P.E.C. Nº 264: As polémicas voltam talvez dentro em breve, num qualquer Rali, perto de si!...


À entrada para a temporada de 2014 dos Ralis portugueses, pareciam estar reunidas condições para devolver à modalidade um ambiente de alguma serenidade (de que ela carece), após tensões várias vividas em anos anteriores.

Bons carros, pilotos de elevada qualidade, Ralis interessantes e diversificados, troços absolutamente excecionais ao nível do melhor que se encontra por esse mundo fora (o Sata Rallye dos Açores, disputado no passado fim-de-semana, é o exemplo perfeito do que pode ser a interceção entre carros de competição e o esplendor da natureza), faziam adivinhar que, enfim, o foco das atenções de todos quantos se interessam por este desporto estaria direcionado em exclusivo para os aspetos competitivos puros e duros.

Mas não.

Os Ralis neste país aparentam ter uma estranha relação com a estabilidade, mergulhando com frequência em sucessivas recaídas na polémico-dependência.

A mais recente celeuma chegou-nos precisamente dos Açores.

Prendeu-se, em linhas gerais, pelo facto do Colégio de Comissários Desportivos ter decido colocar na estrada em primeiro lugar os concorrentes que se inscreveram na totalidade da prova, e só depois os que, pontuando apenas para o CNR, apenas teriam de cumprir a primeira etapa do evento, assim se criando alegadamente uma situação de potencial desigualdade competitiva (ver desenvolvimento noticioso da questão aqui).

Em abstrato não choca que assim seja.

Agregar a ordem de partida dos concorrentes em lotes/grupos em função da forma como vão abordar um Rali pode ser razoável, até porque, convenhamos, para o Sata Rallye dos Açores, fruto, sublinhe-se, de um ótimo trabalho levado pela FPAK (vd. comunicado n.º 024/2014, de 14 de abril, consultável aqui) vários pilotos do campeonato nacional terão pago valores de inscrição bem menores que os demais adversários (alguns também inscritos no CNR) que se propuseram completar a prova.

, todavia, um princípio intocável e comum a qualquer competição que o edifício organizativo da prova insular parece ter colocado de lado: a plena igualdade de oportunidades a todos os participantes que competem, aqui e no caso concreto, no campeonato nacional de Ralis.

Não tendo havido essa preocupação por parte do Grupo Desportivo e Comercial no início da prova (bastava ter havido alguma atenção à forma como o ACP geriu eficazmente este dossiê no início de maio âmbito do Rali de Portugal) necessariamente instalou-se a controvérsia e, pior, um manto de desconfiança pelo facto de um dos beneficiários diretos de tal decisão ser um piloto açoriano, apoiado por patrocinadores açorianos, num Rali açoriano, patrocinado por uma grande empresa açoriana, e organizado por uma entidade açoriana.

Caso a modalidade no nosso país estivesse assente em bases mais saudáveis, alguma imprensa já se tinha sentido na necessidade de questionar esta decisão, tal como o próprio GDC e/ou o Colégio de Comissários Desportivos se achariam obrigados a prestar explicações.

Como (quase) sempre, o decurso do tempo fará o episódio cair no esquecimento.

Prestar contas do que se faz é no caderno de notas deste desporto usualmente uma página em branco.

Ainda assim, avultam algumas questões.

Saber, por exemplo, como é que se podem atrair praticantes a esta modalidade, sinalizando-lhes que em determinadas circunstâncias as condições para obter resultados de relevo podem não ser exatamente iguais para todos.

Saber, também, como é que potenciais patrocinadores encaram investir (e daí esperar retorno) num desporto em que todos os pilotos são iguais, mas a dada altura pode haver alguns mais iguais que outros.

Parece-nos pacífico que a credibilidade dos Ralis nacionais em nada se reforçou com mais esta trica, ainda que o que eventualmente tenha sucedido seja apenas um erro de avaliação, corrigido aliás no desenrolar do evento.

A autonomia decisória do CCD não está sequer em causa.

Mas ainda assim, num contexto em que objetivamente vários dos principais contendores ao título de campeão de 2014 não competiram nos primeiros troços do Sata Rallye dos Açores em plena igualdade de oportunidades, estando em causa o ‘tal’ princípio intocável que afloramos anteriormente neste texto, seria a nosso ver preferível a FPAK ter sido célere e incisiva a exercer a sua autoridade, cortando cerce esta controvérsia e repondo com firmeza a normalidade da situação, logo num Rali absolutamente extraordinário, com especiais de espetacularidade esmagadora, onde aliada ao muito positivo desempenho de Bruno e Carlos Magalhães (eles próprios antigos vencedores da prova), ‘Benny’ Sousa, acompanhado pelo incontornável Hugo Magalhães, com uma vitória sublime em São Miguel está na senda de um segundo fôlego na internacionalização da sua carreira.

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Comentários

  1. Apenas um reparo: o maior patrocinador (se não o único) do Ricardo Moura no Rally Sata Açores tem capitais inteiramente Madeirenses. Não é uma empresa açoreana mas sim madeirense.

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