P.E.C. Nº 160: 'Voar (com o...) baixinho'!


No passado dia dois de setembro, Zona-Espectáculo pode cumprir um objetivo que acalentava há muito: experimentar, em cenário tão real quanto possível, o trabalho de navegação em Ralis. 

A oportunidade, imperdível, surgiu após concurso promovido pela Renault Portugal no âmbito do facebook, no qual se premiavam os melhores trabalhos que evocassem o passado da marca no nosso país. 

Concorremos

Arriscámos a nossa sorte elaborando um texto onde se recordava, em suma, o passado incontornável (inigualável, atrevemos afirmar) do construtor francês no automobilismo nacional. 

Lembrámos, relativamente às provas disputadas em circuito fechado, a emblemática primeira vitória da carreira de Ayrton Senna na F1, em pleno autódromo do Estoril, motorizado por um propulsor Renault, a conquista do mundial de pilotos em 1993, também naquele circuito e de igual forma com recurso a motores da marca, através de Alain Prost, sem esquecer, claro está, os saudosos troféus (Clio, Mégane) que a filial lusa do construtor francês colocou em pista anos a fio, ou as duas ocasiões em que as finais internacionais Renault se disputaram no traçado do sopé da Serra de Sintra, ambas com multidões assinaláveis (na ordem das muitas dezenas de milhar de espetadores) a colorir as bancadas do circuito, provando, se necessário fosse, a excelência organizativa e capacidade de mobilização da representação portuguesa da marca do losango. 

Nos Ralis, abordámos a ligação umbilical que a Renault vem mantendo de há muito a esta parte com as classificativas nacionais, envolvida ou não a título oficial, num passado que remonta aos primórdios das competições de estrada organizadas em Portugal. 

Carros lendários como o R8 Gordini, o Alpine, os R5 e R11 turbo, os Clio nas suas múltiplas versões, ou os Mégane, são tidos muito justamente como parte integrante da genética da mais popular modalidade de automobilismo deste país. 

Associados ao emblema do losango e como elo de ligação entre a Renault e Portugal, não deixámos de evocar toda uma dinastia, tão lusa, de ‘Zés’: de ‘Zé’ Carpinteiro Albino a ‘Zé’ Pedro Fontes, de ‘Zé’ Inverno Amaral a ‘Zé’ Carlos Macedo, sem esquecer, entre outros, o incontornável Joaquim Moutinho (vd. P.E.C. Nº 46 deste blogue), Pedro Matos Chaves, Bento Amaral, ou campeões num passado recente como Adruzilo Lopes e João Silva

Bafejados pela sorte, após comunicação dos promotores do concurso soubemos, então, que eramos um dos cinco felizes contemplados a protagonizar, por umas horas, o papel de  ‘navegadores’ de Rali. 

O epicentro dos acontecimentos estava apontado para o Rali de Alfena, nos arredores da cidade do Porto, prova organizada pelo Clube Aventura do Minho (C.A.M.I.) e pontuável para o campeonato regional de Ralis - norte

A nossa missão em linhas gerais seria coadjuvar o piloto do carro ‘0’, trabalhando, se necessário, com o roadbook da prova de molde a não haver desvios à rota previamente traçada pela organização, procedendo, também, à entrega da carta de controlo à saída do parque fechado, à entrada e saída do parque de assistência e no início e final de cada um dos dois troços ('Senhora do Amparo' e 'Santa Cristina') que compunham o Rali. 

Sabíamos de antemão estar ‘escalados’ para fazer a 1.ª secção da prova, composta pelas duas classificativas de abertura da mesma (o Rali tinha-se iniciado na noite de sábado anterior com uma curta super-especial) e respetivos percursos de ligação. 

Como é natural, este enquadramento ia paulatinamente gerando em nós uma expetativa e curiosidade consideráveis. 

tínhamos anteriormente (vd. P.E.C. Nº 16 deste blogue) experimentado as delícias de rodar num carro em troço fechado, numa espécie de ‘ensaio em teatro sem público’

Agora seria diferente. 

‘Atores’ essenciais como os espectadores ou comissários de prova iam ‘contracenar’ connosco, e o acesso a ‘camarins’ como os citados parque fechado ou parque de assistência era outro dos‘guiões’ que seguramente contribuiria para sedimentar a nossa aprendizagem sobre a modalidade. 

Totalmente embrenhados na alta missão que nos estava confiada, chegámos cedo a Alfena naquela manhã de domingo. 

