terça-feira, 24 de setembro de 2013

P.E.C. Nº 224: One, two, three (FORD...), Hey Ho! Let´s Go!...


Não fizemos a inventariação com rigor, mas a nossa perceção é que na segunda metade dos anos setenta e primeiros anos da década seguinte, à exceção, porventura, dos pilotos sob contrato com as equipas oficiais da Lancia e Fiat, poucos devem ter sido os grandes nomes dos Ralis a não ter experimentado, pelo menos uma vez na carreira, os Ford Escort de segunda geração.

De todos os que guiaram o icónico tração traseira da marca americana (foram muitos por esse mundo fora) acreditamos nenhum o terá feito com a mestria de Ari Vatanen.

Um pouco, se quisermos, como a emblemática guitarra Fender Stratocaster, que tendo sido seguramente já explorada por todos os mais brilhantes guitarristas do planeta, ainda assim nunca terá sido levada ao limite como pela arte de Hendrix.

Entrando em termos de comparação entre rock e Ralis, metaforicamente pode-se escrever que Vatanen trouxe à modalidade que o notabilizou uma certa atitude punk.

Subjaz das imagens dos Ford Escort que tripulou na fase inicial da carreira uma enorme rebeldia e insubmissão a regras pré-instituídas.

Os cânones da condução politicamente correta encontraram no finlandês um insubmisso férreo, tamanha a irreverência que colocou ao volante dos RS 1800 entre 1977 (o ano em que o punk explode em terras de sua majestade coincide com a entrada de Ari no mundial de Ralis com caráter regular) e 1981 (quando se colocou, provocatório, no lugar mais alto da ‘tabela de vendas’ pontual no final dessa temporada).


Os míticos três acordes a ser rasgados furiosamente, tocou-os Ari em três… pedais com batidas igualmente frenéticas!

Os Ford do nórdico naqueles anos semearam ilusões como nenhuns outros, parecendo praticar um convicto e constante slam dancing às bermas do troço.

O paradoxo entre a calma e o sorriso franco de Ari fora do carro e a libertinagem, urgência e inquietude dentro dele, provam que o finlandês transformava-se em palco.

Naturalmente uma ‘atitude Clash’ redundou diversas vezes em ‘resultados Crash’.

A par dos mais belos slides, o percurso desportivo de Vatanen está repleto de chapa retorcida e aparatosos acidentes.

Mas é essa voragem pelo excesso e a recusa em encarar a racionalidade que guindaram o campeão do mundo de Ralis de 1981, tal como aliás ao seu compatriota e adversário Henri Toivonen e posteriormente a Colin McRae, a um estatuto muito especial, feito de coragem e de tenacidade, vivendo depressa e na permanente provocação dos limites.

Como o Strummer ou o Joey Ramone…








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