terça-feira, 25 de março de 2014

P.E.C. Nº 253: Adivinhe quem veio para ganhar!


Alguém que o conhece bem confidenciou-nos, há uns tempos, que Pedro Meireles é, enquanto pessoa, uma verdadeira ‘força da natureza’, muito determinado quando traça um objetivo e fortemente empenhado enquanto trabalha para o alcançar. 

Essas caraterísticas serão parte dos motivos que o trouxeram à liderança da classificação de pilotos do campeonato nacional de Ralis na presente temporada, volvidas duas das oito etapas da competição. 

Há pouco mais de um mês atrás, ninguém apostaria um cêntimo na possibilidade de Meireles, após Fafe e Guimarães, ser o homem a bater nas competições de estrada em Portugal, muito menos que triunfasse nas provas organizadas pela Demoporto e pelo Targa Clube

A realidade tem muitas vezes, todavia, especial talento para demolir convicções. 

O homem do Skoda S2000 cimentou em dois Ralis um avanço sólido em termos pontuais relativamente aos adversários diretos, e tem de ser considerado, por dever de justiça, um dos mais fortes candidatos ao título absoluto de 2014. 

Aos quarenta anos de idade, após uma carreira longa no tempo mas intermitente quanto a presença regular no CNR, Pedro Meireles terá entrado no ponto mais alto da sua maturidade competitiva, aquele em se intercetam sem atropelos a rapidez e fiabilidade. 

Mais que ter triunfado nas duas provas que abriram 2014, o que será importante sublinhar é a forma como esses triunfos foram conseguidos. 

Se em Fafe o vimaranense andou sempre muito perto (bem mais perto do que muitos – se calhar nós incluídos - suporiam) de Ricardo Moura pressionando fortemente o tricampeão nacional, a desistência deste facilitou a ascensão ao comando da prova, mas nem assim Meireles se deixou deslumbrar sabendo separar as águas, percebendo que Kangur era de outras contas, para gerir o andamento em função das necessidades do CNR acabando por vencer in extremis após a tomada de tempos da última especial. 

Já em Guimarães, não obstante a desistência de José Pedro Fontes e os problemas que assolaram o Fiesta R5 de João Barros, a história conta-se de forma diferente com o líder do campeonato a passar do papel de presa ao de predador

Qualquer piloto com pretensões a entrar no patamar dos grandes campeões, terá a qualquer altura da sua carreira pelo menos por uma vez (nem que seja apenas uma) de demonstrar superação. 

Terá de conseguir uma exibição que faça embaraçar os críticos e arregimentar os adeptos diretos. 

Meireles deu de caras com a sua epifania desportiva no dia 8 de março de 2014. 

À entrada para o derradeiro troço do Rali Cidade de Guimarães (‘Serra da Penha 2’), o nortenho distava 3,1 segundos da liderança da prova, pertença de Ricardo Moura

Pela frente 13,47 quilómetros. 

Um trajeto incrivelmente rápido, em vários excertos a passar entre muros e/ou casas, pouco ou nada tolerante a erros de pilotagem, portanto. 

Meireles podia ter preferido o certo pelo incerto, garantindo um segundo lugar que não só seria uma boa operação em termos de campeonato, como lhe permitiria segurar a liderança da classificação de pilotos. 

Com riscos, quis mais. 

Quis ganhar. 

Quis ganhar quando era muito fácil deitar tudo a perder. 

Querer ganhar é, aliás, justamente o mais vincado elemento distintivo entre os bons e os ótimos. 

Meireles quis, por conseguinte, ser ótimo. 

Ótimo perante outro ótimo como é Ricardo Moura

Serra da Penha 2’ foi o seu momento de arrebatamento, sobretudo na vertiginosa descida final da classificativa na qual empregou toda a sua alma (a tal ‘força da natureza’…) para vencer. 

Quando se conduz com crença e de forma determinada, as descidas parecem ganhar maior grau de inclinação.

Motivacionalmente o automóvel embala, tornando-se mais rápido. 

3,4 segundos ganhos a Moura valeriam no final do Rali, em pleno Toural, uma vitória carregada de drama e emoção pela escassa margem de 3 décimos de segundo. 

Escreveu-se o segundo capítulo de um belíssimo enredo (pelo menos até ao momento) que dá pelo nome de CNR/2014

Pedro Meireles, com a sua atuação entrou de pleno direito no lote dos protagonistas dos Ralis portugueses. 

Lá mais para o fim do ano veremos se conquista a estatueta de melhor ator…

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Nota:
- Agora que Meireles parece firme no propósito de se transformar num agente intrusivo dentro do estabilishment dos melhores pilotos portugueses, difícil, portanto, de (se) despistar, da trajetória ascensional que vem dando mostras não se pode dissociar Mário Castro, seu fiel navegador há vários anos a esta parte. O consórcio entre ambos tem funcionado muito bem, o navegador tem uma enorme experiência e serenidade nas suas funções, transmite uma confiança inabalável a quem conduz, pelo que neste aspeto em particular estão reunidas todas as condições para que o piloto vimaranense possa atingir os seus intentos no final da temporada. 




A FOTO QUE ABRE ESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.escapelivre.com/fotos/95/8622.JPG

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