quarta-feira, 8 de outubro de 2014

P.E.C. Nº 280: A festa da Taça!


Notícias recentes dão conta da FPAK ter remetido um inquérito muito completo aos concorrentes do campeonato nacional de Ralis, procurando auscultar a opinião destes para as questões mais prementes da competição. 

Assuntos decisivos para os próximos anos, como a redução de custos de participação, enquadramento regulamentar dos carros, ou o próprio formato dos Ralis, integrarão provavelmente tal leque de perguntas.

A iniciativa merece sincero aplauso.

É fundamental que quem tem o poder da tomada de decisões esteja munido de sugestões e da sensibilidade dos intervenientes na modalidade, no fundo quem investe e dessa forma espera legitimamente ter um CNR organizado de acordo com as suas expetativas.

Sempre enaltecemos fortemente as virtudes da democracia direta, ainda que não tenhamos necessariamente a visão que se deva governar sempre em função daquilo que os eleitores mais querem.

Por outras palavras: não temos como verdade insofismável que o modelo de CNR em 2015 tenha de ser exatamente aquele que a maioria dos pilotos pretendam, até porque da monitorização do sentimento geral que perpassa do parque de assistência resultará seguramente opiniões para todos os gostos, dos concorrentes (pouquíssimos) para quem o dinheiro não é aparentemente problema, até aqueles (bastantes mais) que fazem Ralis com um olho no cronómetro e outro no orçamento.

Ainda assim, voltamos a salientar, é extremamente positivo e salutar o facto da entidade federativa procurar ir de encontro às expetativas de quem compete e faz o espetáculo, sempre tendo em mente, a nosso ver, a importância de perceber que ninguém abandonará o CNR em próximos anos pelo facto deste se tornar mais acessível financeiramente, mas seguramente haverá quem possa (continuar a) não participar caso os custos para competir aumentem ou, até, continuem na bitola que conhecemos na presente temporada.

Sobre essa questão, o modelo do campeonato nacional de Ralis para 2015, desenvolveremos em breve algumas ideias mais aprofundadas, uma vez que entendemos ter alguma responsabilidade em concretizar na prática, com exemplos concretos e sem incorrer amiúde a generalidades, aquilo que será a nosso ver a filosofia mais adequada para a competição maior das provas de estrada no nosso país. 

Para já, em complemento ao CNR, temos aí a novel Taça de Portugal de Ralis que irá para a estrada a 15 e 16 de novembro próximos.

A ideia de abrir uma janela de oportunidade aos pilotos no sentido de poderem ganhar mais um título em cada temporada é muito positiva, e a TPR, devidamente burilada e trabalhada atempadamente, pode e deve no futuro criar raízes no calendário anual dos Ralis portugueses.

Avançar no projeto já em 2014, com poucos meses entre o anúncio da pretensão da FPAK e a prova propriamente dita, poderá revelar-se, o futuro o dirá, algo precipitado, ainda que se olhe para este começo um pouco como o ‘ano zero’ desta nova competição.

Estamos numa altura do ano em que do bolo orçamental de equipas e pilotos para a presente temporada já apenas sobram, na esmagadora maioria das situações, algumas escassas migalhas, o que pode comprometer uma lista de inscritos que naturalmente se pretende bem preenchida.

São poucos os pilotos que no final da presente temporada do CNR vão conseguir estar presentes à partida das oito etapas do respectivo calendário, pelo que se adensam as dúvidas quanto à TPR ser suficientemente apelativa para que façam um esforço adicional e se inscrevam numa prova extra.

Não se pode nesta análise esquecer, em complemento, o facto do evento se disputar no Algarve quando a grande maioria das equipas e pilotos são oriundos do norte do país, detalhe geográfico que em termos logísticos também onera a participação na prova confiada ao Clube Automóvel do Algarve.

O processo de escolha da entidade organizadora da prova a contar para a Taça de Portugal de Ralis não deixa, aliás, de ter contornos caricatos e resvalar para alguma ironia: o CAA viu o seu Rali (Casinos do Algarve) no final de 2013 ser preterido no calendário do campeonato nacional da temporada que ainda decorre, por motivos que, insistimos, nunca foram devidamente esclarecidos publicamente, mas que alegadamente se prenderam com uma avaliação menos positiva feita ao tempo pelos observadores da FPAK, mas é agora precisamente ao clube do sul do país que os seus pares confiam, presumimos por insuspeita capacidade e competência para o efeito, a organização do evento, sendo que há a questionar em paralelo os critérios pelos quais, à exceção dos organizadores das provas internacionais (Ralis de Portugal, dos Açores e da Madeira), só as demais entidades que põem na estrada etapas do CNR é que tiveram voto nesta matéria, quando no meio dos Ralis em Portugal sabe-se haver outras dentro do leque de associados da federação bem mais credíveis e avalizadas para o efeito.

À margem de todas estas questões, fica o nosso desejo e votos que a TPR possa ser, já a partir deste ano, como no futebol, a grande festa dos Ralis em Portugal, participada por concorrentes e público, renhida desportivamente e com grande espectacularidade na estrada, aguardando-se com expectativa o «formato diferenciador, quer a nível de configuração, quer a nível de localização» que o Clube Automóvel do Algarve promete colocar em prática já em meados de novembro próximo.

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