P.E.C. Nº 223: A Senhora da Hora... dos Ralis!


Escrevemos recentemente neste blogue meia-dúzia de frases alusivas à ligação entre o Porto e o Rali de Portugal (ver aqui)

Porém, à semelhança de Lisboa e da vizinha do lado Sintra, também a norte do país Matosinhos teve no passado uma relevância decisiva no contexto da prova, capaz até, dentro da subjetividade que estas matérias sempre encerram, superar o legado que a cidade Invicta deixou no historial do evento.

O maior parque de exposições do país (Exponor) foi durante algumas edições a barriga de aluguer (leia-se centro nevrálgico) do Rali.

Dali se iniciaram e concluíram os processos de gestação de algumas das mais entusiasmantes edições do Rali, como será o caso de 1998 (ver aqui), quando McRae e Sainz se envolveram num duelo sem tréguas na procura da vitória, concluindo as hostilidades separados por míseros 2,1 segundos. 

Mas Matosinhos não se confinou, nesses anos, a manter a caravana no conforto dos gabinetes da Exponor. 

Há 15 anos, por exemplo, ‘obrigou’ os concorrentes a uma arruada pelas principais avenidas da cidade, com passagem pelo palanque para a merecida ovação perante aficionados e menos aficionados (mas ainda assim rendidos ao charme irresistível da prova) destas coisas dos carros. 

É desse momento, da cerimónia do pódio alusiva à 32.ª edição do Rali de Portugal realizada em plena Avenida Dom Afonso Henriques, Matosinhos, que cuida a foto que abre este trabalho. 

No momento da consagração Sainz e Moya, resignados ao lugar intermédio do pódio, não desconfiavam que o pior viria meses mais tarde, quando dramaticamente viram (literalmente) esfumar-se a pouco mais de 500 metros do final do campeonato um título que estava mais que garantido. 

Um dia, a esse fatalismo que só os desígnios do destino poderão ajudar a compreender, talvez venhamos a dedicar algumas linhas. 

Para já, numa das mais épicas edições do Rali de Portugal de que há memória, o que nos apraz dizer é que naquela quinta-feira, dia 25 de março de 1998, o triunfo de McRae foi de tal forma apertado, que se a Senhora da Hora tivesse feito uma aparição à multidão presente na Afonso Henriques viria certamente trajada de kilt e a soprar fervorosamente uma gaita-de-foles.


Nota 1:
Para entrarmos ao ataque neste trabalho foi indispensável o reconhecimento prévio do terreno minuciosamente levado a cabo pelo nosso batedor (de fotos...) Mário Conceição. A ele novamente endereçamos o nosso mais sincero agradecimento pela fotografia atual da Avenida Dom Afonso Henriques, em pleno coração de Matosinhos. Uma quinzena de anos separa as duas imagens publicadas neste trabalho. Aparentemente pouco mudou naquela artéria. Como se Matosinhos sinalizasse a quem de direito a mesmíssima predisposição para acolher a caravana do Rali de Portugal que evidenciava em 1998.

Nota 2:
Desde a abertura deste blogue, no final de maio de 2010, temos vindo a identificar sempre os sites onde colhemos a fotografias que publicamos nos nossos trabalhos. É um imperativo ético de que não abdicamos. Infelizmente, por motivos que nos escapam, não nos é para já possível indicar o link onde obtivemos a foto que encima esta 'P.E.C.'. Logo que se mostre possível, de imediato procederemos à correção de tal lapso.

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