P.E.C. Nº 238: Algumas linhas sobre o Delta S4...
I)
A história
terá já escrito praticamente tudo sobre a era dos ‘Grupo B’ no campeonato do
mundo de Ralis.
À distância de quase trinta anos, o decurso do tempo foi
ajudando a formular um juízo mais ou menos definitivo sobre aquele tornado incontrolável que, em meia-dúzia
de anos, moldou para sempre os contornos e caráter desta modalidade.
Como numa
desenfreada corrida ao ouro, o mundial de Ralis assistiu na primeira metade dos
anos oitenta a uma escalada de potência nunca antes vista.
O elixir da eterna competitividade
encontrou também fundamentos no incremento, pela primeira vez, de matérias
compósitas na conceção dos carros.
Os ‘Grupo B’ eram, no fundo, essencialmente
carros transbordantes de fitness,
mais leves que antes, mas com maior força e musculatura (apêndices aerodinâmicos, embaladeiras,
etc…) deveras tonificada.
Em
1984, a Lancia e o grupo Fiat enquanto ícones incontornáveis do desporto
automóvel enfrentavam um dos maiores desafios da sua existência.
O paradigma do
mundial de Ralis havia mudado em pouco tempo.
Passava a ditar imperativamente
regras a tração total, e quem pretendesse ter veleidades na obtenção de
resultados tinha forçosamente que enveredar por esse caminho.
Na temporada
anterior, em 1983, as mãos hábeis de Rohrl e Alén haviam (literalmente)
conduzido o 037 a cinco vitórias no mundial de Ralis, mas paulatinamente
percebia-se que o bólide estava a perder competitividade quando comparado com o
rival da Audi.
A época seguinte seria pródiga em confirmar essa tendência.
Uma
única vitória obtida na Córsega através de Markku colocava a nu as dificuldades
da marca italiana, facto que se agravaria com a entrada em grande da Peugeot na
fase final desse ano, irrompendo pelo WRC com três perentórios triunfos nos
1.000 Lagos, Sanremo e Rali do RAC/Grã-Bretanha, todos pela arte de Ari
Vatanen.
Em Turim os sinais de alarme ter-se-ão feito sentir.
A Lancia não
possuía um carro para consistentemente superar os adversários alemães e
franceses, havendo necessidade de dar uma resposta que honrasse os seus
pergaminhos desportivos conferindo ao mesmo tempo expressão ao orgulho
transalpino.
Para o efeito, a aposta viria a recair no carro batizado sob o
apelido Delta S4, no qual os homens sob comando de Césare Fiorio alimentavam grandes
esperanças em recuperar a hegemonia entretanto perdida no campeonato do mundo.
Logo em 1984 o projeto começou a ser trabalhado.
Produzidas as duzentas
unidades necessárias à homologação desportiva do automóvel, os primeiros
ensaios propriamente ditos revelavam desde logo um corte estilístico abrupto
com os seus antecessores.
Onde o Stratos e o 037 eram coupés dotados de personalidade muito própria, transbordando
desportividade por todos os poros e manifestando formas deveras elegantes e
aprumadas, já o Delta S4 aparecia aos olhos do mundo com uma estética tão
apelativa quanto a inesquecível melena do cantor Marco Paulo naquele mesmo
período.
Cosmética não era, porém, um luxo ao qual a Lancia pudesse dar-se.
Era
imperioso rapidamente produzir um carro de Ralis competitivo e dentro dos
cânones de então, ainda que desprovido da italianidade
dos seus antecessores.
No final de 1984, desvendadas as primeiras informações e
imagens da versão civil do automóvel,
era já o jornal AutoSport que na edição n.º 382, lançada para as bancas em 20 de
dezembro daquele ano, antecipava a hipótese de vir a ser o S4 o antídoto para a
supremacia que a Peugeot manifestava no campeonato do mundo.
Cumprido o período
de maturação do automóvel e a bateria de testes com vista à sua otimização (com
boa parte dos trabalhos cumpridos em La Mandria, a pista de testes do grupo
Fiat situada nas imediações de Turim), rezam os registos que o respetivo
desabrochar desportivo ocorreu de forma não oficial enquanto carro ‘0’ no Rali
Costa Esmeralda, pontuável para os campeonatos italiano e europeu, disputado
entre dezassete e dezanove de abril de 1985.
