terça-feira, 28 de maio de 2013

P.E.C. Nº 205: Relações luso-espanholas em matéria de Ralis...


Ao longo dos séculos, desde os tempos em que Portugal e Espanha desenhavam os contornos do mundo e partilhavam terra e mar entre si (nós, descendentes de Viriato, começamos logo aí a mostrar a nossa endémica falta de olho para o negócio…), que a relação entre as duas nações ibéricas é semelhante à de dois irmãos com feitios desencontradamente iguais. 

O passado mostra que nos guerreámos e mantivemos relações de franca proximidade. 

Zangámo-nos em algumas épocas mas também soubemos remar vigorosamente a jangada de pedra em conjunto, como por exemplo agora, neste mar em que nos encontramos encapelado de défices e austeridade. 

Ao longo da história há figuras que se destacaram na interseção de interesses entre os dois povos ibéricos. 

Personalidades que, no fundo, conseguiram ser respeitadas e admiradas em ambos os lados da fronteira. 

Portugal enviou, no presente e num passado recente, emissários da boa vontade para Espanha: por azar, nenhum deles suficientemente consensual para congregar aplauso unânime quer lá, quer cá. 

Luís Figo esteve no país de nuestros hermanos o tempo suficiente para quase desencadear uma guerra civil entre Madrid e Barcelona. 

Cristiano Ronaldo investe demasiado em cremes de beleza para ser genuinamente admirado, e, receamos, só reunirá o pleno de preferências dentro do conjunto de leitores das revistas ‘Hola’ e ‘Caras’

Saramago, independentemente do talento literário que lhe queiramos conceder, foi em vida (e, porque não, é em morte) provocador e polémico quanto-baste, tendo uma imagem pública em Espanha e Portugal com mais anticorpos que o número de saltos do Rali da Finlândia. 

José Mourinho está de partida de Madrid levando consigo um gigantesco rol de tricas e polémicas com imprensa e adeptos. 

É um treinador extraordinário, com uma personalidade fortíssima e fascinante, mas avesso a consensos. 

Faz parte da sua natureza: ou se ama Mourinho ou se odeia Mourinho

Com ele não há meio-termo nem avaliações de compromisso. 

E no meio disto tudo há… Carlos Sainz

Em 1998, em Portugal, a lenda madrilena cumpriu o centésimo Rali do campeonato mundo do seu palmarés (no total da carreira participou em 196 provas no WRC), ele que se havia estreado ao mais alto nível precisamente no nosso país, onze anos antes. 

Como desenvolvemos em março de 2011 na P.E.C. Nª 49 deste blogue, ‘El Matador’ ao longo dos anos que passeou a sua arte pelas classificativas portuguesas, conseguiu em muitos momentos a insofismável proeza de colocar uma multidão portugueses e espanhóis a falar a uma só voz

Com os seus golpes de volante vigorosos mas certeiros, Sainz fez mais pela comunhão dos povos ibéricos que mil enfadonhas e inócuas cimeiras luso-espanholas

Uma travagem do madrileno segurando o carro no limite, tinha mais diplomacia que cem beberetes em palacete de embaixadores

O filme que abaixo partilhamos é uma sumula feliz de onze anos de participações de Carlos no Rali de Portugal. 

Ali se documenta a forma como o espanhol cresceu enquanto homem e piloto, numa prova onde se sentia em casa tamanha era a falange de apoio que o seguia sem pestanejar por Ponte de Lima, Fafe, Viseu ou Arganil

A afición do lado de cá e do lado de lá de Vilar Formoso nunca lhe regateou forte aplauso. 

Entre 1987 e 2001, nas florestais portuguesas a ovação à determinação e mestria de condução de Sainz não tinha idioma oficial…    


A FOTO QUE PUBLICAMOS NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://4.bp.blogspot.com/-k_hLUHbnNKM/T9cHw74fyFI/AAAAAAAACUI/yIYlPVAREL0/s1600/pl_1_1_8147.jpg

domingo, 26 de maio de 2013

P.E.C. Nº 204: Um troço digno de Sever (II)


Há uns tempos assinalámos, neste blogue, a ligação entre a estrada nacional n.º 2 e algumas classificativas do Rali de Portugal. 

