zanini via-se a braços com problemas insolúveis a nível da bomba de combustível que ditariam o seu abandono.
 
A prova seria ganha com surpresa por Bény Fernandez aos comandos do Ford Escort RS, secundado por Jorge de Bagration.

O percalço da etapa inaugural do campeonato não desmotivava todavia António, que procurava no Rali seguinte regressar aos bons resultados e exibições.
 
O «VII Criterium Montseny Guillerias» era o seu Rali ‘caseiro’, uma vez que várias das especiais que compunham o evento circundavam a zona onde residia, pelo que partia com a condição de favorito em virtude do seu profundo conhecimento do terreno.
 
A primeira classificativa coloca António de imediato na liderança da prova, na frente, respetivamente, de Bény Fernandez, José Maria Fernandez, Cañellas e Bagration, mas seria sol de pouca dura uma vez que a receada falta de fiabilidade do proto fazia-se sentir, levando o piloto de Viladrau à desistência logo na segunda especial, problema que afetaria irremediavelmente também Cañellas.
 
Perante um começo de temporada tão azarado para a equipa Seat, esta era uma oportunidade de ouro para Jorge de Bagration aumentar a distância pontuável para o seu arquirrival Zanini, e o homem do Stratos não se faria rogado averbando o triunfo, seguido, nos lugares seguintes do pódio, por Bény Fernandez e um sempre competitivo Marc Etchebers.
 
No calendário estava marcado o «XVIII Rallye Fallas» como a etapa seguinte do campeonato, e a estrutura da Seat não conseguia esconder a sua preocupação pela falta de resultados neste início de ano, pelo que a prova revestia importância acrescida em termos de resultados dado que nova hecatombe poderia deitar em definitivo tudo a perder.
 
Bagration entra ao ataque averbando o melhor tempo na primeira especial, seguido de Bény, António, Etchebers e Cañellas, com o homem do Lancia a ampliar a vantagem após a classificativa seguinte.
 
O 4.º troço vê Cañellas despistar-se abandonando de imediato, pelo que a Zanini ficava confiada em exclusivo a missão de representar a equipa Seat.
 
 
A necessidade impreterível de pontuar, leva a que o mais laureado piloto da marca espanhola adote uma toada algo conservadora vendo Bagration e Fernandez distanciar-se na sua frente no decurso da segunda etapa.
 
No entanto, pareciam debelados os problemas de fiabilidade do proto 16 válvulas e, nesse contexto, Zanini ia progressivamente readquirindo os seus índices de confiança.
 
Na fase final do Rali exerce um forcing muito grande, aumentando paulatinamente o seu andamento na procura de pressionar Bény.
 
A estratégia surte efeito e o piloto do Escort acaba por sucumbir, não escapando a uma saída de estrada que provoca o seu abandono.
 
Zanini ascende, então, ao segundo lugar, sendo na posição intermédia do pódio que conclui o Rali atrás do ‘inatingível’ Bagration, mas na frente do seu velho conhecido Etchebers.
 
A margem de erro era muito escassa e recuperar era a palavra de ordem para o campeão de Espanha em título.
 
Para o conseguir, pela frente deparava-se o exigente «IX Rallye 500 Kilometros Nocturnos de Alicante».
 
Da lista de inscritos constavam todos os seus principais adversários das provas anteriores, aos quais se juntava Fernando Lezama ao volante do Ford Escort.
 
Zanini, com muito pouco a perder, entrava de rompante triunfando na primeira classificativa ('Campello-Águas de Busot’), batendo Bagration, mas logo de seguida ao aperceber-se de algum tráfego na segunda especial do dia, labora num equívoco e acaba por levantar o pé na presunção que a mesma havia sido anulada.
 
O erro leva-o a perder mais de um minuto para o agora líder, Bagration.
 
O duro golpe não era capaz de derrubar o tradicional estoicismo de António, que de imediato enceta uma notável recuperação até ficar a 18 segundos do seu principal rival nas contas do título.
 
A sorte protege os audazes, e pela primeira vez na temporada Bagration via-se obrigado a terminar um Rali antes do final, com problemas no coletor de escape do seu Stratos.
 

Seria uma vitória afortunada para Zanini que via assim reacender-se a luz ao fundo do túnel no que toca à revalidação do título, relegando o seu companheiro Cañellas (que desta vez não tinha o proto ao seu dispor) para o 2.º lugar final, e Zorrillo no Simca 1000 Rally para o lugar mais baixo do pódio, à frente de Echave em carro idêntico.
 
