segunda-feira, 28 de abril de 2014

P.E.C. Nº 261: C.N.R; nem tudo vai bem no reino da Dinamarca (2.ª parte)...


Quando um dia se fizer com rigor e profundidade a história dos Ralis portugueses, a Rui Madeira não deixará de ser atribuído um papel absolutamente referencial na modalidade. 

Não só pelos títulos e vitórias que ostenta dentro e fora de portas. 

Não só por ser o português que com a sua vitória na Taça FIA de 'grupo N’ em 1995 (há quase vinte anos, o tempo passa…) provou, caso fosse necessário, que os nossos pilotos se podem medir de igual para igual com os melhores desde que disponham de condições para tal. 

Talvez mais importante que a folha curricular, bem preenchida em termos de pontos altos, Madeira, nos vinte e cinco anos de permanência intermitente que leva nos Ralis, vem demonstrando a cada momento ser alguém com profundo gosto por este desporto. 

Personifica como poucos antítese do vedetismo, sempre com uma palavra afável aos adeptos ou jornalistas que o abordam. 

Tem um discurso simples e eficaz, assente em mensagens claras sobre o que pensa da modalidade. 

Não nos recordamos de alguma vez lhe ter ouvido um queixume pela falta de apoios para prosseguir a dada altura internacionalmente a sua carreira, que aliás bem (mais) longe poderia ter chegado. 

Nunca, segundo cremos, endereçou críticas aos decisores dos Ralis em Portugal, ou acusações a adversários como é apanágio de alguns outros pilotos de proa do nosso país. 

Rui Madeira, nestas bodas de prata desportivas que assinalou recentemente no Rali de Portugal, sempre pautou a sua postura pela simplicidade, a mesma simplicidade com que tem conduzido os mais diversos automóveis na sua carreira e através da qual ostenta um palmarés invejável de que certamente se orgulhará. 

É um homem dos Ralis, que faz falta aos Ralis, sobretudo nos ciclos de ausência, forçados pelo contexto e pelas circunstâncias, que tem mantido com a modalidade. 

Desde há quatro anos, quando abruptamente deixou de assumir responsabilidades na estrutura do ‘Team Quinta do Lorde’ que em 2010 levou Bernardo Sousa ao título nacional absoluto (navegado por Nuno Rodrigues da Silva), numa rutura que nunca foi, diga-se, devidamente esclarecida, que o homem de Almada não fazia qualquer aparição na alta-roda das provas de estrada. 

O decurso do tempo fez suspeitar que Rui tivesse pendurado o capacete, embora nestas coisas se saiba que os pilotos de Ralis têm um estatuto em tudo idêntico ao dos militares: jamais entram na aposentação, quando muito estão em regime de reserva por tempo indefinido. 

Na presente temporada, com alguma surpresa (ótima surpresa), o vencedor do Rali de Portugal em 1996 resolveu retornar à modalidade para assinalar a contento a passagem do vigésimo quinto aniversário sobre o seu início de carreira, num projeto pensado para dois Ralis (Serras de Fafe e Rali de Portugal) com recurso a um carro que lhe oferecesse garantias mínimas de competitividade. 

Volvidos quase dez anos após a sua presença regular num campeonato de Ralis, este regresso não poderia deixar de ser aguardado com muita expetativa e diversas interrogações (a começar provavelmente pelo próprio) que rapidamente Madeira se encarregou de dissipar. 

Um pódio em Fafe e um triunfo que no Rali de Portugal lhe escapou apenas na última classificativa devido a um azar tremendo, daqueles em que os Ralis são pródigos, vitórias em classificativas e a condução eficaz dos seus melhores anos têm sido respostas muito claras de que as qualidades e talento se mantêm intactos. 

À altura em que escrevemos estas linhas desconhece-se se irá participar em mais provas do C.N.R de 2014. 

Para já é quarto na classificação geral de pilotos a um mero ponto de quem o antecede (Ricardo Teodósio), não tendo participado em uma (Rali Cidade de Guimarães) das três provas até ao momento disputadas, vendo-se forçado a desistir numa outra (Rali de Portugal) quando tudo estava encaminhado para uma vitória confortável, como desenvolvemos supra

Ainda assim, repetimos, está em quarto. 

Questionamo-nos sobre que C.N.R será este, que ano após ano não consegue (nem parece estar minimamente interessado em) proporcionar condições para que Rui Madeira, ou Miguel Campos, ou Pedro Leal, entre diversos outros exemplos que poderíamos citar, possam expressar a sua arte e saber nas classificativas nacionais durante toda a temporada e não apenas em aparições ocasionais. 

Um bom aferidor do pulsar pouco são do C.N.R é, aliás, constatar que expele alguns dos seus maiores expoentes, quando, nunca nos cansamos de o dizer, Portugal poderia perfeitamente ter o melhor campeonato nacional de Ralis de toda a Europa quanto à qualidade dos seus participantes.

Enquanto dentro de portas este desporto se recusar a fazer o ajustamento regulamentar que se impõe (processo encetado há muito por homens como Adruzilo, Peres, Campos, ou o próprio Rui Madeira, que no auge das suas carreiras tripularam os melhores WRC e posteriormente, para poderem prosseguir o respetivo percurso desportivo, não recusaram ‘descer’ a carros menos competitivos) e relativamente ao qual temos expressado a nossa posição em textos anteriores deste blogue, lá para daqui a mais quatro anos talvez possamos ver Rui Madeira (neste raciocínio servindo a título de exemplo) de novo em ação, possivelmente em mais uma visita de médico a este desporto que em Portugal está em definitivo mais talhado a dar compungido umas medalhas de presença que a conceder prémios-carreira...      

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