Aproveitámos para medir o pulso à prova observando os bólides dos concorrentes que estavam criteriosamente alinhados em parque fechado, num conjunto de carros capaz de fazer corar de vergonha alguns Ralis do atual C.P.R. 

Passado algum tempo, chega o nosso piloto aos comandos do Renault Mégane RS branco com o número ‘0’ estampado nas portas, acompanhado por dois representantes da Renault Portugal. 

Cumprido o período de apresentações, o homem que se propunha fazer dupla connosco estende-nos convictamente a mão e de forma afável esboça um sorriso sincero: «Olá, eu sou o Pedro! Podemos tratar-nos por tu?». 

Desconhecíamos por completo quem seria este piloto que nos havia calhado em sorte.

Pensámos todavia connosco próprios que seria de certeza (só podia…) alguém a iniciar carreira nos Ralis. 

No entanto, perante esta figura bem-disposta (e notoriamente sem os tiques de vedetismo com frequência associados às altas figuras do automobilismo), a nossa resposta saiu rápida e não podia ser outra além de um «evidentemente que sim!». 

À hora prevista entramos no nosso bólide, colocámos os cintos, apresentámos a carta de controlo à saída do parque fechado e fizemos um curto trajeto de poucas centenas de metros até entrar no parque de assistência. 

O nosso piloto ia entretanto mostrando-se um excelente conversador. 

Fomos falando. 

Falámos muito durante todo o Rali, aliás. 

não falámos, em bom rigor, durante as duas classificativas, onde a necessidade de concentração e o cantar fabuloso do Mégane desaconselhavam trocas de palavras. 

Sempre que por vicissitudes da prova tínhamos de parar junto dos comissários, o nosso homem não lhes regateou nunca uma palavra de alento ou um apontamento de humor. 

Com simplicidade desarmante parecia conhecer vários deles, outros nem tanto. 

Mas a todos invariavelmente endereçava cumprimentos.

Confidenciava-nos dentro do carro que «nós, pilotos, devemos muito a esta gente e admiro profundamente o seu apego à modalidade. Com prejuízo das suas vidas familiares vêm aos Ralis gastando o seu próprio dinheiro, por pura carolice. No dia em que cada um deles pedir € 10,00 para o gasóleo que gastam para cá chegar, acabam os Ralis em Portugal». 


Este desconhecido, sublinhe-se, denotou sempre ao longo da conversa que fomos mantendo uma assertividade digna de registo. 

«Quem sabe talvez chegue longe nos Ralis», cogitámos a certa altura com os nossos botões. 

Outro dos aspetos curiosos foi ter uma ideia muito clara relativamente ao momento atual da modalidade: «Estes Ralis pequenos são o futuro. Pode não ser o modelo ideal mas é aquele que melhor se ajusta ao contexto do automobilismo nacional. Há uma crise de voluntariado, é difícil arranjar pessoas para ajudar na organização das provas, e além disso os custos de policiamento e com a segurança (bombeiros, etc…) são a maior fatia do bolo para as entidades que colocam tudo isto no terreno. Gosto muito de troços com 20/30 kms, mas eles serão cada vez mais raros nas provas internas. Nenhum clube tem orçamento e meios humanos suficientes para por si só garantir Ralis extensos e dispersos». 

Na saída do parque de assistência e durante o curto percurso até à entrada para a primeira classificativa, o nosso piloto não mostrava pruridos em elogiar o Renault que conduzia: «Este Mégane é um belíssimo carro, com um comportamento muito são, ótimo motor, e excelente estabilidade em curva. Com alterações de pequena monta ao nível da caixa e suspensão daria um magnífico grupo ‘N’ para Ralis, muito acessível em termos de custos e com performances assinaláveis». 

«Gosto bastante de o conduzir», rematou. 

E concluía o raciocínio confidenciando-nos que «os carros de competição hoje em performance pura são incomparáveis, mas para quem os conduz - os pilotos -, o grande prazer de condução ainda reside nos carros dos anos 70 e 80. Dou-te um exemplo: no Mónaco, com os F1, chegávamos a fazer 70/80% da pista só com uma mão no volante, e com a outra no manípulo da caixa. Nos Ralis passava-se exatamente o mesmo. Um gozo sem igual». 

Semicerrámos os olhos, desconfiados: «Mas como é que este novato sabe isto? Deve ter visto imagens onboard no youtube, só pode!».

E continuava: «Esse espírito do carro dever ser colocado ao serviço do piloto é bem patente, ainda, nas corridas das ovais americanas, que são divertidíssimas. Com os Indylights havia pistas onde a menor velocidade em que se rodava era 280 kms/h e a máxima 320 km/h».

