P.E.C. Nº 168: Uma 'família' às direitas...



O gesto embevecido é revelador. 

O afago paternal mostra-se ternurento. 

Alcabideche, 1982. 

Talvez por alturas do Rali de Portugal (algo que procurámos precisar, sem sucesso), Walter Rohrl juntou à porta do restaurante ‘Moinho Vermelho’ dois irmãos

Apelido comum: Opel

Nomes próprios: Manta (o mais velho) e Ascona (o benjamim). 

Para a ocasião, especial, a rapaziada muniu-se de vestimenta a rigor. 

Foi ao guarda-fato buscar a incontornável toilette de marca Rothmans, eternamente fashion, que sempre assentou com elegante distinção aos múltiplos carros que a envergaram. 

Um encontro de família provoca emoções, às quais nem o próprio Rohrl (que nos habitou ao longo da sua carreira ao modo tão germânico de reprimir emoções) deixou de sucumbir. 

Na foto acima publicada, o gesto carinhoso com que mimoseia o ‘seu’ Ascona é a antítese de quem, dois anos antes, havia conduzido em Arganil mandando para as ravinas do Açor medos, receios, ou qualquer outra ponta de emoção (vd. P.E.C. Nº 74 deste blogue). 

O bicampeão do mundo (1980, 1982) tem, aliás, todos os motivos para ver no Ascona um filho capaz de lhe dar motivos de orgulho e realização pessoal. 


Foi ao volante daquele rebento que nos primeiros anos da sua carreira chegou ao título europeu em 1974

Com ele averbou a primeira vitória em provas do mundial (Acrópole, 1975). 

Depois, o tempo passou e o rebento cresceu. 

Fez-se homem. 

Ganhou corpo, mais músculo e engrossou a voz

É já em 1982 que se dá o reencontro entre ambos, após alguns anos de distanciamento e pouca abarthura para convivências. 

E a história não podia ter tido final mais feliz: Walter Rohrl averbaria o seu segundo título mundial conquistando também o cetro de campeão africano de Ralis, antes de retornar a Itália lanciando-se em nova aventura profissional. 

Na reunião que a foto acima documenta, perpassam os laços de consanguinidade que Rohrl tinha há 30 anos com a família Opel

Avivando-se a nossa memória, percebemos que o seu percurso desportivo está mais ligado (no tempo e nos êxitos) à marca de Russelsheim que às congéneres Audi ou Porsche

O lendário piloto alemão curiosamente nunca guiou o modelo Manta, pelo menos em provas ao mais alto nível. 

Já quanto ao caçula Ascona a ligação entre piloto e máquina evoluiu imune ao rolar do tempo. 

Daí o sentimento de pertença que a foto projeta, numa manifestação de afeto por parte de Rohrl genuinamente alemã: de óculos escuros, para ninguém perceber…


Nota
Passados trinta anos o nosso amigo Nuno Branco esteve em Alcabideche, no local em apreço, para colher foto atualizada à porta do 'Moinho Vermelho'Colaborador da revista AutoSport, é em Portugal das pessoas com maior talento a escrever sobre Ralis, fazendo dos seus trabalhos uma súmula perfeita entre o relato, a emoção e a objetividade. O Rali de Portugal é confessamente assunto da sua predileção, e as classificativas de Sintra matéria em que se notabilizou. Alguns dos seus escritos sobre o tema poderão ser lidos AQUI, e um conjunto admirável de comparações entre o ontem & hoje poderá visto AQUI.




A FOTO EXIBIDA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://blogs.motortrend.com/the-lohdown-rollin-with-rohrl-part-1-2368.html/0/

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