P.E.C. Nº 243: Lá de cima do alto do Açor, onde a vista alcança quase tudo o que os Ralis significam...


quem defenda que a melhor forma de medir o caráter de uma cidade é observá-la de cima, numa vista aérea, ou então ao longe, contemplando os seus recortes.

Em matéria de Ralis, acreditamos que a grande metrópole portuguesa chama-se, diga-se o que se disser, Serra do Açor.

Olhando-a do ar, ou pelo menos a partir dos seus pontos mais altos, percebe-se a grandeza e magnitude dos quilómetros de classificativas que ali se podem disputar, cheios de subidas e descidas íngremes, ravinas de cortar a respiração, em estradões que tão depressa estão suspensos no topo de um monte como depressa imergem num qualquer vale profundo.

Essa montanha-russa de troços, por aquilo que representa para todo o aficionado de Ralis que se preze de o ser, assumiu ao longo dos anos uma importância capital no contexto da modalidade, decerto presente ainda nas melhores memórias de quem viveu os dias e noites de Arganil.

Os dois vídeos que abaixo publicamos, expurgados de retoques e por isso mesmo sublimes na sua autenticidade (a nossa vénia aos respetivos autores), vincam essa ideia.

O primeiro, colhido na zona mais alta do Açor, mostra o esplendor da região (em fundo, os Penedos Altos), as filas de carros dos espetadores a perder de vista, os matraquear dos helicópteros, as sirenes dos ‘zeros’, pó, o público entusiasta, e o som do vento cortante só eficazmente combatido com paliativos etílicos.

Em suma, todos os ingredientes necessários para confecionar a magia da modalidade.

Estávamos em 2000.

Na especial de 'Piódão' (24,78 quilómetros).

Uma edição do Rali de Portugal deveras intensa, em que três pilotos alternaram seis vezes no comando da prova para após a ronda de Ponte de Lima o saudoso Richard Burns, coadjuvado por Robert Reid, carimbar o seu nome na lista de vencedores do evento.

O segundo vídeo, obtido na sequência de ganchos a subir (a subir bastante, diga-se) após a aldeia de Salgueiro rumo a Selada das Eiras, foi colhido cinco anos antes, na especial de 'Folques/Lomba' com uma dúzia de quilómetros de extensão.

Um Rali também ele fabuloso e particularmente disputado, que proporcionou a uma luta sem quartel entre Carlos Sainz e Juha Kankkunen, favorável ao primeiro por escassos doze segundos no final das hostilidades.

Também nestas imagens se incorpora muita da essência de Arganil.

A região fascina-nos.

Muitas vezes é com um sorriso condescendente que lemos ou ouvimos os adeptos empedernidos do Fafe Rally Sprint ou do putativo Sintra Rally Sprint na defesa acirrada das respetivas damas (expressão das ‘guerras’ espúrias entre norte e sul do país ou, com maior dose de realismo, entre Porto e Lisboa), e ninguém esboça um gesto na defesa de um Arganil Rally Sprint, zona do país que até 2001 teve uma importância no contexto da modalidade pelo menos tão grande quanto as outras duas anteriormente citadas.

Circunstâncias da vida fazem-nos deslocar com regularidade a itinerários relativamente próximos de Arganil.

Como uma necessidade imperiosa e irresistível, as nossas atenções desviam-se amiúde em direção aos cumes que vão do Colcurinho até ao Monte Trevim, na Serra da Lousã.

O skyline do Açor é invariavelmente belo, tanto quanto sublimes são as nossas memórias daquelas paragens.

O nosso olhar perde-se naqueles recortes montanhosos e, asseguram-nos, fica vítreo e algo perdido, quiçá imaginando o dia em que os melhores pilotos e carros do mundo voltarão a evoluir naquelas estradas.

É nessa mesma altura que invariavelmente a nossa mulher e companheira de sempre nos dá ameaçadora cotovelada, alertando-nos pacientemente para a necessidade de conduzir com atenção à estrada… 




A FOTO OBTIDA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://montefrio2.planetaclix.pt/imagens/ng1010586a.jpg

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