P.E.C. Nº 247: Pelo menos para já, os Hyundai no mundial de ralis Nandan mais que isto...


Após duas etapas do campeonato do mundo de Ralis, olhamos para as classificações atuais de pilotos e marcas. 

A Hyundai não aparece. 

Zero pontos. 

Zero vitórias em classificativas. 

Duas provas em que não viu qualquer um dos três pilotos que já experimentou colocar ao volante dos novos i20 WRC chegar ao fim melhor classificados que num modesto 19.º lugar (Hanninen, na Suécia), e mesmo assim apenas devido à benevolência regulamentar do ‘Rally2’

Sem embargo das especificidades de Monte Carlo e Suécia, e sem esquecer, sequer, este admirável mundo novo que a estrutura coreana está a (re)aprender, parece-nos pouco. 

Pouco para quem tem sob contrato o vice-campeão do mundo, que conseguiu excelentes desempenhos no cômputo de 2013. 

Pouco para quem acumulou muitos milhares de quilómetros em testes durante o ano transato, e vem revelando diversos problemas de fiabilidade. 

Pouco para quem tem ambições de singrar num desporto global, onde até à data não tem grandes pergaminhos. 

Quando um novo player (leia-se: construtor) entra em competições como o WRC, é regra os seus membros mais destacados afirmarem precisar de tempo, sem contudo concretizarem quanto. 

No mundo de hoje, a ideia de tempo a decorrer é um bem cada vez mais escasso, sobretudo quando há milhões investidos que requerem retorno… o mais rápido possível. 

É certo que não seria expectável a marca coreana chegar ao campeonato do mundo, e de imediato assumir-se como força dominadora. 

Faltar-lhe-á a tarimba e stresse competitivo dos grandes campeonatos que, para não ir mais longe, a rival Volkswagen adquiriu nos anos em que apostou nas provas de todo-o-terreno (o Polo WRC ao fim ao cabo é uma espécie de Touareg que, mantendo a mesma massa muscular, foi no entanto submetido a rigorosa direta para adelgaçar as formas)

Faltar-lhe-á a responsabilidade de ganhar e fazer bem, um peso tremendo que impende sobre qualquer estrutura competitiva, mas que ainda assim é o mais eficaz tónico para fazer emergir o que de melhor ela pode oferecer. 

Ao apostar no campeonato do mundo de Ralis para se promover enquanto marca e publicitar os seus produtos, a Hyundai colocou a fasquia alta. 

Mede-se de igual para igual com rivais como a Citroen e a Ford, ambas com décadas de experiência em matéria de Ralis ao mais alto nível. 

Quer contrariar o poderio tremendo da Volkswagen, que muitos veem como a equipa quase perfeita e na qual nada é deixado ao acaso, a roçar em diversos parâmetros índices de quase excelência. 

Sabedora destas dificuldades, sem ases e manilhas na mão e com poucos trunfos ao seu dispor, louve-se contudo a iniciativa dos coreanos irem a jogo

Cortar repentinamente jogadas dos adversários adivinha-se difícil nos próximos Ralis. 

Thierry Neuville, a cartada forte dos asiáticos para esta aventura no WRC, quando parecia ter encontrado em 2013 o ponto de equilíbrio entre rapidez e consistência, em Monte Carlo e Suécia pareceu acusar a responsabilidade de liderar uma equipa oficial, voltando à alternância entre bons registos nos troços (nessa matéria parece seguro haver potencial a explorar no i20 WRC) e acidentes embaraçosos. 

Dani Sordo e Juho Hanninen, ambos pilotos de insuspeita qualidade, são vistos ainda assim como as escolhas possíveis (não tanto as escolhas desejadas) em função da oferta de mercado nesta área. 

A credibilização do projeto desportivo da Hyundai sairia reforçado se a equipa tivesse conseguido atrair nomes como Gronholm ou Solberg (ambos chegaram, por sinal, a ver ventilados como reais hipóteses), ainda que não como pilotos, mas pelo menos com posição de relevo no interior da estrutura, um pouco à semelhança daquilo que a VW fez, e muito bem, capitalizando a imagem, prestígio e experiência de Carlos Sainz

Michel Nandan, o homem-forte da equipa coreana, antes do Rali da Suécia veio a terreiro serenar expectativas, referindo que as três provas do ano, cada uma delas com traços e identidade muito peculiares, não são barómetros fiáveis para medir a real valia do carro asiático no WRC, pelo que apenas Portugal, no início de abril, quarta etapa da época de 2014, servirá de bitola comparativa entre a mais-recente máquina a competir no mundial e os seus experimentados adversários. 

Tudo o que no Algarve não seja pelo menos uma luta direta e de igual-para-igual entre Hyundai e Ford e Citroen poderá abrir espaço aos críticos, aqueles que para já olham para a estrutura oriunda da região do sol-nascente como uma espécie de Mini WRC de olhos-em-bico

Entre São Brás de Alportel e Santana da Serra, portanto, começará a jogar-se o futuro da equipa na maior competição de Ralis em todo o mundo. 

Nandan e seus pares iniciarão aí aquele momento, sempre difícil, em que se deixa de jogar a contar com o tempo para se começar a jogar contra o tempo

Até lá, por dever de justiça e até porque o i20 WRC denotou a espaços nas duas provas de 2014 um potencial interessante, os coreanos merecem o benefício da dúvida.

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