sábado, 3 de agosto de 2013

P.E.C. Nº 218: Sempre a Rock n' Rohrlar...


Neste nosso humilde estaminé, já em ocasiões anteriores dedicamos diversas linhas a Walter Rohrl

Será excessivo dizer que foi em função do alemão que começámos a gostar de Ralis. 

Mas sem as idolatrações assolapadas a que por vezes a juventude se entrega, em meados dos anos oitenta era o piloto de Ralis com quem mais simpatizávamos. 

Talvez porque tivesse aquilo que se chama ‘pinta-de-craque’

Espadaúdo, longilíneo, atlético, projetávamos no Rohrl o rótulo automático de 'às-do-volante'

Ao tempo estávamos em pleno processo de transição entre a meninice e a adolescência, naquela idade em que se deixa de ligar às brincadeiras para se começar a prender a atenção às coisas a sério. 

Nessa ótica, o gosto pelos hormonais ‘Grupos B’ servia às mil-maravilhas o nosso desejo de afirmação e o fascínio pelo automobilismo que desde então, felizmente, nunca mais nos abandonou. 

A explicação para 'sermos do Rohrl' talvez inconscientemente se devesse ao espírito de contradição próprio da idade. 

Se o Alén tinha em Portugal uma falange de entusiastas enorme (com o tempo passámos convictamente a integrá-la também, aplaudindo entusiasmados cada passagem em troço que o mago finlandês foi cumprindo no Rali de Portugal até 1993), era muito mais divertido 'ser do Rohrl', só para chatear e ser diferente


Fenómenos sísmicos como o Toivonen ou o Vatanen (ambos também, tal como Markku aliás, espadaúdos, longilíneos e atléticos, e todos de igual forma com ‘pinta-de-craque’), também tinham no nosso país um número expressivo de fiéis seguidores (com o tempo aprendemos, também aqui, a rendermo-nos à espetacularidade e virtuosismo dos dois ‘monstros’ nórdicos), pelo que, em suma, ser da 'fação Rohrl' era muito mais irreverentemente cool

Quer dizer: havia outros! 

Mas como é que se podia 'ser do Salonen', quando o campeão de 1985 tinha um visual tão glamouroso quanto o de um operário das Minas de Aljustrel (temos o maior respeito pela função) acabado de sair da jornada de trabalho? 

Ou torcer pelo Blomqvist, que com aquela calvice dava perigosamente ares ao funcionário público pachorrento a contar cada segundo até ao petisco no tasco com os amigos às cinco e meia da tarde? 

Por exclusão de partes, até porque simpatizar com o Rohrl em Portugal aproximava-se fascinantemente daquele ideário romântico, tão caro aos adolescentes, de pertença a uma minoria, se calhar era por isso que pendíamos para seguir o alemão. 

Ou então, mandando às malvas estudos antropológicos sobre a questão, talvez ao tempo 'fossemos do Rohrl' porque sim, ponto final! 

Na internet hoje em dia existe uma miríade de documentos, escritos, fotográficos ou em forma de filme, sobre o que muitos apelidam de época dourada do campeonato do mundo de Ralis.

Dificilmente se pode ser original a abordar o tema. 

Poderíamos neste trabalho perder dez minutos do nosso tempo no intelectualmente extenuante trabalho de copiar/colar, apresentando de seguida ao visitante deste espaço a mais genial biografia de Walter Rohrl


Era tão simples quanto apresentar com refinado requinte aos convidados para jantar o mais elaborado Bacalhau à Brás, comprado afinal em pacote numa qualquer promoção dos supermercados Lidl. 

Sobre o campeão do mundo de 1980 e 1982 tudo já foi dito e escrito. 

Não somos seguramente nós quem poderá trazer algo de novo relativamente à carreira desportiva do lendário germânico, quanto mais não seja porque não temos talento suficiente para o fazer. 

Muito de refrescante nesta área faz-se hoje no conforto do lar, através de magníficos filmes como os que o jovem Antti Kalhola vem publicando. 

A expressão da quintessência do desporto automóvel transferiu-se muito para o home made, onde adeptos de automobilismo portadores de imaginação e com recurso a meios técnicos quase artesanais conseguem produzir imagens sublimes. 

Kalhola é, nessa área, nome cimeiro e incontornável. 

A unanimidade na proclamação da sua obra é tão evidente, que, salvaguardas as devidas diferenças, não será excessivo considerá-lo o Madiba automobilístico do windows movie maker

Começam nesta área a haver seguidores inspirados nos trabalhos made by Antti

O filme que abaixo partilhamos é um desses belíssimos exemplos. 

Para quê escrever (mais) seja o que o for sobre Walter Rohrl, quando podemos, através de poesia visual, vê-lo a conduzir nos seus domínios diletos de Monte Carlo, ou admirar os seus nervos de aço na abordagem aos frenéticos quilómetros iniciais da célebre Lagoa Azul?


AS FOTOS PUBLICADAS NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://www.blenheimgang.com/wp-content/uploads/2012/04/Walter-Rohrl.jpg
- http://3.bp.blogspot.com/-oaFfzjL09K4/Txunfwy0IOI/AAAAAAAAAQo/xwN7FeB1jdo/s400/walter-rhrl-111.jpg
- http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/Walter_R%C3%B6hrl_-_Signatur.jpg

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