sábado, 1 de março de 2014

P.E.C. Nº 249: Lições a tirar a partir do Confurco e arredores...


Não é nossa função utilizar este blogue para fazer crítica pela crítica. 

Somos os primeiros a aceitar que na organização de Ralis, sobretudo em eventos já com dimensão apreciável e quando se sabe de antemão haver tantas e tantas matérias a equacionar, é praticamente impossível haver provas nas quais não hajam erros ou, pelo menos, detalhes que se revelam impossíveis de prevenir com antecedência. 

Merece-nos respeito total quem, tantas vezes por mera carolice, investe parte do seu tempo a colaborar ativamente para que um Rali seja bem-sucedido do ponto de vista organizativo. 

Portugal tem uma enorme experiência nesta modalidade, e seguramente muita gente bastante qualificada para ajudar a que determinada prova chegue a bom-porto, ou seja, sem falhas de maior a registar. 

No último fim-de-semana começou a temporada do campeonato nacional de Ralis com a disputa do Rali Serras de Fafe, levado para a estrada pela Demoporto

Se na região demarcada de Fafe as peripécias, emoção e espetacularidade do evento foram capazes desportivamente de produzir um VQPRD para recordar por muito tempo, já em alguns itens do caderno organizativo houve notórias falhas, algumas graves, porventura pouco consentâneas com uma etapa da competição maior das provas de estrada no nosso país. 

À altura em que redigimos o presente texto a Demoporto ainda não reagiu ao grosso das críticas que lhe têm sido endereçadas, desconhecendo-se publicamente, portanto, a sua visão dos acontecimentos. 

O caudal de reparos tem vindo a aumentar à medida que os dias passam e, em linhas gerais, bate na falta de promoção mais eficaz do evento nos dias que o antecederam (pode-se tomar por ponto de comparação o exemplar trabalho que nessa área foi feito pelo Clube Automóvel do Algarve aquando da preparação do Rali Casinos do Algarve de 2013, para todos os efeitos o evento que em termos de CNR cronologicamente antecedeu o do passado fim-de-semana), o colapso absoluto da informação dos tempos online (de que o comunicado oficial lançado para a comunicação social em resposta às críticas é atabalhoado e tudo menos convincente), o facto dos carros ‘0’ terem em alguns dos casos feito mais uma sessão de testes que uma aferição das condições de segurança e operacionalidade dos troços, incidindo as críticas também em erros de impressão dos roadbooks no capítulo das ligações que viriam a privar concorrentes de prosseguir em prova, pilotos que terão tido acidentes, conseguido retomar a prova, para chegarem ao controle final de troços e alegadamente não encontrarem rigorosamente ninguém, passando, por fim, por diversas questões no plano da segurança que visivelmente não funcionaram como seria expectável

É neste último capítulo que nos pretendemos para já focar. 

É sabido que os clubes organizadores de Ralis têm na sua maioria enfrentado nos últimos anos problemas graves de tesouraria. 

Os tradicionais parceiros institucionais, sobretudo os municípios, estão exauridos financeiramente. 

As empresas desinvestem no volume de patrocínios e na publicidade. 

As listas de inscritos são cada vez menos expressivas. 

Num contexto com tantas interrogações, sabendo-se até que corre de boca-em-boca haver diversos Ralis por esse país fora que se saldam em prejuízo financeiro, a tendência que tem vindo a fazer caminho é aligeirar as questões de segurança, sobretudo reduzindo no policiamento como forma de estancar custos, facto crescentemente notório quando se vai aos troços das provas nacionais, exceção feita ao Rali de Portugal. 

Em Fafe o capítulo da segurança teve falhas graves. 

O muito público que seguiu o evoluir dos carros em Montim, Lameirinha, Luílhas ou São Pedro revelou em vários locais um retrocesso de anos em matéria comportamental, facto que a Demoporto não antecipou e não conseguiu já no decurso da prova estancar. 

Trabalhar em matéria de segurança no fio-da-navalha é um risco elevado, que tragédias do passado recomendam ser de evitar. 

O que se passou em Fafe é, pois, um sinal de alerta. 

Que deve estar bem presente na mente dos organizadores de provas futuras e do qual, confiamos, a Demoporto saberá extrair as necessárias ilações. 

À margem das disfunções verificadas na prova de abertura do campeonato nacional de Ralis, haverá porventura diversas outras questões que se colocam, sobretudo no plano da legitimidade e/ou da licitude. 

Fazer em Ralis em Portugal dentro de parâmetros razoáveis de competitividade é caro. 

Aliás, é cada vez mais caro. 

A nosso ver, desproporcionalmente caro para o retorno que na esmagadora das situações a modalidade proporciona. 

Daí que se coloquem interrogações em torno de se saber, por exemplo, se será lícito pedir cada vez mais dinheiro a quem participa nos Ralis nacionais, e em troca oferecer-lhe um serviço progressivamente menos qualitativo em aspetos nucleares como a segurança. 

Ou se é legítimo, por exemplo, haver projetos para competir orçados em dezenas de milhares de euros, e em dada prova ser prejudicados desportivamente por erros (ainda que por mera negligência) no plano organizativo, que depois podem porventura ter reflexos negativos na classificação final de um campeonato. 

Estas são algumas das questões estruturantes que estão em cima da mesa quanto ao futuro dos Ralis portugueses a médio e longo prazo. 

São matérias que a FPAK deveria avocar e lançar a debate alargado na procura das melhores soluções para quem compete e quem organiza. 

Começa a tornar-se costumeiro um manto de silêncio por parte da entidade federativa quando a polémica estala, num vício espúrio que vem alastrando de há muitos anos a esta parte. 

Não se conhecem os motivos (pode eventualmente havê-los, e até bem plausíveis, quem sabe…), voltamos a insistir, pelos quais o Rali Casinos do Algarve foi expurgado do calendário do CNR para 2014. 

Não se sabe o que Manuel Mello Breyner e Joaquim Capelo pensam acerca do coro de críticas que se tem vindo a levantar sobre algumas lacunas organizativas havidas no Rali Serras de Fafe

À velha boa maneira da política e do taticismo que a caracteriza, parece que a estratégia utilizada passa por calar para fazer esquecer

A questão é que por cada dia que passa sem que Breyner ou Capelo falem, são 1.440 minutos adicionais de mau serviço prestado à modalidade.

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1 comentário:

  1. Partilho da sua opinião relativamente à segurança ou falta dela no Rally Serras Fafe, nomeadamente a questão do carro "0", tenho muita dificuldade em entender como foi possivél tal situação, e penso que a colocação do publico deixou muito a desejar o que me deixa de certa forma apreensivo relativamente ao próximo WRC Fafe Rally Sprint e ao regresso do Rally de Portugal ao Norte, que não tenho nada contra, mas fico apreensivo, não vamos nós perder de novo o WRC.

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