quarta-feira, 31 de julho de 2013

P.E.C. Nº 217: Quase 500 anos depois, outras viagens pelo mundo, outro Magalhães, ainda e sempre a navegação!

É uma das melhores notícias para os Ralis portugueses nos últimos tempos (este desporto bem precisado anda de boas notícias…), mas sem grande estranheza passou mais ou menos indiferente ao grande público e diversos outros agentes da modalidade. 

Hugo Magalhães, atual parceiro de aventuras de Bernardo Sousa no C.P.R. (lideram desafogadamente a competição), participou recentemente a convite do piloto Eddy Karou-Baram no Cedars Rally, prova pontuável para o campeonato libanês de Ralis. 

Um quinto lugar final foi resultado brilhante para quem desconhecia por completo o traiçoeiro terreno onde a prova se desenrolou, se viu na contingência de uma adaptação-relâmpago à necessidade de cantar notas em inglês, e trabalhou com um piloto muito pouco experiente em matéria de Ralis. 

Magalhães correspondeu (estamos mesmo em crer que superou) em pleno à confiança nele depositada, num contexto repleto de dificuldades, pelo que não serão surpresa novos convites que venham a surgir rumo a uma internacionalização mais regular da respetiva carreira. 

O jovem navegador é hoje um dos mais destacados nomes da renovação geracional de copilotos que tem vindo a ocorrer nos Ralis nacionais, iniciada a partir dos primeiros anos da década passada.

Vultos como, entre outros, Fernando Prata, Ricardo Caldeira, António Abreu, Miguel Borges, Joaquim Capelo, Luís Lisboa ou Sérgio Paiva foram em meia-dúzia de anos, de forma diríamos natural, cedendo espaço para que emergisse uma nova ordem na qual hoje pontificam nomes como António Costa (início de carreira em 2001, no Rallye Portas de Rodão, navegando Cristiano Duarte num Citroen Saxo Cup), Vítor Hugo (início de carreira em 2000, no Rali de Goís, navegando João Branco num Peugeot 106 GTi)Hugo Magalhães (início de carreira em 2006, no Rali do Futebol Clube do Porto, navegando Daniel Ribeiro num Toyota Corolla GTi) Alberto Silva (início de carreira em 2000, no Rali de Famalicão, navegando José Veiga num Toyota Starlet 1.3)Jorge Henriques (início de carreira em 1998, no Rali de Alcoutim, navegando Hugo Lopes num Toyota Corolla Twin Cam) ou Vasco Ferreira (início de carreira em 1999, no Rali de Marco de Canavezes, navegando António Lopes num Citroen AX)

É certo que referências como os experientes Paulo Babo, Luís Ramalho ou José Janela com maior ou menor periodicidade ainda andam (depressa…) por aí

Miguel Ramalho parece encontrar-se num ponto de indefinição relativamente ao seu futuro desportivo.

Nuno Rodrigues da Silva e Mário Castro são charneiras na transição entre passado e presente.

O veterano Carlos Magalhães é hoje cidadão-do-mundo em matéria de navegação, com uma reputação que ultrapassa em muito as fronteiras do país e o conduziu para uma sólida carreira internacional. 

'Fifé' não é catalogável. 

Paira acima dos colegas de função, granjeando uma respeitabilidade tal que o eleva à condição de guia espiritual para quem queira fazer da arte de cantar notas uma forma de vida. 

No entanto, uma análise rápida à atual classificação do campeonato de Portugal de Ralis deixa perceber uma mudança de paradigma no banco do lado direito dos bólides. 

Onde antes a experiência e paciência eram vetores essenciais no curriculum de qualquer copiloto, hoje dita cartas uma nova geração de navegadores extremamente bem preparados para a função, metódicos, organizados, cientes do seu papel, com uma indómita vontade de aprender e evoluirresilientes perante o inesperado, dando em suma mostras de muita confiança que nem os mais rápidos e experientes pilotos nacionais conseguem abalar. 

Num mundo global é natural que tais predicados ultrapassem fronteiras. 

Se Carlos Magalhães integra a elite dos navegadores do campeonato do mundo, já António Costa experimentou este ano a participação no Rali das Ilhas Canárias, prova integrada no campeonato Europeu de Ralis (matriz comum a ambos, o piloto brasileiro Daniel Oliveira), com a sequência a ter lugar agora em pleno médio-oriente, através de Hugo Magalhães, num convite que terá tido tanto de inesperado como de entusiasmante para todos os que têm ligações à modalidade. 

Reside aqui, aliás, uma das grandes ironias dos Ralis nacionais do momento: enquanto os nossos pilotos de proa (Bruno, Armindo, Bernardo) estão com as suas carreiras internacionais em suspenso (se não mesmo bastante comprometidas) por falta de verba, pelos vistos os seus ‘braços direitos’ estão com um cartel em alta além-fronteiras, são requisitados para competir lá fora, e (presume-se) ainda são pagos para o efeito.

O futuro pertence-lhes...




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