Aquele eixo viário rasga o país de lés-a-lés pelas regiões do interior, e quer no passado (exemplo: antiga especial de «Lamego»), quer no presente (exemplo: atual troço de  «Loulé»), tem pontos de conexão com a prova maior de automobilismo disputada em solo luso. 

O curso do Rio Vouga (com luz verde na Serra da Estrela, e tomada de tempo final na cidade de Aveiro) tem também curiosas ligações à prova. 

A extraordinária classificativa de «Viseu» cruzou durante anos as respetivas margens, o mesmo sucedendo com a especial de «Oliveira de Frades» (à qual faremos incursão em breve) que em diversas edições do evento integrou a etapa em asfalto que ligava o Estoril à Póvoa de Varzim

Na década de oitenta, nomeadamente em 1983 e 1984, existiu inclusive uma classificativa (pouco conhecida) denominada «Vouga» a integrar o corpo de especiais do Rali de Portugal, da qual mais abaixo apresentamos os respetivos resultados, mapa detalhado, bem como filmagem do seu percurso. 

No primeiro desses anos o troço em causa foi cancelado, pelo que se disputou apenas numa única ocasião, em 1984. 

O traçado original que os concorrentes tiveram de superar na noite de 8 de março de 1984 está hoje bastante alterado. 

Perdeu-se aquela aura românica (mas perigosa) da ravina e do morro de terra, em detrimento dos assépticos e inestéticos (mas seguros) rails

Amaciou-se a sinuosidade do troço através do recurso a retas e curvas rápidas (visíveis no filme abaixo publicado), sobretudo na fase inicial do mesmo, e o velho asfalto ungido pela borracha das derrapagens dos grupos ‘B’ (solo sagrado, portanto) deu lugar a um moderno mas pouco carismático tapete, sobretudo quando olhado à luz das classificativas nacionais de asfalto há trinta anos, cuja lenda se fez dos múltiplos buracos das estradas nacionais de então, ou, na melhor das hipóteses, dos remendos tapados a trouxe-mouxe que eram apanágio do mapa rodoviário português daquele tempo.

Designação: «Vouga».
Extensão: 10,00 quilómetros.
Data: 3 de março de 1983.
Horário de partida do primeiro concorrente: 05m:26s.
Vencedores:
a) Piloto(s): Classificativa cancelada.
b) Navegador(es)Classificativa cancelada.
c) Carro(s)Classificativa cancelada.
Tempo realizadoClassificativa cancelada.
Média horáriaClassificativa cancelada.


Designação: «Vouga».
Extensão: 8,00 quilómetros.
Data: 8 de março de 1984.
Horário de partida do primeiro concorrente: 02h:53m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Attilio Bettega.
b) Navegador(es): Maurizio Perissinot.
c) Carro(s): Lancia Rally 037 evo.
Tempo realizado: 5m:40s.
Média horária: 84,71 kms/h.



Ver VOUGA, 1983 E 1984 num mapa maior

quinta-feira, 23 de maio de 2013

P.E.C. Nº 203: Um troço digno de Sever (I)


Acasos da vida conduziram-nos recentemente até Sever do Vouga

A capital nacional da produção de mirtilos, encravada nas entranhas do distrito de Aveiro, foi durante alguns anos palco privilegiado para traçar classificativas para Ralis, quer em terra, quer em asfalto, das quais o Rali de Portugal foi o usufrutuário mais mediático. 

Encontrando-nos por aquelas paragens (abrimos um pequeno parêntesis para confidenciar ao caro leitor que até nem foi assim tão ‘por acaso’ que deambulámos pela região…), fomos visitar o antigo troço de «Sever do Vouga», em piso de asfalto (deveras negligenciado no atual estado de conservação), utilizado apenas uma vez na prova maior dos Ralis do nosso país. 

