terça-feira, 28 de maio de 2013

P.E.C. Nº 205: Relações luso-espanholas em matéria de Ralis...


Ao longo dos séculos, desde os tempos em que Portugal e Espanha desenhavam os contornos do mundo e partilhavam terra e mar entre si (nós, descendentes de Viriato, começamos logo aí a mostrar a nossa endémica falta de olho para o negócio…), que a relação entre as duas nações ibéricas é semelhante à de dois irmãos com feitios desencontradamente iguais. 

O passado mostra que nos guerreámos e mantivemos relações de franca proximidade. 

Zangámo-nos em algumas épocas mas também soubemos remar vigorosamente a jangada de pedra em conjunto, como por exemplo agora, neste mar em que nos encontramos encapelado de défices e austeridade. 

Ao longo da história há figuras que se destacaram na interseção de interesses entre os dois povos ibéricos. 

Personalidades que, no fundo, conseguiram ser respeitadas e admiradas em ambos os lados da fronteira. 

Portugal enviou, no presente e num passado recente, emissários da boa vontade para Espanha: por azar, nenhum deles suficientemente consensual para congregar aplauso unânime quer lá, quer cá. 

Luís Figo esteve no país de nuestros hermanos o tempo suficiente para quase desencadear uma guerra civil entre Madrid e Barcelona. 

Cristiano Ronaldo investe demasiado em cremes de beleza para ser genuinamente admirado, e, receamos, só reunirá o pleno de preferências dentro do conjunto de leitores das revistas ‘Hola’ e ‘Caras’

Saramago, independentemente do talento literário que lhe queiramos conceder, foi em vida (e, porque não, é em morte) provocador e polémico quanto-baste, tendo uma imagem pública em Espanha e Portugal com mais anticorpos que o número de saltos do Rali da Finlândia. 

José Mourinho está de partida de Madrid levando consigo um gigantesco rol de tricas e polémicas com imprensa e adeptos. 

É um treinador extraordinário, com uma personalidade fortíssima e fascinante, mas avesso a consensos. 

Faz parte da sua natureza: ou se ama Mourinho ou se odeia Mourinho

Com ele não há meio-termo nem avaliações de compromisso. 

E no meio disto tudo há… Carlos Sainz

Em 1998, em Portugal, a lenda madrilena cumpriu o centésimo Rali do campeonato mundo do seu palmarés (no total da carreira participou em 196 provas no WRC), ele que se havia estreado ao mais alto nível precisamente no nosso país, onze anos antes. 

Como desenvolvemos em março de 2011 na P.E.C. Nª 49 deste blogue, ‘El Matador’ ao longo dos anos que passeou a sua arte pelas classificativas portuguesas, conseguiu em muitos momentos a insofismável proeza de colocar uma multidão portugueses e espanhóis a falar a uma só voz

Com os seus golpes de volante vigorosos mas certeiros, Sainz fez mais pela comunhão dos povos ibéricos que mil enfadonhas e inócuas cimeiras luso-espanholas

Uma travagem do madrileno segurando o carro no limite, tinha mais diplomacia que cem beberetes em palacete de embaixadores

O filme que abaixo partilhamos é uma sumula feliz de onze anos de participações de Carlos no Rali de Portugal. 

Ali se documenta a forma como o espanhol cresceu enquanto homem e piloto, numa prova onde se sentia em casa tamanha era a falange de apoio que o seguia sem pestanejar por Ponte de Lima, Fafe, Viseu ou Arganil

A afición do lado de cá e do lado de lá de Vilar Formoso nunca lhe regateou forte aplauso. 

Entre 1987 e 2001, nas florestais portuguesas a ovação à determinação e mestria de condução de Sainz não tinha idioma oficial…    


A FOTO QUE PUBLICAMOS NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://4.bp.blogspot.com/-k_hLUHbnNKM/T9cHw74fyFI/AAAAAAAACUI/yIYlPVAREL0/s1600/pl_1_1_8147.jpg

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