Bény Fernandez, volvidas quatro provas, liderava o campeonato, mas a Seat recuperava em Alicante o seu alento para o que restava da época, adivinhando-se que iria vender muito cara uma eventual derrota.
 
Seguia-se o «II Criterium Pub 6 Peniques», disputado nas províncias de Madrid e Ávila.
 
António Zanini partia focado em exclusivo no triunfo, a única forma de manter intacta a esperança no título.
 
A prova, por motivos organizativos, veria anulados alguns dos troços em terra que compunham a sua fase final, pelo que se transformaria um Rali sprint sem margem para estratégias diferentes que uma toada de ataque forte.
 
Lezama entra com empenho e triunfa na primeira classificativa, batendo Bagration por um segundo e Zanini por quatro, mas após as três primeiras especiais já era o piloto do Stratos que liderava, ainda que por escassa margem perante o homem do Ford.
 
Logo de seguida, o cabo do acelerador do bólide na liderança denota problemas, pelo que opera nova inversão de lugares nos dois primeiros classificados, mas na classificativa de ‘Almorox’ Lezama acaba por cometer um excesso saindo de estrada, abandonando de imediato o Rali.
 
Zanini toma a liderança, e atrás de si ocorre uma hecatombe de acidentes aos quais não escapam Moya, Bonet (com ferimentos ligeiros nos respetivos navegadores), Pradera, Sanz e Oliveras, a ponto de ter sido equacionado cancelar mais alguns troços por falta de ambulâncias para socorro.
 
O Rali prossegue com Zanini imperturbável no comando, seguido de Cañellas a realizar uma prova regular, Ortiz (no Seat 131 Proto), Zorrillo (Simca 1000 Rallye) e Serviá, enquanto Bagration ia recuperando o seu atraso para os melhores classificados.
 
Na classificativa 'Hidroeletrica’ e num Rali repleto de incidentes (Serviá seria outro dos pilotos a juntar o nome à lista de acidentados), após um salto Bagration aterra mal, sai de estrada e embate numa árvore do lado do seu navegador.
 
A tragédia pressente-se devido ao Stratos ter ficado praticamente partido em dois, levando à morte quase imediata do copiloto Manuel Barbeito.
 
 
É debaixo de um estado de espírito bastante pesado que a caravana cumprirá o resto do Rali, com António a confirmar o triunfo sem grande margem para festejos, seguido por Cañellas, Ortiz e Zorrillo, com o homem forte da Seat a chegar-se bastante próximo de Bény Fernandez (ausente desta prova devido a lesão) nas contas do campeonato.
 
A internacionalização do projeto desportivo da Seat dirigia-se agora para a Bélgica, onde a equipa se fazia inscrever nas difíceis «24 horas de Ypres», repetindo a presença do ano anterior.
 
Ao serviço de Cañellas e Zanini estava agora o carro de grupo ‘4’, e pela frente tinham como principais opositores o competitivo Stratos de Darniche ou Mikkola com o seu Celica.
 
A prova iniciava-se com o experiente finlandês a sucumbir às especificidades do Rali belga, não evitando uma saída de estrada, e Cañellas vê-se a braços com problemas de travões atrasando-se para os homens da frente.
 
No final da primeira etapa Zanini é ‘apenas’ sétimo, e o início da segunda etapa mostra Cañellas determinado em recuperar o atraso para se colocar no lugar de fiel escudeiro do seu colega de equipa.
 
A vitória viria a sorrir a Darniche, que levaria a melhor, respetivamente, sobre Moortgat e Carron (ambos em Porsche), Billy Coleman (tripulando um Lancia Stratos), Zanini e Cañellas.
 
Na classificação do campeonato da Europa de Ralis Bernard Darniche era agora um confortável líder, com a Seat a mostrar-se muito aquém dos excelentes resultados obtidos no ano anterior.
 
Seguia-se o «Rally da Polónia», no qual, recorde-se, António havia obtido o segundo lugar final em 1976.
 
Darniche rumava a leste da Europa na procura de sedimentar a sua liderança no europeu, e das presenças na prova constavam nomes conhecidos como Bény (com o habitual Escort) e Serviá com o fiável Seat 1430.
 