Ainda que esta versão de quase oito quilómetros só numa única ocasião (1994) tenha integrado o lote de classificativas do Rali de Portugal, certo é que constitui um marco incontornável na história do evento. 

Trata-se, em suma, do último troço de sempre disputado na antiga etapa de asfalto que tradicionalmente compunha a jornada de abertura da prova, rompendo com uma história de vinte e oito anos repleta de momentos formidáveis, vários deles inscritos a letras de ouro no álbum de memórias do evento. 

Naquela noite de março de mil novecentos e noventa e quatro fechou-se um ciclo do Rali de Portugal, pois à exceção de super-especiais como a atualmente disputada em Lisboa ou aquela que anteriormente se realizou no Estádio do Algarve (que têm um caráter residual e até descontextualizado da fisionomia do Rali), nunca mais a prova incluiu um ‘verdadeiro’ troço em alcatrão. 

A especial de «Sever do Vouga» é, por tudo isso, uma espécie de guardiã última de um tempo que já não volta (ou pelo menos não se antevê que volte em anos próximos), enterrado espiritualmente serra abaixo, pela calada da noite, há mais de dezanove anos. 

Da classificativa em apreço (abrimos mais um parêntesis para referir que, pensado melhor, não foi mesmo nada ‘por acaso’ que há poucos dias nos deslocámos aquelas paragens…) deixamos de seguida a respetiva infografia, os resultados obtidos na ocasião única em que foi disputada, bem como a filmagem integral (cujo crédito pelo resultado que apresentamos pertence em exclusivo ao David Matos, a quem uma vez mais não podemos deixar de agradecer a colaboração prestada) do percurso de 7,74 quilómetros entre Silva Escura, no concelho de Sever, e a povoação de Ribeira de Fráguas, já para os lados de Albergaria-a-Velha.

Designação«Sever do Vouga».
Extensão7,74 quilómetros.
Data1 de março de 1994.
Horário de partida do primeiro concorrente21h:42m.
Vencedores:
a) Piloto(s): François Delecour, Massimo Biasion e Bruno Thiry.
b) Navegador(es)Daniel Grataloup, Tiziano Siviero e Stephane Prevot.
c) Carro(s)Ford Escort RS Cosworth.
Tempo realizado5m:22s.
Média horária86,53 kms/h.


Ver SEVER DO VOUGA, 1994 num mapa maior


terça-feira, 14 de maio de 2013

P.E.C. Nº 202: As classificativas de Mortágua no contexto do Rali de Portugal


A 29.ª edição do Rali de Portugal, disputada em 1995, marcou a entrada num novo ciclo na história da prova. 

Por imposição da FIA, a habitual ordem de trabalhos conhecida até então (primeiro dia em troços de asfalto; restantes dias em especiais de terra) teve de sofrer algumas readaptações. 

Em cima da mesa como condição indispensável para a continuidade do evento no calendário do mundial de Ralis, estava uma opção de inusitada clareza: saber que tipo de piso, em regime de exclusividade, iria servir como matriz identificadora do evento nos anos subsequentes

Num enquadramento destes, a escolha não terá sido difícil: se Sintra estava presa ao rol de belas memórias do passado e por questões de natureza política não era recuperável para o corpo de troços da prova, já a queda das duas outras grandes referências do Rali (Arganil e Fafe) seria uma operação de risco rumo a uma desaconselhável rutura com a história. 