Esboçámos um sorriso condescendente: «Hum! Este rapaz está a procurar impressionar-nos. Tem esta panóplia de conhecimentos porque andou a vasculhar sites e revistas da Fórmula Indy, está visto». 

«Quem o ouvir nesta gozação até fica com a impressão que tem uma longa, bem-sucedida e multifacetada carreira no automobilismo», concluímos em silêncio, maliciosamente.

O tempo passava num ápice e depressa chegamos à entrada do primeiro troço. 

Um atraso dos bombeiros (supostamente por terem sido chamados a combater um dos muitos incêndios que assolaram Portugal naquele domingo) obrigou a que parássemos cerca de vinte minutos, formando-se atrás de nós extensa fila de concorrentes, onde pontificavam nomes como Luís Mota no seu tradicional Mitsubishi, ou Octávio Nogueira no intemporal Saxo (os dois homens que discutiriam a primazia na prova, lutando ao segundo até à tomada de tempos final).

«Para os carros isto é o pior que pode acontecer», diz-nos de seguida.

«Os pilotos procuram aquecê-los o melhor possível desde a assistência até ao troço, fazendo as contas para chegar aqui e arrancar logo para a classificativa, e depois têm de os desligar. Os motores arrefecem, os pneus também, o carro perde performance e torna-se depois incaracterístico nos primeiros quilómetros da classificativa, tornando difícil a tarefa de quem o conduz no limite».

Encolhemos os ombros disfarçando um esgar sarcástico: «Ele sabe isto porque têm algum amigo mecânico ou preparador que lhe disse». 

« está de novo com ‘bazófias’, a procurar levar-nos a concluir que tem dezenas de Ralis no palmarés», ripostámos connosco próprios.

Supridas as questões da segurança, a organização dava-nos agora luz verde para abrir (seguidos dos ‘000’ e ‘00’, claro está) o troço. 

, a adrenalina de Zona-Espectáculo subiu. 

O novato parecia saber bastante bem o que tinha de fazer, mas ainda assim obviamente não era nenhum campeão nacional de Ralis ou antigo piloto oficial em quem pudéssemos confiar cegamente.

Cintos postos, capacetes colocados, e o Mégane a postos na linha de partida para o troço.

Talvez saturado pelos vinte minutos de espera, o carro começa agora a rosnar ferozmente, e um dos comissários de prova, após duas advertências anteriores, mostra a mão direita no vidro do carro e entra com os seus dedos em modo de contagem decrescente: «cinco, quatro, três, dois… UM!».

É difícil descrever por palavras o que se seguiu.

O Renault parecia possuído pelo demónio galgando num de repente metros a fio.

As duas/três primeiras curvas são feitas depressa, passamos no viaduto por baixo da Autoestrada 41 e chegamos a uma chicane de pneus onde o homem trava muito tarde (nós receamos que aos comandos deste carro começaríamos a travar para ela, chicane, talvez logo ao pé do local onde o comissário que nos sinalizou a partida…) mas faz uma trajetória imaculadamente perfeita não perdendo tempo.

Poucas dezenas de metros depois chegamos bem depressa a uma rotunda, perto de uma zona empresarial pareceu-nos, onde havia público em bom número mas na nossa linha visual apenas apareciam fitas vermelhas a delimitar o troço.

O nosso piloto parecia confiante, abordava a rotunda e zona adjacente com confiança e de forma muito precisa nas trajetórias, sem que o Mégane, obediente, fugisse um milímetro que fosse.

Num apertado gancho à direita, à saída desse local, puxa decidido o travão de mão, o carro vai girando criteriosamente a traseira (nem de mais, nem de menos), e volta a dar gás no momento exato sem perdas de tempo, com o público a manifestar-se com regozijo de forma bem audível.

O troço prossegue.

Logo após entramos numa zona a descer, entre árvores, com piso muito rugoso e ondulado.

Estamos agora numa curta reta onde se vê ao fundo uma direita aparentemente média/rápida.

O novato não demonstra pressa em travar.

Fá-lo tarde.


Parece-nos até que... demasiado tarde.

A estrada desce a bom descer e a traseira do automóvel começa subitamente a fugir para o lado direito.

«Vamos sair de estrada», interiorizamos numa fração de segundo.

O homem roda habilmente o volante para a direita, corrige para a esquerda, e desta vez a traseira deriva agora para o lado esquerdo, enquanto em simultâneo acelera o Mégane cortando a curva num vigoroso slide.

