terça-feira, 16 de outubro de 2012

P.E.C. Nº 165: Muna


Na imensa teia de troços para Ralis que o território de Portugal oferece, em pisos de asfalto ou de terra, há diversos locais que se constituem como uma espécie de ‘tesouros (quase) secretos’

«Muna» é um desses exemplos. 

Desconhecida do grande público, esta classificativa em alcatrão que integrou o Rali de Portugal no início dos anos noventa e foi aproveitada em várias edições do Rali Dão/Lafões (tendo a prova esta ou outra designação oficial), é seguramente uma das mais empenhativas e interessantes ao nível da condução em todo o país

Sempre na sombra mediática da sua familiar próxima denominada «Caramulo», o charme discreto de «Muna» nunca mereceu os favores da comunicação social

À exceção das comunidades locais, não era seguramente roteiro obrigatório nas migrações de adeptos que seguiam a saudosa etapa em asfalto do nosso Rali

Ali não consta, também, ter ocorrido algum daqueles momentos de arrebatamento ou espetacularidade que por direito próprio integram a simbologia da prova, nem nenhum dos excertos do seu percurso, ao contrário de vários outros exemplos noutros troços, constitui bilhete-postal ilustrado do evento

No entanto «Muna» é, analisada sob o prisma da condução, uma classificativa soberba

Favorece-a a morfologia (não obstante as imagens que abaixo publicamos não o deixem transparecer) sempre em vincada ascensão. 

A estrada, esguia e desprovida de larguras adiposas, é o '86-60-86' de qualquer especial que se preze, com os múltiplos encadeados de curvas cegas a transformarem-na, sem exuberâncias, em nove quilómetros de pura volúpia

Entre 1990 e 1993 «Muna» foi aproveitada para integrar o cortejo de classificativas do Rali de Portugal.

Carlos Sainz soube melhor que ninguém interpretá-la transformando-a em objeto de desejo, ali triunfando em três daquelas quatro ocasiões

Despida de adereços aqui se exibe, então, «Muna» tal e qual veio ao mundo, revelando-se também os seus 'traços de caráter' e respetiva 'biografia pessoal'.


(Nota: Sobre antigas classificativas do Rali de Portugal, vd. P.E.C. Nº 7, 26 e 35 deste blogue).

 M U N A 

 |  1. Informação estatística  | 

ANO: 1990.
Extensão: 8,71 quilómetros.
Vencedores:
a) piloto: Carlos Sainz.
b) navegador: Luís Moya.
c) carro: Toyota Celica GT-4.
Tempo realizado: 6m:22s.
Média horária: 82,08 kms/h.

ANO: 1991.
Extensão: 9,30 quilómetros.
Vencedores:
a) piloto: Armin Schwarz.
b) navegador: Arne Hertz.
c) carro: Toyota Celica GT-4.
Tempo realizado: 6m:24s.
Média horária: 87,19 kms/h.

ANO: 1992.
Extensão: 9,30 quilómetros.
Vencedores:
a) piloto: Carlos Sainz.
b) navegador: Luís Moya.
c) carro: Toyota Celica Turbo 4WD.
Tempo realizado: 5m:57s.
Média horária: 93,78 kms/h.

ANO: 1993.
Extensão: 9,27 quilómetros.
Vencedores:
a) piloto: Carlos Sainz.
b) navegador: Luís Moya.
c) carro: Lancia Delta HF Integrale.
Tempo realizado: 5m:55s.
Média horária: 94,01 kms/h.


 |  2. Classificativa em imagens onboard  | 



 |  3. Infografia  | 


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