Com estas condicionantes como pano de fundo, o Automóvel Club de Portugal apostou com naturalidade nas classificativas de terra/gravilha como o cartão de identidade do evento, ideia que fez o seu curso e vingou até hoje

O abandono da etapa de asfalto que tradicionalmente constituía o primeiro dia de hostilidades colocou ao tempo alguns desafios a César Torres e seus pares, pois dentro do princípio de diversidade geográfica que foi apanágio da prova desde os seus primórdios, havendo agora ‘menos asfalto’ pressupunha por exclusão de partes a necessidade de se encontrar ‘mais terra’ para juntar às clássicas zonas de Arganil, Fafe, Ponte de Lima ou Viseu

Habituada com eficácia a prospecionar novos palcos para o Rali de Portugal, a organização viria a encontrar na zona de Mortágua motivos suficientemente apelativos para aí fazer evoluir a respetiva caravana de inscritos. 

Entre 1995 e o depressivo ano de 2001, os eucaliptais da Serra de Boi e os braços da barragem da Aguieira receberam condignamente pilotos e melhores carros do mundo.

'Receber condignamente' no jargão do Rali, significava colocar à prova homens e máquinas, propondo-lhes classificativas ora estreitas, ora largas, zonas de muito bom piso com outras de piso bastante demolidor, segmentos rapidíssimos intercalados com outros muito mais lentos, sem esquecer os desníveis de terreno que tanto evidenciavam a tração dos bólides a subir como a coragem e destreza dos pilotos em algumas das descidas daquelas paragens. 

«Mortágua» na sua configuração clássica (partida junto a Eirigo, chegada paredes-meias com o aeródromo que também foi parque de assistência), «Vila Pouca» (ou  «Mortazel», exatamente igual mas percorrida no sentido contrário) e «Aguieira» (com uma serie de quilómetros a recortar os braços de água da albufeira com o mesmo nome) foram-se afirmando durante sete anos como um núcleo fundamental do Rali de Portugal, sem esquecer a conjugação muito interessante e diversificada que viria a constituir o troço «Mortazel/Mortágua» em 2000, bem com a versão denominada «Mortágua» redesenhada para 2001. 

Como quase sempre ocorre quando as classificativas se sucedem ao longo dos anos, alguns pontos daqueles troços foram-se notabilizando perante os seguidores da prova. 

O gancho junto a Vale de Paredes (a que se reportam as fotografias que abrem o presente trabalho) integrado na especial da «Aguieira», o também gancho de Tojeira (a que nos reportamos em concreto na P.E.C. Nº 93 deste blogue, e do qual há também imagens partilhadas na P.E.C. Nº 172 alusiva à edição de 1997 do Rali de Portugal), que era um marco no contexto dos troços «Vila Pouca»/«Mortazel», ou a passagem pelo pequeno lugar de Linhar de Pala, na classificativa de «Mortágua», a que dedicámos, aliás, algumas linhas na nossa P.E.C. Nº 69, são marcas indeléveis daquela região no âmbito do Rali de Portugal. 

título informativo fica de seguida o conjunto de vencedores ali entronizados entre 1995 e 2001, algumas outras curiosidades estatísticas, bem como os respetivos mapas dos trajetos contra o cronómetro utilizados em cada ano (em algumas das edições do Rali de Portugal em análise as infografias são iguais, uma vez que as diferenças de quilometragem entre troços nesses anos são diminutas, com diferenças de apenas algumas dezenas ou poucas centenas de metros no inícío e/ou final das classificativas em questão).

Nota:
- Na execução do presente trabalho foi uma vez mais crucial o contributo do nosso colega e amigo João Costa, pelo que aqui fica relativamente a ele o nosso mais sincero agradecimento.
    
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 «Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 



Ver MORTÁGUA/1995 num mapa maior

Designação: «Mortágua».
Extensão: 18,22 quilómetros.
Data: 8 de março de 1995.
Horário de partida do primeiro concorrente: 9h:24m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Juha Kankkunen e François Delecour.
b) Navegador(es): Nicky Grist e Catherine François.
c) Carro(s): Toyota Celica GT-Four e Ford Escort RS Cosworth.
Tempo realizado: 11m:49s.
Média horária: 92,51 kms/h.