O mês de julho viu o projeto
intensificar-se.
No saudoso Rali das 1.000 Pistas (corrido nos dias seis e sete
daquele mês), novamente Alén e Kivimaki sentavam-se aos comandos do novo ariete
da Lancia, que desta feita surgia na lista de inscritos à margem da
classificação da prova enquadrado na categoria de ‘protótipos’.
Menos de duas
semanas depois, a equipa leva discretamente o seu novo automóvel à décima
quarta edição do Rali Colline di Romagna, naquele ano ausente dos principais
calendários de Ralis de Itália.
Um triunfo avassalador da dupla de pilotos
finlandesa num Rali disputado sob um sol inclemente e em que apenas dez carros
chegariam ao final, seria o tónico que validaria em definitivo o S4 como
sucessor do agora desatualizado 037.
Havia que arrepiar caminho, e a
ante-estreia da apresentação do bólide ao mundo verificou-se no nosso Rali Lois Algarve, em
1985.
Uma unidade tripulada pelos incontornáveis Markku Alén e Ilkka Kivimaki
passaria o difícil exame das duras especiais do sul do país com distinção (não
obstante o abandono), pelo que tudo parecia a postos para a première ao mais alto-nível, três
semanas depois, no Lombard RAC Rally disputado na ilha de sua majestade,
derradeira etapa do campeonato do mundo naquela temporada.
A expressão latina ‘vini, vidi, vici’ (prosaicamente:
chegar, ver e vencer) assenta como uma luva para caraterizar a chegada do Delta
S4 ao WRC.
Depois de uma temporada frustrante em que o 037 não possibilitou
qualquer triunfo a Toivonen, Alén e Biasion, a nova aposta do construtor italiano chegaria à
Grã-Bretanha na expetativa e sairia de lá em apoteose.
‘Henkka’, cinco anos
depois triunfaria pela segunda vez num país onde era muito querido, na frente
de Markku, ambos bem distanciados do terceiro classificado final, o local Tony
Pond.
Os Delta S4 reivindicariam para si a vitória em quarenta e quatro das
sessenta e duas classificativas efetivamente disputadas nesta edição do RAC,
posicionando-se desde logo como os grandes favoritos à conquista dos títulos no
ano seguinte.
II)
A temporada de 1986 começou no exato ponto em que havia acabado
a anterior.
Henri na abertura da época averbava nova e categórica vitória,
desta feita nas montanhas ao redor de Monte Carlo, vinte anos depois do seu pai
ter conseguido igual distinção por aquelas paragens.
Os S4 somariam dezoito triunfos
nas trinta e seis especiais do Rali e parecia nada os poder importunar na
caminhada rumo ao êxito.
Toivonen saia do principado quase como um anunciado
campeão do mundo de pilotos em 1986 (nesta altura ninguém se perfilava com
capacidade para o travar), sem saber que seria não só a última vitória da sua
carreira como também a derradeira vez que concluiria um evento do mundial de
Ralis.
A etapa seguinte, na Suécia, veria Alén terminar no lugar intermédio do
pódio, e logo após, em Portugal, pela primeira vez as mais profundas convicções
em torno dos ‘grupo B’ sofreriam forte abalo após o balanço trágico do acidente
de Joaquim Santos na Lagoa Azul, Sintra.
De seguida, no Safari, a Lancia
socorria-se do velho mas (con)fiável 037 para ver Markku concluir no 3.º
lugar, enquanto Miki abandonava por problemas de motor, para logo após, na
abertura de maio, a caravana do mundial rumar ao coração do mediterrâneo para
disputar a Volta à Córsega.
Antes do acidente fatídico que levaria deste mundo
o piloto que, pelo seu arrebatamento, muitos achavam não ser deste mundo, Henri
Toivonen tinha vencido doze das dezasseis especiais da prova e em condições
normais o triunfo quase de certeza não lhe escaparia.
No fundo da ravina do
troço n.º 18, após (ainda hoje) controverso despiste, perdiam a vida o finlandês
e o seu navegador Sérgio Cresto, simbolicamente esvaindo-se em chamas toda uma
época de ouro da modalidade.
Nas hostes da Lancia o abalo foi, como não podia
deixar de ser, deveras profundo, deixando marcas em toda a estrutura desportiva
da marca italiana.
