P.E.C. Nº 171: Luílhas



Quando Fafe vem à baila em qualquer conversa sobre Ralis, a nossa representação mental projeta de forma imediata três imagens: o Confurco, e os saltos da Pereira e da Pedra Sentada

É esta a trilogia mais emblemática das classificativas de Fafe

São estas as referências que os aficionados foram apadrinhando ao longo dos anos como marcos identificativos da região no contexto da modalidade

O corolário desta ideia foi materializado, aliás, no Fafe World Rally Sprint/2012, que dentro do vasto leque de hipóteses nas serras fafenses se socorreu precisamente de parte da antiga Lameirinha para gizar o evento em torno dos três grandes pilares que alimentam, afinal, todo o misticismo daquelas paragens.

Todavia, não obstante o que se referiu, pensamos ser justo frisar que a importância de Fafe está longe de se esgotar no triângulo formado pelo Confurco e os dois saltos (ambos, ainda que remotamente, com uma certa ascendência finlandesa...). 

Palavras como Lagoa, Rossas, Montim ou Ruivães são, desde há muitos anos, parte integrante do dialeto para Ralis entoado dentro e fora do nosso país. 

Se para muitos entusiastas a Lameirinha se afirmou com o passar do tempo como um sólido casamento, capaz de resistir à saturação de uma certa lógica de rotina anual, já Luílhas pode ser vista como a amante discreta, capaz de incrementar aquela ideia de frescura (desde logo pelo vento gelado que sopra por aquelas paragens em março) e novidade a que vários dos que juraram fidelidade eterna à Pereira, Pedra Sentada e Confurco acabariam com o passar do tempo por sucumbir. 

Na sua configuração clássica, sobretudo na fase final da classificativa, Luílhas tem tudo o que se pretende da amante e a esposa não quer ou não consegue proporcionar: a entrada em cena dos carros no topo do monte irrompendo apressados pelo meio dos pedregulhos, todo aquele cabelo escadeado que trás, depois, os bólides na sequência de ganchos até cá abaixo, uma subida com alguns ‘esses’ rápidos a exigir grande perícia com o volante, um pequeno salto (também este, ainda que remotamente, com uma certa ascendência finlandesa…), logo seguido de novo gancho à direita, em descida, a que se segue uma bela sequência de curvas e contracurvas até à tomada de tempos final, junto a Casal Estime

Ótimo para o adepto voyeur que gosta de espreitar a ação. 

Seguramente muito prazenteiro para o piloto que explora habilmente todos os pontos mais curvilíneos deste local deveras sensual, quase irresistível... 



AS FOTOS QUE PUBLICAMOS NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
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