 «Vila Pouca»: mapa da classificativa e resultados 


Ver VILA POUCA, 1995 num mapa maior

Designação«Vila Pouca».
Extensão18,72 quilómetros.
Data8 de março de 1995.
Horário de partida do primeiro concorrente9h:52m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Juha Kankkunen.
b) Navegador(es)Nicky Grist.
c) Carro(s)Toyota Celica GT-Four.
Tempo realizado13m:06s.
Média horária85,74 kms/h.
 1 9 9 6 

 «Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTÁGUA/96 num mapa maior

Designação«Mortágua».
Extensão17,58 quilómetros.
Data6 de março de 1996.
Horário de partida do primeiro concorrente10h:05m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Freddy Loix.
b) Navegador(es)Sven Smeets.
c) Carro(s)Toyota Celica GT-Four.
Tempo realizado11m:22s.
Média horária92,79 kms/h.


 «Vila Pouca»: mapa da classificativa e resultados 



Ver VILA POUCA, 1996 num mapa maior

Designação«Vila Pouca».
Extensão18,81 quilómetros.
Data6 de março de 1996.
Horário de partida do primeiro concorrente11h:03m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Rui Madeira.
b) Navegador(es)Nuno Rodrigues da Silva.
c) Carro(s)Toyota Celica GT-Four.
Tempo realizado13m:13s.
Média horária85,39 kms/h.

 1 9 9 7 

 «Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTÁGUA/97 num mapa maior

Designação«Mortágua '1'».
Extensão17,46 quilómetros.
Data24 de março de 1997.
Horário de partida do primeiro concorrente9h:10m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Colin McRae.
b) Navegador(es)Nicky Grist.
c) Carro(s)Subaru Impreza WRC97.
Tempo realizado10:52s.
Média horária96,40 kms/h.

Designação«Mortágua '2'».
Extensão17,46 quilómetros.
Data24 de março de 1997.
Horário de partida do primeiro concorrente12:58m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Tommi Makinen.
b) Navegador(es)Seppo Harjanne.
c) Carro(s)Mitsubishi Lancer Evo IV.
Tempo realizado10.50s.
Média horária96,70 kms/h.

 «Vila Pouca»: mapa da classificativa e resultados 


Ver VILA POUCA, 1997 num mapa maior

Designação«Vila Pouca '1'».
Extensão18,76 quilómetros.
Data24 de março de 1997.
Horário de partida do primeiro concorrente10h:18m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Colin McRae.
b) Navegador(es)Nicky Grist.
c) Carro(s)Subaru Impreza WRC97.
Tempo realizado12m:47s.
Média horária88,05 kms/h.

Designação«Vila Pouca '2'».
Extensão18,76 quilómetros.
Data24 de março de 1997.
Horário de partida do primeiro concorrente14h:06m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Tommi Makinen.
b) Navegador(es)Seppo Harjanne.
c) Carro(s)Mitsubishi Lancer Evo IV.
Tempo realizado12m:52s.
Média horária87,48 kms/h.

 1 9 9 8 

 «Mortazel»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTAZEL, 1998 num mapa maior

Designação«Mortazel '1'».
Extensão18,74 quilómetros.
Data23 de março de 1998.
Horário de partida do primeiro concorrente17h:27m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Freddy Loix.
b) Navegador(es)Sven Smeets.
c) Carro(s)Toyota Corolla WRC.
Tempo realizado12m:38,4s.
Média horária88,96 kms/h.

Designação«Mortazel '2'».
Extensão18,74 quilómetros.
Data24 de março de 1998.
Horário de partida do primeiro concorrente9h:19m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Colin McRae.
b) Navegador(es)Nicky Grist.
c) Carro(s)Subaru Impreza WRC98.
Tempo realizado12m:37,6s.
Média horária89,05 kms/h.