Olhámos pelo canto do olho esquerdo e pareceu-nos vislumbrar no nosso piloto um sorriso de satisfação, como se este jogo, à ‘antiga’, de provocar a traseira do carro duas vezes na travagem, desequilibrando-a para um lado e para o outro, tivesse sido propositado e controlado.

«Não pode ser», rematámos com os nossos botões.

«O novato queria impressionar-nos, mas teve foi uma sorte tremenda!».

(Bem) depressa chegou o final da especial, por entre mais umas curvas queimadas por dentro, com o homem a voltar a deixar um (justo) rasto de simpatia e incentivo aos comissários na tomada de tempos.

Na ligação para a segunda classificativa, referia-nos que apenas tinha feito duas passagens nas especiais deste Rali de Alfena no dia anterior, decorou muito pouco dos respetivos percursos, e que lhe faziam falta as notas para atacar a fundo nas zonas mais rápidas.

«Os penduras são decisivos nos Ralis. Uma relação de confiança entre piloto e navegador é fundamental para que as coisas corram bem. Curiosamente há navegadores que por sinal até guiam também muito bem. O Serginho, amigo e velho conhecido destas andanças, que tem feito uns Ralis com um Peugeot 106 para se divertir, é um desses casos: podia ter sido um piloto de qualidade».

Estávamos incrédulos: «Então não é que este novato está a gozar com a nossa cara, fazendo passar a ideia que conhece o conceituadíssimo Sérgio Paiva? Mais um bocado e ainda chega ao cúmulo de dizer que já foi navegado pelo antigo e reputado copiloto das equipas Toyota e Renault não? Enfim!...».

Prosseguiu, confidenciando que «sem notas não posso arriscar tudo, e é meu dever entregar o Mégane no final deste Rali sem arranhões ou hematomas. Além disso, se por acaso a comunicação social noticiasse em parangonas que me tinha despistado ao volante do ‘0’, imagino as gargalhadas que não iriam soar na sede de determinada instituição em Lisboa!».

A ligação (talvez com cerca uma dezena de quilómetros) ia decorrendo de forma descontraída em amena cavaqueira, com o nosso piloto a não se cansar de elogiar o Renault ao seu dispor.

Reconheceu que gosta de conduzir com o ABS desligado, pois em ritmo vivo e com a trepidação da estrada o sistema subitamente pode ligar-se deixando o pedal algo ‘duro’, perdendo-se sensibilidade para a travagem.

O percurso entre classificativas contemplava uma curta ligação por autoestrada, e à entrada desta, num local em viaduto com a caraterística curva à direita a 270º a subir em apoio, colocou à prova as capacidades dinâmicas do Mégane, com o automóvel a denotar um grip sensacional não se impressionando minimamente com as provocações do seu condutor.

E assim nos encontrávamos, agora, prestes a iniciar a segunda classificativa.

Esta especial pareceu-nos mais ’à Rali’: bastante sinuosa, bom piso, subidas alternando com descidas e muitos encadeados de curvas e contracurvas.

Esse ‘trabalho de braços’ adicional parecia não impressionar grandemente o nosso piloto, que abordava cada curva com um ângulo de volante muito preciso e sem recurso a grandes correções.

A certa altura, sensivelmente a meio do troço, nova descida, e ao fundo havia que cortar à esquerda numa curva/cruzamento a 90º.

Ia-mos depressa.

A velocidade era elevada.

Uma vez mais o homem trava tarde, puxa decidido o travão de mão, e percorre uma série considerável de metros com o carro a deslizar completamente perpendicular à estrada, até chegarmos ao cruzamento onde desativa o travão manual ao mesmo tempo que acelera vigorosamente, impulsionando o Mégane para a pequena reta que se seguia.

O coro de incentivos vindo da berma da estrada era enorme.

Mal refeitos deste momento ‘Ragnottiniano’, fomos ordenando pensamentos e não escondíamos admiração pelo talento deste desconhecido, que a cada curva ia mostrando saber perfeitamente o que estava a fazer dominando o bólide a seu gosto.

«Talvez consiga no futuro fazer algo que se veja nos Ralis, quem sabe?», equacionámos uma vez mais.

Embrenhados nestas reflexões lá cumpríamos esta segunda especial e rumávamos ao parque de assistência, dando assim por concluída esta curta mas certamente intensa experiência que perdurará nas nossas memórias.

