sexta-feira, 28 de junho de 2013

P.E.C. Nº 211: Há leões que duram, duram, duram, duram...


várias estratégias para as marcas indexarem a imagem ao automobilismo. 

Uma delas, a mais comum e mais imediata, é através de vitórias e títulos. 

As estatísticas e os êxitos desportivos são quase sempre, sabe-se, a mais eficaz forma para promover a excelência de um dado produto automóvel. 

Construir carros que perdurem no tempo como opções válidas para se fazer provas ou campeonatos de automobilismo, pode ser outra maneira, duradoura, de se reforçar o caráter desportivo de um modelo ou de uma marca

A Peugeot é um excelente exemplo de como se pode colocar em competição automóveis que não se esgotam apenas na sua vida útil ao mais alto nível (enquanto são competitivos para lutar pelos melhores resultados e classificações), mas que prolongam no tempo a presença em campeonatos, designadamente de Ralis. 

Na última prova do calendário do campeonato de Ralis de Portugal, o construtor francês viu-se representado na respetiva lista de inscritos (incluindo CPR, Open e CRRC) por dezassete das cinquenta e cinco duplas de pilotos inscritas na prova (contas redondas, praticamente 1/3 da totalidade dos contendores inscritos no evento do C.A.M.G, portanto).

A diversidade de modelos da marca de Sochaux presentes foi grande, para todos os gostos e feitios. 

Do sempre icónico ‘205’ ao incontornável ‘206 GTi’ (o troféu hoje denominado ‘Desafio Modelstand’ continua, ano após ano, a servir de paradigma exemplar relativamente à melhor forma de competir a custos controlados, atraindo não só pilotos de créditos firmados e com palmarés de respeito, mas também apaixonados por Ralis que vêm na competição uma fórmula quase ideal de iniciação à modalidade), passando pelo lendário ‘306 Maxi’ (um carro de porte sempre elegante, que continua a exibir um grande ’saber estar’ em classificativa, mesmo quando não pilotado por Adruzilo Lopes), sem esquecer o ‘206 S1600’, modelo que Campos e Magalhães tão bem conduziram nos troços nacionais entre 2004 e 2006, até ao mais recente ‘207 RC R3T’, bólide da nova geração e adequado à frugalidade do atual campeonato de Portugal de Ralis. 

Uma certa frieza dos números assinala o grande sucesso da passagem da Peugeot pelos Ralis nos últimos trinta anos. 

Entre outras honrarias, foi campeã do mundo de pilotos em 1985, 1986, 2000 e 2002. 

Enquanto equipa conquistou o título máximo mundial nos anos citados no parágrafo anterior, juntando-lhe a temporada de 2001. 

Venceu o Intercontinental Rally Challenge com três pilotos distintos entre 2007 e 2009. 

No plano nacional averbou sete títulos absolutos de pilotos (Adruzilo Lopes: 1997, 1998 e 2001. Miguel Campos: 2002. Bruno Magalhães: 2007, 2008 e 2009), além de honrarias na F2 e um número expressivo de cetros por equipas. 

A marca francesa tem, portanto, cá e lá, um palmarés vastíssimo nos Ralis, transversal a diversas gerações de carros e campeonatos da modalidade. 

É um aspeto de inegável importância para se (a)firmar como um construtor intimamente ligado aos Ralis. 

Porém, será talvez na relação duradoura que vem mantendo com as provas de estrada que está o segredo da imagem desportiva da Peugeot

As estatísticas com o passar dos anos soam por vezes datadas e circunscritas a determinado período. 

Os carros com pedigree ganhador são aqueles que só em sonhos o vulgar automobilista pode almejar conduzir. 

Daí que o sentimento de pertença de uma marca a uma modalidade se solidifique melhor com projetos simples, que o adepto de imediato possa identificar como seus. 

Em Portugal (equipa Peugeot Portugal à parte) isso ocorreu, por exemplo, nos anos oitenta com a saudosa equipa «Autosil» de Pedro Sena e os endiabrados ‘205’, ou o «Team Mocar» no início da década seguinte através do modelo ‘309’

Projetos que analisados pelos números não ficam seguramente ligados a um ciclo vitorioso. 

Mas que perduram por se alavancar em automóveis que volvidos muitos anos ainda andam por aí

uma dicotomia entre «ter» títulos nos Ralis, e «ser» uma marca de carros apelativos para fazer Ralis. 

A Peugeot, como o «Rali Vidreiro/2013» demonstrou e o respetivo palmarés atesta, consegue como ninguém fazer a interceção entre ambas as filosofias… 

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
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