 «Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTÁGUA/98 num mapa maior

Designação«Mortágua '1'».
Extensão17,15 quilómetros.
Data23 de março de 1998.
Horário de partida do primeiro concorrente18h:00m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Colin McRae.
b) Navegador(es)Nicky Grist.
c) Carro(s)Subaru Impreza WRC98.
Tempo realizado11m:51,5s.
Média horária86,77 kms/h.

Designação«Mortágua '2'».
Extensão17,15 quilómetros.
Data24 de março de 1998.
Horário de partida do primeiro concorrente9h:52m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Richard Burns.
b) Navegador(es)Robert Reid.
c) Carro(s)Mitsubishi Carisma GT.
Tempo realizado11m:48,7s.
Média horária87,12 kms/h.

 1 9 9 9 

 «Aguieira»: mapa da classificativa e resultados 


Ver AGUIEIRA/1999 num mapa maior

Designação«Aguieira».
Extensão23,33 quilómetros.
Data23 de março de 1999.
Horário de partida do primeiro concorrente11h:19m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Didier Auriol.
b) Navegador(es)Denis Giraudet.
c) Carro(s)Toyota Corolla WRC.
Tempo realizado16m:53,1s.
Média horária82,90 kms/h.

 «Mortazel»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTAZEL, 1999 num mapa maior

Designação«Mortazel».
Extensão18,81 quilómetros.
Data23 de março de 1999.
Horário de partida do primeiro concorrente11h:55m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Carlos Sainz.
b) Navegador(es)Luís Moya.
c) Carro(s)Toyota Corolla WRC.
Tempo realizado12m:28,9s.
Média horária90,42 kms/h.

 «Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTÁGUA/99 num mapa maior

Designação«Mortágua».
Extensão17,24 quilómetros.
Data23 de março de 1999.
Horário de partida do primeiro concorrente12h:25m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Carlos Sainz.
b) Navegador(es)Luís Moya.
c) Carro(s)Toyota Corolla WRC.
Tempo realizado11m:41,7s.
Média horária88,45 kms/h.

 2 0 0 0 

 «Aguieira»: mapa da classificativa e resultados 


Ver AGUIEIRA/2000 num mapa maior

Designação«Aguieira».
Extensão23,13 quilómetros.
Data18 de março de 2000.
Horário de partida do primeiro concorrente17h:23m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Marcus Gronholm.
b) Navegador(es)Timo Rautiainen.
c) Carro(s)Peugeot 206 WRC.
Tempo realizado16m:59,6s.
Média horária81,67 kms/h.

 «Mortazel/Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTAZEL-MORTÁGUA/2000 num mapa maior

Designação«Mortazel/Mortágua».
Extensão25,38 quilómetros.
Data18 de março de 2000.
Horário de partida do primeiro concorrente18h:00m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Marcus Gronholm.
b) Navegador(es)Timo Rautiainen.
c) Carro(s)Peugeot 206 WRC.
Tempo realizado17m:17,7s.
Média horária88,05 kms/h.

 2 0 0 1 

 «Mortágua»: mapa da classificativa e resultados 


Ver MORTÁGUA, 2001 num mapa maior

Designação«Mortágua».
Extensão21,38 quilómetros.
Data10 de março de 2001.
Horário de partida do primeiro concorrente17h:05m.
Vencedores:
a) Piloto(s): Carlos Sainz.
b) Navegador(es)Luís Moya.
c) Carro(s)Ford Focus RS WRC 01.
Tempo realizado15m:30,1s.
Média horária82,75 kms/h.

 «Aguieira»: mapa da classificativa e resultados 


Ver AGUIEIRA, 2001 num mapa maior

Classificativa cancelada.

AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://autosport.sapo.pt/rali-de-portugal-troco-local-2=f83036

quarta-feira, 8 de maio de 2013

P.E.C. Nº 201: Scotland the brave!


O saudoso Colin McRae manteve sempre ao longo da sua carreira uma relação tensa com as bermas das classificativas. 

Onde os principais adversários viam um limite a respeitar para fazer Ralis, o escocês fez carreira a subverter, provocatório, uma das regras de ouro da modalidade: manter-se em estrada. 