Despedimo-nos do nosso piloto de forma fraterna, deixando o Mégane recuperar folego para a segunda secção do Rali que se seguia dentro de alguns minutos.

Sem que tivéssemos lido notas ou preocupações em interpretar o roadbook da prova, na retina ficou-nos o paradoxo de, a estas velocidades (ou melhor, a velocidades ainda mais elevadas), um navegador ter de se abstrair da estrada concentrando-se na sua partitura, mas em simultâneo saber a cada momento o terreno que pisa e vai pisar nos segundos seguintes.

Em período de descontração após todas estas peripécias, em tom coloquial colocamos a questão que agora importava aos elementos da Renault Portugal (promotora do concurso que nos viabilizou esta oportunidade única) presentes em Alfena: quem afinal era o piloto que tinham convidado para conduzir o Renault Mégane RS como carro ‘0’ na prova?

A resposta, elucidativa, confirmou aquilo que já suspeitávamos.

Tratava-se de um nome desconhecido na alta-roda dos Ralis, agora iniciado nestas andanças e à procura de construir carreira na modalidade.

Um tal, disseram, Pedro Matos Chaves



Notas:

Não podemos deixar passar este ensejo para expressar publicamente alguns agradecimentos que entendemos ser justificados:

1. - Ao Pedro... por tudo, a começar pela excelência de condução exibida perante nós, aquela que, afinal, o guindou à condição de um dos mais qualificados e versáteis pilotos da história do automobilismo português.

Retirado, segundo nos afirmou, do automobilismo de competição («há um tempo para tudo»), mostrou uma noção muito precisa dos principais problemas que impedem sobre o automobilismo português, bem como disponibilidade (determinação, diríamos) para colaborar no respetivo processo de reajustamento (palavra tão em voga…) que não só urge como se impõe.

Ainda que não em classificativa ou circuito, pela força e justeza das suas convicções o futuro reserva-lhe provavelmente responsabilidades de topo no automobilismo português.

Vamos, acredita-se, ouvir falar muito dele a prazo.

Lamentou que por norma ninguém com responsabilidades federativas se desloque a provas como o Rali de Alfena e ouça o que organizadores, pilotos e equipas têm a dizer.

A par do olhar realista sobre a modalidade, no seu modo folgazão confirmou-se como exímio contador de histórias.

Das peripécias, divertidíssimas, que ainda miúdo viveu em 1978 no Rali de Portugal nas aldeias mais recônditas da Serra da Cabreira (era então um humilde colaborador do evento, e pelos vistos, muitos anos volvidos, não esqueceu quão decisivo é o trabalho destes entusiastas no sucesso de um Rali), até aos contornos tragicómicos da repentina descoberta, com Sérgio Paiva, em plena classificativa de Lousada, de um acessório no interior do Toyota Corolla WRC com que participou no Rali de Portugal de 1998 (vd. sobre essa edição da prova a P.E.C. Nº 20 deste blogue), quem sabe os narre com mais detalhe futuramente, na magnífica coluna de opinião que tem vindo a dar à estampa na revista AutoSport;

2. - Ricardo Oliveira (Diretor de Comunicação da Renault Portugal) e a Marco Barbosa, os representantes da marca em Alfena, não podemos deixar passar a ocasião sem agradecer todo o profissionalismo, empenho e simpatia que empregaram para que a cada momento nos sentíssemos integrados na iniciativa que colocaram no terreno.

Após a prova viríamos a saber que o Renault Mégane RS rodou em tempos dentro dos dez concorrentes mais rápidos do Rali, o que nos adensou a dúvida sobre como teria sido se esta viatura absolutamente (fora) de série, tivesse entrado em ação em pé de igualdade com os inscritos na prova, designadamente com preparação adequada (treinos) e um navegador de créditos firmados.

3. - Ao nosso amigo pessoal Marcel Santos, pela enésima vez de serviço a uma prova de automobilismo, que na tomada de tempos da classificativa de 'Santa Cristina‘ tirou a fotografia que abre o presente trabalho e imortaliza para sempre esta manhã tão especial.

4. - As imagens onboard que seguem, foram colhidas por Ricardo Cardoso, precisamente o ‘navegador’ que se seguiu a nós, fazendo a segunda secção do Rali.

Na essência foi aquilo presente nestes excertos de filme que de igual forma vivenciámos.



AS FOTOS PUBLICADAS NO PRESENTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
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- http://www.facebook.com/#!/photo.php?fbid=406072152775725&set=a.405979159451691.84953.100001188306927&type=3&theater

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