P.E.C. Nº 277: Direito à diferença!


As cúpulas dos Ralis andam à procura de definir o enquadramento regulamentar que regerá o campeonato do mundo a partir do final de 2016.

Seja quanto à filosofia dos carros ou quanto ao modelo das provas, nesta matéria sobra em sugestões aquilo que falta em termos de estratégia a seguir.

Promotores e marcas estão longe de se entender.

A FIA parece não ter uma linha de rumo clara, pois tão depressa advoga um regresso aos ‘Ralis maratona’ como logo de seguida se enamora por modelos compactos como o 'Fafe Rally Sprint'.

É neste mar de indefinições que atualmente navega o WRC, colocando-se enormes desafios à modalidade para recuperar a forte ligação aos adeptos que já teve noutros tempos e noutras eras.

Sem estabilidade regulamentar nem planeamento atempado, é natural que os construtores se retraiam em apostar no desporto que seguramente melhor poderá ligar uma imagem de sucesso aos produtos que produzem tendo como destinatário o automobilista comum.

Segundo tem sido ventilado na imprensa da especialidade, oitenta milhões de euros (valor que a Hyundai alegadamente investiu neste seu regresso ao mais alto nível) será a bitola para se entrar no clube muito exclusivo do campeonato do mundo de Ralis.

Bastante dinheiro para tão poucas garantias de retorno.

Se há mais importante competição automóvel em estrada aberta do globo deparam-se uma série de desafios a médio-prazo, na sua linha de descendência, o WRC2, os carros com a nomenclatura R5 parecem não estar a conseguir o propósito inicial de se substituírem com vantagem (leia-se custos de aquisição e manutenção) aos S2000, não obstante serem bons canais de negócio para Ford, Peugeot, Citroen, e em breve, Skoda (as marcas com bólides já no terreno ou em fase de testes), com muitas unidades vendidas por esse mundo fora nos campeonatos onde são aceites.

O enquadramento atual sendo complexo, não é, todavia, de molde a referir-se que há uma crise nos Ralis, no sentido de por em causa os alicerces da modalidade.

, parece-nos, a chegada a uma encruzilhada de caminhos que podem ser seguidos, quase todos com muitas incógnitas e destino incerto.

Numa altura em que os decisores parecem não saber muito bem que tonalidades dar a este desporto num futuro que nem está assim tão distante, é a própria modalidade, dentro de si, que regerando-se está a procurar com imaginação e engenho, ao reencontro do seu próprio passado, encontrar respostas aos desafios que se lhe deparam.

Quatro projetos que primam pela ‘diferença’ a seguir com atenção nesta área: 


- O Volkswagen Polo N1 (muito bem) preparado por Amador Vidal aqui mesmo ao lado, na Galiza, e visto no Rali de Viana do Castelo em junho passado, que reunindo vários mundos (ver ficha técnica) é um carro muito competitivo, espetacular, e insubmisso quanto à ‘ordem instituída’ pela FIA para as competições de Ralis disputadas na Europa;



O Ford Fiesta R5 movido a GPL (com a inovação do sistema de injeção direta do gás LDI) da equipa BRC, projeto liderado por Gabriele Rizzo que faz correr Giandomenico Basso no campeonato italiano de Ralis (é terceiro na classificação de pilotos a escassos três pontos da liderança, tendo em 2014 averbado vitórias em San Remo e na Sardenha), que não perdendo em competitividade ganha (e muito…) no sempre importante item dos encargos com o combustível para automobilismo;



- O Toyota GT-86 da categoria R3, que recentemente, como carro ‘0’, se mostrou pela primeira vez ao grande público no Rali da Alemanha com Isolde Holdried ao volante, naquele que é, aliás, o regresso da marca nipónica aos tração traseira no WRC após o saudoso Celica Twin Cam Turbo, e que, além do já anunciado troféu para Ralis a disputar em solo alemão, se adivinha poder-se tornar um sucesso de vendas numa categoria muito popular pela conjugação particularmente conseguida entre boas performances e custos razoáveis;



- O Porsche 997 GT3 com especificações para piso de terra que apareceu no Rali da Finlândia pelas mãos de Jani Ylipahkala.

As prestações não foram entusiasmantes, a fiabilidade deixou a desejar, mas ainda assim foi um começo.

Um começo deveras tímido, mas um começo.

Ou melhor: um recomeço.

Um recomeço a partir do que se perdeu em meados dos anos oitenta: carros de tração traseira a evoluir irrequietos e gingões em classificativas de terra por esse mundo fora a bem do espetáculo.


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AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
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