O preço a pagar pela insubmissão às leis e cânones deste desporto foi muitas vezes elevado.

O registo do mais talentoso membro do clã McRae nos anos em que competiu é pródigo em saídas de estrada e chapa amolgada. 

A condução libertina de Colin pura e simplesmente não encaixava em formatos que ele próprio não pudesse redefinir, logo ele que conseguia até na mais insuspeita reta fazer brotar, com a sua criatividade ao volante, uma verdadeira epifania para Ralis

Pela capacidade tantas vezes inexplicável de tornar possível algo que se julgava estar no domínio do irracional, o malogrado escocês tornou-se numa lenda em todo o mundo, com índices de popularidade que extravasam em muito o âmbito dos próprios Ralis

McRae guiava (literalmente) largo

Mais largo que os outros, se necessário fosse à custa de uns quantos empurrões e sucessivas caneladas às bermas das especiais

Nessa relação de conflitualidade, várias foram as ocasiões em que as bordas da estrada, feridas na sua dignidade pelos sucessivos tratos de polé que Colin lhes infligia, não deixaram de ripostar. 

Um desses momentos verificou-se no Rali da Argentina, em 1998

O homem de Lanark chegava nesse ano ao país das pampas com os índices de motivação em alta, na sequência dos bons resultados (vitórias em Portugal e na Córsega) e convincentes exibições nos Ralis anteriores do campeonato do mundo. 

A etapa sul-americana do mundial (cronologicamente o sétimo Rali no calendário desse ano) assumia-se como um ótimo enquadramento para o piloto-estandarte da Subaru reforçar a sua liderança na classificação de pilotos, pelo que se esperava dele, como sempre, uma toada de ataque sem tréguas na busca pela vitória. 

O início de prova foi de encontro às expetativas. 

O campeão do mundo de 1995 entraria em ação a todo o gás, fiel ao estilo que o celebrizou. 

Ainda assim, após o primeiro dia de prova, não obstante o triunfo em quatro das nove especiais da ronda, Colin ‘apenas’ era terceiro na classificação geral a 16,9 segundos do líder Makinen, o que o obrigava a forçar o ritmo na parte do Rali ainda por cumprir. 

Ao segundo dia de emoções, o Subaru com o n.º 3 estampado nas portas entrava decididamente ao ataque: o melhor tempo averbado nas duas primeiras especiais  catapultava desde logo McRae e Grist para a liderança da prova. 

O triunfo no quarto e quinto troço do dia foram também para o bornal dos britânicos, perante um aparentemente resignado Makinen que via paulatinamente esfumar-se as esperanças de nova vitória (o finlandês havia triunfado no país de Maradona em 1996 e 1997) em paragens sul-americanas. 

Porém, com Colin nada se podia tomar como certo

Uma anunciada vitória podia num qualquer percalço (o escocês parecia ter o condão de os atrair) ruir como um castelo de cartas. 

Nos 22,26 quilómetros da especial n.º 15 («La Toma/Giulio Cesare»), tudo se precipitaria. 

McRae ia ‘varrendo’ ritmadamente a estrada quando sofre (literalmente) um rude golpe nas suas ambições. 

Uma pedra de generosas dimensões na berma direita da classificativa, daquelas que os reconhecimentos em condições normais nunca transporiam para o caderno de notas, manifestava o seu desagrado com as diatribes do líder do Rali estucando a secção direita traseira do Impreza azulado. 

De imediato os danos no bólide ficaram à vista: a roda completamente empenada e um braço de suspensão com mais curvas que os ganchos do antigo troço de Sintra. 

Todavia, o Subaru andava

E para Colin, claro, isso bastava

Desistir é, aliás, verbo que nunca teve assento no caderno de notas comportamental do saudoso escocês

Com o automóvel a apresentar visíveis escoriações, piloto e navegador lá o levaram até final da classificativa, perdendo pouco mais de dezassete segundos para Tommi que desta forma inesperadamente se reapossava do primeiro lugar da classificação geral. 

