P.E.C. Nº 244: Vozes da rádio... e da televisão!


Dedicámos algumas linhas no nosso anterior trabalho a Arganil

Agora, na presente P.E.C., apontamos a bússola um pouco mais a sul, em direção à Lousã

No que respeita a Ralis, pode-se dizer que as antigas classificativas da zona da Lousã pelas suas características fazem parte da área metropolitana de Arganil

O troço em asfalto que descia a Serra até terras lousanenses roça a perfeição, seja nos desafios ao limite das máquinas, seja na exigência de condução. 

Em terra, a conjugação das palavras Lousã e ‘Relvas’ é por si só suficientemente expressiva dispensando palavras adicionais e, aliás, sobre a emblemática especial já neste espaço redigimos em agosto de 2011 algumas linhas e, até, publicamos diversas fotos do respetivo trajeto

de tudo um pouco naquele percurso a rondar a vintena de quilómetros. 

Uma subida, ao princípio lenta e depois mais rápida, com partida junto ao povoado de Cacilhas, levava os concorrentes Serra acima nos estradões de acesso às aldeias de xisto, percorrendo, depois, alguns quilómetros no planalto numa zona de grande rapidez, para tudo culminar numa longa e difícil descida até à famosa represa de água, a escassas centenas de metros das chamadas Piscinas do Dr. Bacalhau

'Lousã/Relvas' era uma classificativa dotada de particular telegenia, que durante anos a televisão pública, quando ainda praticava serviço público, utilizou para fazer alguns dos mais espetaculares diretos do Rali de Portugal. 

As imagens que de seguida partilhamos (lindíssimas as colhidas a partir do helicóptero) dão conta desse especial talento de Lousã/Relvas em se insinuar para as câmeras, sobretudo naquele planalto desnudado que os carros ziguezagueando pareciam sensualmente acariciar, ou no final do troço quando iludiam o espetador parecendo levitar sobre o espelho de água. 

Porém, há nestas imagens outro aspeto que nos traz a este trabalho: os jornalistas que participam nos diretos da RTP, e que pela idiossincrasia da sua função são parte fundamental e decisiva da história do Rali de Portugal. 

Com elevada dose de probabilidade, estes homens e mulheres (entre outros profissionais de informação que poderíamos citar) gostam muito da modalidade. 

Admitimos que num cenário em que têm de ser objetivos e factuais, é-lhes provavelmente difícil sucumbir à tentação de saltar para a borda do troço e incentivar o seu piloto preferido (que também os têm, porque em paralelo à condição de jornalista são de igual forma aficionados por este desporto)

Porventura ao fazer o trabalho de nos contar a prova sob as amarras do microfone e do auscultador, preferem secretamente, como o comum dos adeptos, narrar peripécias a partir do ‘conforto’ da roulotte de cervejas e bifanas mais próxima. 

Os Ralis são uma realidade a 4D

a dimensão da imagem dada pela condução dos pilotos. 

a dimensão sonora que nos é trazida pelos motores dos carros. 

O público é a dimensão humana da modalidade. 

E por fim, a que resta (e sem a qual as demais três, isolada ou conjuntamente, fazem sentido), a dimensão da palavra, escrita ou falada, expressa por todos os que de uma forma e de outra estão envolvidos no mundo dos Ralis. 

Não há festa que se preze (e o Rali de Portugal é antes de mais uma imensa festa) que não seja abrilhantada pelos respetivos speakers, e nessa medida é sempre de realçar o trabalho de todos que ao longo dos tempos vêm projetando o evento nos jornais, rádios, televisões e internet. 

Luís Caramelo, Paulo Solipa, Teresa Canto Noronha, José Pinto, João Paulo Almeida, Ricardo Mota, e António Nicolau (recentemente falecido), presentes pela voz nas imagens que seguem, com maior ou menor talento, com maior ou menor relevância, relatando e entrevistando, são também, entre outros profissionais do jornalismo, pedaços da história do Rali de Portugal, marcando no evento capítulo importante através da arte de dizer os Ralis





A FOTO PUBLICADA NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://autosport.pt/users/0/51/f4a4b9b4.jpeg

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