P.E.C. Nº 188: Rewind, play e fast forward. Algumas notas sobre o WRC/2013...


Estão cumpridas três etapas do campeonato do mundo de Ralis de 2013.

A época em curso marca o início de um novo ciclo na modalidade, agora que Sébastien Loeb entrou em regime de trabalho parcial preparando sem traumas o seu afastamento definitivo das provas de estrada.

Esperava-se que estes novos tempos devolvessem ao mundial a competitividade e equilíbrio algo desvanecidos nos últimos dez anos. 

Com mais uma marca em ação (Volkswagen), muitos observadores perspetivaram um campeonato entoado a várias vozes, marcado por uma espécie de gospel competitivo oposto ao domínio absoluto do solista que protagonizou este desporto na última década, sem qualquer outra voz que se sobrepusesse à sua. 

Até ao momento a realidade tem sido distinta. 

Ao Sinatra de Haguenau sucede para já o Bennett nascido em Gap. 

Após o Rali do México, Sébastien Ogier lidera destacado o mundial de Ralis, facto que não constitui surpresa de maior. 

Sabia-se de temporadas anteriores que o atual recruta da Volkswagen era o único homem a poder ombrear (e até superar) consistentemente com Loeb, em qualquer Rali e em qualquer superfície. 

Ainda assim, levantavam-se legitimamente algumas interrogações relativamente à competitividade do Polo WRC quando comparado com os carros das experientes equipas da Ford/M-Sport e Citroen

A resposta tem sido clara e particularmente demolidora para o moral dos homens das marcas da oval azul e do double chevron, com danos colaterais a atingir profundamente também as pretensões de Jari-Matti Latvala

Em Monte Carlo o agora líder do campeonato do mundo demonstrou grande lucidez tática ao recusar entrar num jogo (luta direta com Loeb) que nas estradas traiçoeiras dos Alpes tinha grandes probabilidades de correr mal. 

A tentação de entrar na história averbando uma vitória logo na estreia da sua nova montada seria grande. 



Mas prevaleceu o sentido da realidade e a ideia de que o campeão se constrói fazendo em cada Rali o melhor possível, não havendo outra forma de colher dividendos senão semeando regularidade pontual ao longo da toda temporada. 

Na Suécia, segunda etapa do calendário, o recruta da Volkswagen foi a casa do(s) adversário(s) averbar um triunfo avassalador. 

Na bolsa de apostas a maior dose favoritismo recaia sobre homens como Hirvonen, Ostberg e Latvala (todos haviam ali realizado ótimos desempenhos em ocasiões anteriores), sem esquecer Loeb (ainda presente)

Na refrega pela vitória a Ogier estava reservado quando muito o papel de lugar-tenente

Empenhado em contrariar prognósticos e quem sabe motivado como nunca, o andamento do francês foi implacável: rápido (mais, bem mais, que qualquer outro rival) quando tinha de o ser, defendendo-se quando a mais elementar prudência assim o recomendou, desferindo a estucada final nas hostes adversárias quando dominou como quis a power stage, e saindo assim de terras escandinavas com a pontuação máxima em termos de campeonato. 

Mais que o resultado em si, o andamento posto em prática pelo piloto da marca alemã não pode deixar de gerar um forte sobressalto nas armadas rivais: se Ogier no campo do adversário (neve e gelo) havia triunfado sem apelo nem agravo, como seria quando jogasse em casa (asfalto e gravilha) e nos seus palcos (pelo menos em tese) prediletos? 

O Rali do México, disputado no passado fim-de-semana (para muitos o verdadeiro primeiro Rali do ano, dada a pretensa atipicidade dos dois eventos anteriores), prometia trazer alguma luz a estas interrogações. 

Estamos em crer que após a incursão por terras Aztecas o título ficou de facto substancialmente mais iluminado para Ogier, na inversa medida em que terá gerado um assustador apagão nos horizontes sobretudo de Hirvonen (o finlandês referiu publicamente que «demorou a entrar no ritmo da prova», e nós começamos a recear que comece a ficar tarde demais para «entrar no ritmo da luta pelo campeonato do mundo»…), Ostberg e Latvala (ao finlandês lá voltou, pela enésima vez, a aparecer uma pedra por debaixo do seu carro, algo que já passou a barreira do mero azar para se transformar no mínimo em alguma inabilidade para tirar notas…)

Para já, parece que o ritmo fast forward de vários dos protagonistas deste campeonato não é sequer suficiente para rivalizar com o modo play de Sébastien Ogier

O Polo WRC não dá mostras de vacilar na fiabilidade (muitos milhares de quilómetros acumulados em testes, uma planificação extremamente cuidada e com elevados padrões de profissionalismo, e a supervisão avalizada de um nome como Carlos Sainz não poderiam deixar de produzir estes resultados), parece ser um carro com uma base muito sã, fácil de afinar, e já mostrou índices de competitividade enormes em todos os tipos de terreno, pelo que não é difícil adivinhar que o domínio do atual líder do campeonato se possa manter pelo menos durante mais um bom par de Ralis. 

A próxima prova é o nosso Rali de Portugal que o francês já ganhou por duas vezes (2010 e 2011), onde demonstrou com o passar dos anos grande adaptação às classificativas do Algarve e do Baixo Alentejo, pelo que se não for algum contratempo de índole mecânica a travar a marcha ao líder destacado do campeonato, não vemos, muito sinceramente, quem possa impedi-lo de averbar a terceira vitória consecutiva em 2013. 

Se essa ideia se confirmar, caso Ogier confirme em Portugal o ascendente desportivo e psicológico sobre os principais adversários que tem vindo a revelar até ao momento, pensamos que as perspetivas de triunfo final no primeiro campeonato do mundo da era pós-Loeb não podem deixar de rapidamente entrar num ruidoso rewind para Sordo, Hirvonen, Ostberg, Novikov, Latvala, etc, etc, etc…










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