O cenário era pouco risonho para as hostes da Subaru, sobretudo porque pela frente havia ainda a ligação até ao troço seguinte, os quase dezassete quilómetros de extensão deste último, além do percurso até à zona de assistência. 

No trajeto até à especial n.º 16 o bólide foi-se fragmentando de forma considerável, pelo que não restou outra alternativa a Colin e a Nicky senão parar e procurar reparar os danos para prosseguir em prova. 

Se substituir o pneu foi tarefa fácil, já endireitar o braço de suspensão revelar-se-ia missão mais exigente. 

Lançando mão dos seus conhecimentos mecânicos e fazendo alarde de alguma imaginação, piloto e navegador socorreram-se de um pedregulho de peso e dimensão respeitáveis (foi um calhau que travou a caminhada para o triunfo mas, ironia suprema, seria também um calhau que a revelar-se decisivo para a continuação no Rali) para malhar raivosamente a peça do automóvel (as imagens que abaixo publicamos são mais esclarecedoras que mil adjetivos que possamos escrever) e, dentro da medida do possível, colocá-la o mais parecida possível com o seu formato original. 

Em parte o problema foi resolvido, mas foi um Subaru algo cambaleante que se apresentaria à entrada da classificativa n.º 16 (a famosa «El Condor/Copina», com 16,98 quilómetros), castigado ainda com uma penalização de dois minutos e trinta segundos por chegada tardia à respetiva zona de entrega de cartas de controlo, atraso decorrente, claro está, dos trabalhos anteriores de reparação do carro. 

Qualquer outro piloto nestas circunstâncias teria apenas como preocupação única levar o carro até à zona de assistência, tomar um banho retemperador e esquecer as condicionantes em que este Rali estava a ser fértil

A vitória final era agora algo tão improvável como a visão de um capote alentejano em tarde de verão na vila da Amareleja. 

Colin, porém, não era como qualquer outro piloto

Com um carro visivelmente diminuído do ponto de vista mecânico, o escocês parte ‘com tudo’ para «El Condor»

Ganha a especial com uns incríveis 5,3 segundos de vantagem para Sainz, triunfando apoteoticamente quando a razão recomendaria que se limitasse a um damage control emocional preservando a mecânica do seu Impreza. 

Ganha o troço ‘à McRae, guiando com a sua arte própria de transformar o impossível em factos reais e concretos

Até ao final do dia triunfaria no restante troço ainda por disputar. 

Na terceira jornada do Rali venceria cinco das seis especiais que compunham o último dia do Rali de Argentina de 1998. 

No rescaldo da prova, constata-se que Colin ganhou quinze das vinte e três especiais da prova. 

Dominou por completo a sétima etapa do campeonato do mundo daquele ano. 

Ficou num sensaborão quinto lugar final (perderia a liderança do mundial para não mais a reconquistar até final da temporada) a um minuto e dezassete segundos do vencedor (Makinen)

Mas na história deste Rali, ofuscando inclusive a vitória do próprio Tommi, fica talvez o tão improvável como magistral triunfo em «El Condor», com um carro em cacos mas com uma determinação à prova de quaisquer mossas

Arrebatador, imprevisível, capaz de melhor e do pior, o Rali da Argentina de 1998 é uma metáfora feliz daquilo que foi a carreira de Colin McRae no campeonato do mundo da modalidade. 

Tão depressa fazia um crono ‘impossível’ num qualquer troço como obrigava logo de seguida a sua equipa de mecânicos a horas extra. 

Ser mecânico de McRae, aliás, devia obrigatoriamente ser considerada profissão de desgaste rápido

E no rol de profissões de alto-risco, a par de domador de leões ou duplo de Hollywood, uma outra atividade devia lá estar inscrita: Nicky Grist!



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