Reerguer para o resto da temporada uma equipa animicamente
de rastos, foi o trabalho de sapa de Nini Russo e seus pares nos dias que se
seguiram à etapa francesa do mundial de Ralis de 1986.
Na Acrópole, um mês
depois, a vida continuava e a equipa apostava em Mikael Ericsson para, na
medida do (im)possível, fazer esquecer ‘Henkka’.
Massimo Biasion seria segundo
(não muito distante de Kankkunen, o vencedor), a Lancia vencia dezanove troços
ao longo do Rali, Markku passaria momentaneamente pelo comando, mas o piloto
finlandês da Peugeot cimentava a liderança no mundial, tendência que aliás se
agudizaria na Nova Zelândia, etapa seguinte do calendário, onde tornaria a
vencer precisamente na frente de Alén, Miki e Ericsson.
A meio da temporada e
com seis Ralis ainda por cumprir, Markku era segundo na classificação de
pilotos mas já a trinta e quatro pontos de Juha KKK, e Biasion quarto a uma
distância de quarenta e nove pontos do homem do 205.
Ainda em convulsão pela
perda abrupta de Henri a equipa parecia perdida, e os Delta S4 tardavam em
encontrar-se fazendo jus ao favoritismo que tantos lhe atribuíam após Monte
Carlo.
Nas pampas tudo se alteraria.
A equipa, desta feita reforçada com os
serviços do piloto local, o popular Jorge Recalde, colocaria no final do evento
os seus três carros nas quatro primeiras posições, Miki averbaria a primeira
vitória do seu palmarés no mundial de Ralis (lideraria, perentório, da primeira
à última classificativa), com os homens dos Lancia Martini a apenas deixar para a concorrência meros quatro
triunfos em troços num total de vinte e oito que compunham o Rali de Argentina.
Ainda considerável, diminuía todavia sobremaneira a diferença pontual do duo de pilotos
ao serviço da esquadra italiana para Kankkunen, mantendo-se tudo em aberto
quanto às contas dos títulos.
Seguiam-se os 1000 Lagos no calendário, prova na
qual a Lancia depositava fundadas esperanças em ver Alén triunfar e
aproximar-se do primeiro lugar do mundial de pilotos, ainda que se apresentasse
desfalcada de Biasion, substituído pelo sueco Kalle Grundel.
Markku, como
sempre, não deslustraria.
Dez categóricos triunfos nas dez primeiras especiais
era a resposta que a equipa esperava do seu mais cotado piloto.
O comando do
Rali parecia sólido, não obstante os esforços da armada Peugeot.
Todavia, os
saltos eram mais que muitos, o evento longo, e Kankkunen mas sobretudo Salonen,
campeão do mundo em título, iam ensaiando progressivamente o assalto à
liderança.
À passagem do troço n.º 34, Timo consomaria a ameaça saltando para o
comando de que não mais abriria mão até final, vencendo na frente de Kankkunen,
perante um resignado Alén que mais não conseguiria que ir além do lugar mais
baixo do pódio, algo ameaçado até pelo veterano Blomqvist, no terceiro Peugeot.
Nas contas do campeonato o cenário voltava a enevoar-se para os lados de Turim,
tornando-se emergente a necessidade de contra-atacar.
As hipóteses para o fazer
escasseavam com o aproximar do final da temporada.
Nenhuma das principais
equipas do campeonato faria a deslocação à Costa do Marfim, pelo que a caravana
rumava agora ao Sanremo para disputar a antepenúltima etapa do campeonato.
A
Lancia, a jogar em casa, apostava todas as fichas neste Rali.
Sanremo/1986
viria a ser o Rali que afinal nunca o foi.
A polémica que envolveu a prova e
que apenas teria desfecho meses mais tarde, talvez tenha sido o estertor dos
‘grupo B’ na medida em que colocou a nu a dificuldade (impossibilidade?) em os
regulamentos da época acompanharem a criatividade e audácia de engenheiros e
projetistas.
Antes de outra coisa qualquer, Sanremo foi naquele ano um mal
disfarçado braço-de-ferro franco-italiano no qual, de um lado, estavam a Lancia
e os organizadores do evento e do outro a Peugeot (Todt, já na altura influente
nas esferas de decisão) e Jean-Marie Ballestre/FISA.
Uma tentativa de afirmação
de poder de parte a parte, portanto.
