P.E.C. Nº 273: Quando 1 mais 1 pode ser igual a... 1 (mas melhor e maior!)


Uma visita ao sítio oficial da FPAK (que recomendamos) dá-nos conta da existência de oitenta e três estruturas associadas da Federação, cujo trabalho incide na organização de eventos automobilísticos.

Num quadro com números desta grandeza encontra-se naturalmente um pouco de tudo: estruturas que pedem meças a qualquer congénere internacional quanto à capacidade e sabedoria de colocar Ralis na estrada, e outras sem qual expressão no contexto da modalidade nem atividade de relevo conhecida.

'Zona-Espectáculo' é um blogue acérrimo defensor da liberdade de associação.

Mais: entendemos como um sinal particularmente entusiasmante tantas pessoas que comungam connosco do gosto pelas corridas de carros, se organizarem mobilizando-se para procurar viabilizar eventos em torno deste nosso desporto.

A questão é Portugal ser historicamente um país onde as verbas para a prática do desporto motorizado são escassas.

O nosso mercado de provas de Ralis não sendo pobre é no limite remediado.

Num cenário em que o consumidor de provas de Ralis (leia-se: participantes) é no geral pouco endinheirado, oitenta e três operadores a procurar vender o seu produto (leia-se: Ralis) são obviamente demais.

Caso o mercado de Ralis em Portugal funcionasse, como seria desejável, numa lógica pura da oferta e procura, e a espaços o regulador (leia-se: FPAK) não se sentisse tentado a intervir inflacionando calendários desportivos para que mais clubes possam aceder à organização de provas, muitas destas oitenta e três organizações, sobretudo as de menor capacidade, cessariam pura e simplesmente atividade.

No contexto atual, estamos em crer que quinze ou vinte clubes (números meramente indicativos e, reconhecemos, de subjetividade considerável) são suficientes para assegurar no continente e ilhas a organização da totalidade das provas federadas em cada ano.

Pretendemos com isto sugerir que todos os homens e mulheres que desenvolvem atividade em cada uma dessas oitenta e três estruturas (todos eles credores do nosso máximo respeito, e em muitas ocasiões a trabalhar apenas e tão só por pura militância à modalidade), conjugando esforços para que um Rali seja uma realidade, são dispensáveis?

De forma alguma.

Não há pessoas a mais no mundo dos Ralis em Portugal.

O que nos parece é que todo este universo deveria, num cenário ideal, estar talvez integrado em menos clubes mas porventura melhores clubes, sobretudo com maior capacidade organizativa, mais massa crítica e, acima de tudo, mais peso e dimensão para influenciar favoravelmente nos tabuleiros onde se jogam as grandes decisões dos Ralis em Portugal.

Fica-nos por vezes a sensação que a modalidade ainda vive um pouco ao sabor de algumas reminiscências do ser português, em que são muito poucos os que estão dispostos a abdicar da sua celulazinha de prestígio e poder pessoal em prol de realizações maiores.

O sobredimensionamento do número de entidades que organizam Ralis federados no nosso país, já foi, aliás, anteriormente abordado neste blogue.

Mas há outro aspeto que, talvez por questões de natureza cultural e de mentalidade, de igual forma não ocorre nas nossas provas de estada aberta: a partilha de responsabilidades organizativas num dado Rali por dois ou mais clubes.

Não nos recordamos, pelo menos no passado recente da modalidade, de ter lido na ficha técnica de uma prova qualquer coisa como ‘organização conjunta de’.

Dos eventos mais pequenos (mas que nos merecem total respeito) até aos Ralis internacionais que se disputam em solo luso, não está arreigada uma cultura de união de esforços, de experiências e saberes para poder organizar melhor, nem como ambição para colocar um dado Rali dentro de um patamar superior, integrado num campeonato com mais projeção.

Citamos-lhe, caro leitor, um exemplo concreto do que acabámos de referir.

No início de maio do corrente ano, o Clube Aventura do Minho (CAMI) colocou na estrada o Rali de Ponte de Lima, prova pontuável para o Campeonato Regional Norte.

Menos de dois meses depois, o Clube Automóvel de Santo Tirso (CAST), em zonas muito próximas onde decorreu a prova limiana, levou para a estrada o Rali de Viana do Castelo, de igual forma pontuável para o Campeonato Regional Norte.

Gostaríamos de esclarecer que não conhecemos pessoalmente ninguém ligado a algum dos mencionados clubes.

Quer o CAMI, quer o CAST, merecem-nos, aliás, impressão muito favorável pela forma especialmente eficaz e competente como por norma colocam em prática os seus Ralis, bem melhor, sublinhe-se, que algumas outras estruturas às quais, pelos desígnios insondáveis que caraterizam a modalidade neste país, está confiada a organização de eventos do CNR.

Os Ralis de Ponte de Lima e de Viana do Castelo disputados no corrente ano são, inclusivamente, uma aproximação àquilo que defendemos ser a filosofia a seguir nas provas do campeonato nacional: provas simples na sua essência e mais curtas na sua extensão.

Se, num exercício de imaginação, o CAMI e o CAST (voltamos a referir que citamos ambas as estruturas a título meramente exemplificativo) fossem um só clube, ou se em abstrato avançassem para a organização de um Rali de forma partilhada (a colaboração nesta área em Portugal faz-se, em regra, apenas e tão só no recrutamento de pessoas pertencentes a núcleos organizativos alheios para as funções de comissariado de estrada), se calhar poderiam de forma realista colocar as respetivas ambições numa fasquia mais elevada e trabalhar convictamente para a organização na região minhota, junto à Serra de Arga, de um evento integrado no calendário do Campeonato Nacional de Ralis, numa zona por sinal de forte enraizamento e pergaminhos na modalidade.

Continuando o exercício de imaginação, com um trabalho credível, prévio e bem planificado, quem sabe não poderiam até incluir nesse 'Rali do Minho' uma das etapas do sempre interessante Campeonato da Galiza, província onde aliás estão sedeadas algumas das mais importantes equipas do Campeonato de Espanha de Ralis em Asfalto.

Descendo à terra, estamos em crer que no horizonte da modalidade em Portugal não vai estar nos anos mais próximos a equação ‘unir como forma de poder crescer’.

Os mais destacados protagonistas no que respeita à organização de Ralis, não dão quaisquer sinais de pretender derrubar barreiras nesta matéria.

A concertação de esforços institucional entre clubes que, a nosso ver seria desejável, pressupõe uma revolução que talvez a modalidade não esteja sequer preparada para abarcar, revolução acima de tudo ao nível das mentalidades, que é sempre, pelo tempo que precisa e pelas dificuldades que encerra, a mais difícil de concretizar.

«»«»«»   «»«»«»   «»«»«»

 RALI DE PONTE DE LIMA 
- ver mapas da prova: aqui -





 RALI DE VIANA DO CASTELO 
- ver mapas da prova: aqui -





A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://3.bp.blogspot.com/-ed7zn14uha0/U7HmIJpeq6I/AAAAAAAA2xo/EIOp4Yi9Rlc/s1600/2_Filipa+-+Sofia.JPG

Comentários