Não obstante alguma confusão com a creditação dos tempos realizados nos troços, Darniche faz vingar a sua lei para liderar na fase inicial do Rali, seguido, respetivamente, de Bény Fernandez, dos dois pilotos da Seat, e de Blahna ao volante de um Skoda 130 RS.
 
Fernandez, porém, não evitaria uma saída de estrada, logo aproveitada pelos pilotos da equipa espanhola para subir mais um degrau na classificação, mas Cañellas também não escaparia a contratempos atrasando-se relativamente aos lugares cimeiros.
 
Até final a prova não teria grande história, pelo que o triunfo, tranquilo, viria a sorrir a Darniche, seguindo de Zanini, Blahna e do R5 Alpine pilotado por Krupa.
 
 
A aventura europeia da Seat prosseguia, desta feita com a participação no duríssimo «Rally de Chipre».

Para se aquilatar quão difícil foi este Rali, basta dizer que apenas o concluiriam seis concorrentes após percorrerem 1.453 'demoníacos' quilómetros de extensão.

A dupla Zanini/Petisco desistiria da prova já na fase final quando liderava, ao ver-se a braços com um problema no motor ao nível da junta da cabeça queimada, cedendo a vitória ao filho do primeiro-ministro cipriota, Kypros Kyprianou, ao volante de um Chrysler Avenger, com Shektar Mehta, outro dos protagonistas, a desistir após embate com um carro de assistência.

Salvador Cañellas minimizaria as perdas da Seat ao concluir no lugar intermédio do pódio.

Pontuável em simultâneo para o campeonato de Espanha e para a Taça FIA de pilotos, o «XXV Rallye de España» era o evento que se seguia.

Perante uma concorrência muito forte, a Seat renovava a aposta no grupo ‘4’ que tinha levado no seu périplo europeu, deixando o proto 16 válvulas nas oficinas da equipa.

A aposta envolvia alguns riscos, mas era a única forma de procurar ombrear com os mais cotados pilotos e carros do mundo.

Sandro Munari viria a mostrar-se em terras de nuestros hermanos verdadeiramente inalcançável, vencendo praticamente todas as classificativas à exceção de uma onde foi protagonista Fernando Lezama tripulando o Escort.

O piloto do Ford e Bény Fernandez rodaram muito tempo na frente dos homens da equipa oficial da Seat, com Michèle Mouton aos comandos do Porsche de grupo ‘3’ não muito distante.

Na classificativa de ‘Navafría’ Zanini é obrigado a dar por concluído o Rali após percalços mecânicos no seu bólide, e Lezama também desiste devido a rompimento de uma válvula.

Bény, na tentativa de averbar o máximo de pontos para o campeonato de Espanha forçava a parada procurando pressionar Munari, mas acabaria também por abandonar.
 
 
Quando tudo fazia prever um resto de Rali tranquilo para Munari, eis que o italiano parte o motor a quatro classificativas do final reforçando a hecatombe de desistências, oferecendo de bandeja a vitória a uma atónita Mouton, na frente de Cañellas (que trepa na classificação do campeonato, abeirando-se do seu companheiro de equipa, não obstante a respetiva liderança ainda ser pertença de Fernandez).

Faltam agora três provas para terminar a época.

O campeonato está ao rubro e entra na fase das grandes decisões finais.

Em anos anteriores, havia sido precisamente na fase final das temporadas desportivas que António afirmara um clima de ascendente psicológico sobre os adversários diretos, não vacilando perante a pressão.

Era, portanto, com a galvanização de sempre e animado por índices de motivação nos píncaros que Zanini literalmente atacaria (n)as restantes provas por cumprir até ao fecho do ano.

O clima era de tudo ou nada.

 ganhar os restantes Ralis verdadeiramente interessava.

Seguia-se na cronologia da temporada o «XIX Rallye 2.000 Virajes», antepenúltima etapa do campeonato de Espanha.

Voltando ao volante do proto de grupo ‘5’ Zanini tinha nos troços de asfalto e terra da prova um desafio complexo, aos quais se aliava um leque de adversários difíceis de roer.

Da lista de inscritos constavam nomes como Bény Fernandez (altamente motivado na defesa da liderança do campeonato), Caba aos comandos do Porsche, Serviá com um Seat 124 1800, César Perejoan e Isidro Oliveras ambos em Ford Escort, Genito Ortiz ao volante de um Seat 131 ou, entre outros, Jorge Cid ao serviço da equipa oficial da Chrysler.