Ia a prova avançada e a luta pelas
melhores posições ao rubro, quando o colégio de comissários decidiu
desclassificar toda a equipa Peugeot por alegadamente as saias laterais dos 205
estarem em desconformidade com os regulamentos.
A equipa francesa, na
contingência de sair de casa da sua rival sem nenhuns pontos e com o prestígio bastante abalado, naturalmente apelaria da decisão.
Em causa estava, segundo os gauleses,
o facto dos mesmos apêndices já em Ralis anteriores terem sido objeto do crivo
de inspeções e sempre declarados aprovados sem qualquer entrave, além das
próprias verificações técnicas pré-prova em Itália nada terem apontado aos
automóveis franceses.
Seguiu-se uma árdua batalha jurídica, na qual se
esgrimiram argumentos e moveram influências.
Tudo se decidiria já após o
final do último Rali do ano, numa decisão que tivesse o sentido que tivesse
jamais seria isenta de controvérsia.
Entretanto, com as classificações da etapa
transalpina do campeonato suspensas e o triunfo do binómio Alén/Lancia registado à
condição, a Grã-Bretanha era o destino seguinte para os melhores pilotos e
máquinas do mundo.
As enlameadas especiais da prova coroariam a última vitória de Timo
Salonen no WRC, ao passo que Markku Alén pagava sozinho as despesas da luta
contra a armada Peugeot, ainda assim averbando um segundo posto final na frente
de Kankkunen, desta forma mantendo em aberto as suas aspirações ao título
(encontrava-se a dezanove pontos de Juha, pelo que os hipotéticos vinte que
poderiam advir da vitória em Itália - uma incógnita no momento do desfecho do
RAC -, lhe abririam o comando do mundial).
O local mais improvável do mundo
para fazer Ralis (Estados Unidos), seria ironicamente aquele onde se disputou a
última etapa do campeonato do mundo de 1986.
As atenções mais que nunca
centravam-se no duelo em perspetiva entre os finlandeses Alén e KKK, ou seja, o
clássico confronto entre o piloto de créditos mais que firmados e o jovem valor
em ascensão.
Só eles ganharam classificativas (raro é o Rali do mundial onde
apenas dois pilotos vencem troços) em terras do Tio Sam: o piloto da Lancia,
vinte e três, o da Peugeot, vinte.
Por quatro vezes terminaram especiais
igualados com o mesmíssimo tempo.
Nenhum passaria as difíceis classificativas
da prova incólume a problemas mecânicos.
Alén, 35 anos, 104 pontos no mundial,
contra Juha KKK, 26 anos, 103 pontos no mundial.
Triunfaria… Markku, que desta
forma sagrar-se-ia campeão do mundo, ‘se’…
A interrogação demorou onze dias,
tantos quanto o destino (Ballestre?) demorou a colocar uma pedra sobre
o assunto.
A argumentação e pretensões da marca de Sochaux viriam a merecer
acolhimento por parte da FISA.
O resultado seria a anulação pura e simples dos
resultados do Rali Sanremo, que, desta forma, transferia sem apelo nem agravo o
título de pilotos de Itália para França, e de Alén para Kankkunen.
O Delta S4
via-se desta forma arredado do sucesso curricular a que doze meses antes estava fadado para
muitos dos protagonistas e seguidores dos Ralis.
Talvez tenha sido um automóvel
que apareceu tardiamente no WRC, quando a festa dos ‘Grupo B’ já tinha entrado
na sua fase final.
Será exagerado referir que foi o grande fracasso na história
da Lancia no campeonato do mundo de Ralis.
Conseguiu ganhar Ralis e muitos
troços.
Foi marcante na medida em que é até hoje dos raros carros construídos
especificamente a pensar nas competições de estrada.
A ele está indelevelmente
associada toda a simbologia de uma dinastia dos Ralis.
Não é difícil que com o
decurso do tempo se tenha transformado num objeto de culto, não só as duzentas
unidades ‘civis’ que foram construídas para que a viatura de competição pudesse
obter homologação desportiva, mas sobretudo as vinte e oito unidades que saíram
da fábrica de Turim decoradas com o incontornável embrulho da Martini.
Um Lancia
Delta S4 (a doutrina parece divergir relativamente à sigla, havendo quem
defenda que a mesma não significará mais que a expressão “supercharged four
wheel drive”, enquanto outras correntes advogam ser o ‘S’ o diminutivo de
“sovralimentata”) preparado para Ralis transacionava-se na internet em 2012 por
£ 850.000,00, pouco mais de um milhão de euros ao cambio atual.