As três primeiras classificativas eram disputadas em gravilha, e no final desse round António Zanini era já líder, secundado pelo seu companheiro de equipa Cañellas, enquanto Bény via-se a braços com problemas de motor que ditavam o seu abandono.

O revés do adversário direto não fazia esmorecer o tricampeão de Espanha, que se mantinha ao ataque mantendo a concorrência em respeito.
 
 
Com a chegada dos troços em asfalto, António não escapa, também ele, a problemas mecânicos no seu Seat ao nível da transmissão, que obrigam a um drástico abrandamento de ritmo e o levam a perder três minutos para o novo líder, Cláudio Caba.

Quando tudo parecia perdido, apesar de tudo os deuses sorriem ao campeão espanhol em título, que vê Caba desistir após acidente.

No final da terceira etapa, Zanini é novamente líder com uma curta vantagem de vinte e sete segundos sobre Cañellas, relegando para os lugares secundários nomes como Cid, Serviá, Ortiz, Sousa, Arpa, Balcazar, Echave, Sallent, Biamonti ou Marcos.

Na última etapa, a das grandes decisões, tudo estava em aberto, mas Cid e Genito capitulam desistindo ambos devido a saídas de estrada.

Salvador Cañellas também não conclui a prova ao deparar-se com problemas mecânicos no seu Seat.

Zanini, com a missão facilitada, não deixaria créditos por mãos alheias e venceria na frente da Serviá e Balcazar, num pódio preenchido integralmente com carros da Seat, na frente de Arpa (também aos comandos de um carro do construtor espanhol) e Sallent pilotando o Opel de grupo ‘1’.

Com este triunfo, António somava 435 pontos e ficava agora a escassos quatro da liderança do campeonato, pelo que as perspetivas de revalidação do título ganhavam assim tonalidades mais alegres.

Cañellas era terceiro contabilizando 317 pontos, e Etchebers seguia-se-lhe na hierarquia de pilotos com 273.

Com o tradicional «Rally de Cataluña», a duas provas do final começava a baixar o pano da época desportiva nos Ralis em Espanha.

Era tempo, como vimos, de decisões.

Os adversários esperavam, provavelmente pouco convictos, que Zanini claudicasse.
 
 
Acalentavam a secreta esperança de que o homem de Viladrau pudesse errar deitando tudo a perder, logo ele que nestes momentos de tensão havia anteriormente dado mostras de nervos de aço, transcendendo-se em rapidez e fiabilidade.

Para desespero das hostes contrárias, António foi… António.

Ganharia a prova com classe e mestria, enquanto Bény somava novo abandono neste encerrar de ano.

Cañellas concluía a prova no lugar intermédio do pódio, secundado por Serviá, numa excelente ponta final de temporada para as cores da Seat.

Neste ano de 1977, o epílogo do campeonato de Espanha de Ralis estava agendado para o «Rally Costa del Sol», com um duelo sem tréguas entre Bény e António Zanini em perspetiva.

Sol de pouca dura.

No final da segunda classificativa, Bény dava continuidade à saga de desistências e abandonava com problemas de caixa de velocidades, escancarando as portas do título ao seu rival.

O homem forte da Seat não se fazia rogado, liderando com uma margem de trinta segundos para Cañellas (que matematicamente ainda poderia repetir o título conquistado em 1972).

Não obstante alguns problemas de alternador a ameaçarem a saúde mecânica do Seat, Zanini fazia alarde de todo o seu talento mantendo-se em primeiro, classificação que confirmava após o último troço.

Cañellas, muito regular, concluiria mais uma vez em segundo lugar, agora na frente de Caba que encerrava a hierarquia do pódio, relegando Ortiz e Salvador Serviá para as posições seguintes da classificação final da prova.

Com uma ponta final de temporada desconcertante (aliada a uma pontinha de sorte), Zanini renovava o seu título (o quarto consecutivo) de campeão de Espanha de Ralis, sem que se anunciasse alguém que lhe pudesse fazer frente em anos seguintes.

No ar ficava a ideia, após 1977, que a coleção de títulos de campeão espanhol de Ralis de António Zanini estava longe de se ficar por aqui.

Seria mesmo assim?
 
 
- continua -

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