Um Martini com
um preço ligeiramente inflacionado estamos em crer, sobretudo se atendermos a que não se fazia incluir com os indispensáveis gelo e rodela de limão…
III)
PALMARÉS DO
LANCIA DELTA S4
a) Vitórias em
provas no mundial de Ralis: 4 (R.A.C em 85, e Monte Carlo, Argentina e Rali
Olympus em 86), duas através de Toivonen e as restantes conseguidas por Alén e Biasion.
b) Vitórias em
classificativas no mundial de Ralis: 224 (Alén - 139; Toivonen – 49; Biasion –
18; Ericsson – 9; Recalde – 8; Grundel – 1).
c) Pontos no
mundial de Ralis: 157 (35 em 1985, e 122 em 1986).
d) Pódios em provas do mundial de Ralis:
12 (Alén - 7; Biasion - 3; Toivonen - 2).
e) Vitórias em
provas do campeonato da europa de Ralis: 9 (Tabaton - 6; Cerrato - 2; Toivonen - 1).
f) Pódios em provas do campeonato da europa de Ralis: 13 (Tabaton - 7; Cerrato - 5; Toivonen - 1).
g) Vencedor do
campeonato italiano de Ralis em 1986 (Dário Cerrato).
h) Vencedor do Campeonato
de Espanha de Ralis de terra em 1987 (Juan Carlos Oñoro), 1988, 1989 e 1990
(Gustavo Trelles).
IV)
O CARRO,
TECNICAMENTE FALANDO
O Lancia
Delta S4 foi dos poucos ‘grupo B’ a ser criado especificamente para a
competição, ao contrário de alguns dos seus competidores que eram evoluções das versões
do dia-a-dia para carros de Rali.
A máquina italiana repristinou, pois, a
melhores técnicas de construção existentes ao tempo, como a monocoque central
incluindo habitáculo e célula de segurança.
A rigidez de toda a estrutura do bólide assentava em dois chassis tubulares, através de eixo dianteiro alongado e eixo traseiro acolhendo
a unidade motriz, esta situada longitudinalmente entre a caixa de velocidades e o
diferencial viscoso que se repartia entre ambos os eixos do automóvel.
A disposição
dos elementos mecânicos era uma evolução do que já se conhecia do 037, agora
com um motor totalmente revisto (na sua génese era o do Beta de ‘grupo 5’) e,
claro está, tração integral.
A combinação da técnica paralela a nível de sobrealimentação,
juntando um compressor ‘Volumex’ a um motor ‘Garret’ (o turbo de alta pressão e
o compressor funcionando em paralelo, evitavam o tão conhecido ‘lag’ a baixa
rotação dos automóveis com este tipo de propulsor), num bloco de 1.800 cm3 de
duplo comando e dezasseis válvulas para 800 quilos de peso (obtidos, não só mas
também, através do recurso a materiais nobres como alumínio, fibra de carbono,
titânio e fibra de vidro), faziam com que a bomba transalpina respirasse
potência.
Como em qualquer mito sobre o qual a lenda leva à palma sobre as
certezas, nunca se soube ao certo a cavalagem real do carro.
Estima-se que na
sua estreia o motor debitasse entre 420 e 450 cv, ficando a convicção mais ou
menos arreigada que nos últimos Ralis da sua vida útil o ‘coração’ do carro
pertencesse já ao seleto ‘clube dos 600’ (cavalos, pois então…), requisito
mínimo de admissibilidade para quem quisesse à época fazer algo que se visse no
mundial desta modalidade.
AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- https://www.facebook.com/photo.php?fbid=486925941420275&set=a.311201178992753.74157.310820929030778&type=1&theater
- http://www.lp.com.uy/foros/topic/116571-pikes-peak-2011/
- http://i43.tinypic.com/f53lgj.jpg
- http://25.media.tumblr.com/tumblr_l9i4bfr4v91qa9ygko1_500.jpg






Caros amigos, o turbo do S4 não era Garrett mas sim KKK. Ele tinha caixa de 5 velocidades e um diferencial central que permitia uma repartição de tracção de 75% Frente - 25% tras ou então 60% - 40% (asfalto seco)
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